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O mercado invisível: Por que o relógio de um astro do futebol rende mais que um imóvel de luxo?

O verdadeiro símbolo de poder nos vestiários é uma máquina no pulso que pode dobrar de valor no mercado secundário e possui fila de espera de até cinco anos

Fábio Rocha

Publicado em 16/04/2026 às 15:45

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O verdadeiro demonstrativo de poder financeiro viaja discretamente no pulso / Imagem ilustrativa

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Houve um tempo em que o auge da ostentação para um jogador de futebol era chegar ao centro de treinamento acelerando uma Ferrari zero quilômetro. Hoje, o carro esportivo é quase um detalhe.

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O verdadeiro demonstrativo de poder financeiro viaja discretamente no pulso. Astros da Seleção Brasileira e da elite europeia trocaram a paixão automotiva por um mercado muito mais restrito e lucrativo: a alta relojoaria.

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A lógica é estritamente financeira. Enquanto um carro de luxo perde cerca de 20% do seu valor no momento em que sai da concessionária, marcas de nicho fazem o caminho inverso, transformando-se em ativos com rentabilidade, muitas vezes, superior a fundos de investimento tradicionais.

O "Clube Fechado" e a inflação da pressa

Se um jogador recém-contratado por um gigante europeu decidir entrar em uma boutique oficial de marcas como Patek Philippe ou Rolex hoje com dois milhões de reais na conta, ele provavelmente sairá de mãos vazias. Na alta relojoaria, o dinheiro não compra o acesso imediato; é preciso histórico.

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Para adquirir as peças mais exclusivas pelo preço de varejo, as manufaturas exigem um longo relacionamento de compras do cliente ("pedigree").

Como atletas de elite geralmente não têm paciência para filas de espera que podem demorar meia década, eles recorrem ao mercado secundário.

Revendedores independentes de luxo cobram o dobro, às vezes o triplo, do valor de tabela pela conveniência da entrega imediata.

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É essa urgência dos super-ricos que inflaciona o mercado paralelo e transforma quem já possui a peça em um investidor de altíssimo rendimento.

Astros da Seleção Brasileira e da elite europeia trocaram a paixão automotiva pelo mercado da alta relojoaria / Imagem ilustrativa

Os "Três Reis" dos vestiários

Seja na chegada aos estádios ou nas postagens de férias, o mercado de luxo dos gramados é dominado hoje por uma trindade clara:

Richard Mille (a Fórmula 1 de pulso): O favorito absoluto da nova geração. Parecem motores em miniatura.

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Pesam poucas gramas, utilizam materiais da indústria aeroespacial e resistem a impactos severos. O apelo é a disrupção visual tecnológica e o preço de entrada, sempre na casa dos sete dígitos.

Patek Philippe (o investimento clássico): Representa a herança e o "dinheiro velho". Modelos como o Nautilus e o Aquanaut são tão cobiçados que a própria marca precisou descontinuar algumas versões para evitar que virassem meros objetos de especulação frenética. É a peça comprada visando a valorização a longo prazo.

Rolex (a moeda internacional): Especialmente os modelos esportivos como o Daytona em ouro ou platina. É o padrão ouro da liquidez imediata.

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Se um jogador precisar vender um Rolex do outro lado do mundo, ele consegue o dinheiro em espécie, em qualquer moeda, no mesmo dia.

Raio-X de uma máquina: Richard Mille RM 67-02

Para entender onde está o valor técnico que sustenta esse mercado, dissecamos um dos modelos queridinhos dos atletas da elite mundial:

A caixa: 

Fabricada em Carbono TPT e Quartzo TPT, materiais desenvolvidos originalmente para resistir a condições extremas em satélites e chassis de carros de corrida. É imune a micro-riscos e absurdamente leve.

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O coração:

Possui engrenagens expostas forjadas em titânio nível 5 (o mesmo usado na medicina e na fuselagem de aviões) e rotores de ouro branco que carregam o relógio apenas com o movimento natural do braço do atleta durante o dia.

A ergonomia:

Pesa apenas 32 gramas no total (incluindo a pulseira elástica especial). O nível de conforto faz com que o usuário esqueça que está usando um equipamento mecânico tão complexo.

O choque de realidade:

Uma peça dessas, por ser produzida em escala limitadíssima, pode facilmente ultrapassar a marca de R$ 5 milhões nas mãos de revendedores no mercado paralelo.

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O equivalente financeiro:

Com o valor financeiro de apenas um RM 67-02 no pulso, o atleta carrega o equivalente à compra à vista de uma cobertura de alto padrão, de frente para o mar, em bairros nobres como o Gonzaga ou a Ponta da Praia, acompanhada de um Porsche 911 na garagem.

A diferença crucial para os investidores modernos é que a cobertura e o carro geram despesas contínuas de manutenção e impostos; o relógio, devidamente segurado e guardado, continuará rendendo em silêncio.

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