Conheça as expressões que você deve repensar para garantir diálogos mais humanos e respeitosos / Pexels
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As palavras que escolhemos funcionam como um espelho da nossa realidade social e financeira imediata.
Muitas vezes, usamos frases que parecem inofensivas, mas que revelam uma desconexão total com a vida alheia.
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É o chamado privilégio invisível. Aproveite e veja também: 7 frases comuns que mostram que você é mais inteligente do que imagina
Entender esse conceito não serve para gerar culpa, mas para despertar uma consciência social maior.
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Quando ajustamos nossa fala, demonstramos respeito pelas lutas que não são as nossas, criando diálogos melhores.
Muitos conselhos como “É só trocar de emprego” ignoram a escassez de oportunidades reais para todos.
Quem tem educação de elite e contatos influentes sente menos medo de arriscar uma mudança.
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Para a massa trabalhadora, o risco de ficar sem salário supera qualquer vontade de mudar. Além disso, as vagas disponíveis nem sempre são acessíveis para quem mais precisa de trabalho.
A frase “Todo mundo tem as mesmas 24 horas” é tecnicamente correta, mas socialmente falsa e injusta. O tempo de quem tem auxílio doméstico rende muito mais do que o tempo alheio.
Enquanto uns focam no lazer, outros perdem o dia em filas e ônibus lotados. Assim, fica claro que ter tempo disponível para si mesmo é um privilégio de classe.
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Ao dizer que “Dinheiro não é tudo”, a pessoa geralmente esquece que ele compra dignidade básica. Ele garante o teto sobre a cabeça, o remédio na farmácia e a comida nutritiva.
As pesquisas indicam que a disparidade salarial no Brasil ainda é um problema muito grave. Mulheres negras recebem, em média, menos da metade do valor pago aos homens brancos equivalentes.
Insistir que “É só pensar positivo” pode soar como uma forma de silenciar quem sofre. O pensamento positivo não substitui políticas públicas ou soluções financeiras que resolvam as dificuldades da vida.
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Tratar questões estruturais como simples problemas de atitude mental é um erro de percepção. Contudo, praticar a escuta ativa é muito mais eficiente para ajudar quem está passando dificuldades.
Muitas pessoas afirmam que “Eu só compro orgânicos” sem notar o preço elevado desses produtos hoje. Para quem vive com o salário mínimo, o essencial é garantir o volume de comida necessário.
A liberdade de selecionar a origem do que se come é um luxo financeiro. Portanto, transformar a dieta em um padrão de superioridade ignora a fome de muitas famílias.
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Questionar “Por que você não contrata alguém para isso?” demonstra falta de noção sobre orçamentos apertados. Pagar por serviços de terceiros é algo que foge da realidade da maioria absoluta.
Fazer os próprios reparos e a limpeza é uma estratégia de sobrevivência econômica constante. Desse modo, a terceirização de tarefas é uma conveniência que depende diretamente do saldo bancário.
A frase “A gente sempre viaja nas férias” reflete uma vida de experiências que poucos acessam. Para milhões de brasileiros, as férias são apenas dias sem trabalhar, passados dentro da própria comunidade.
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Viajar para o exterior ou destinos turísticos caros exige uma sobra financeira que é rara. Afinal, o lazer planejado ainda é um marcador de privilégio social muito forte no Brasil.
Ouvir que “É só trabalhar mais” é um insulto para quem já deu tudo de si. Trabalhar duro é a rotina do brasileiro, mas isso nem sempre se traduz em sucesso.
As desigualdades históricas impedem que o esforço seja o único fator determinante para a vitória. No entanto, reconhecer esses limites nos torna mais humanos e atentos à realidade do próximo.
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