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O lado sombrio da viagem de trem mais famosa do Brasil: o que a paisagem esconde

Único a fazer rotas de longa distância diariamente, comboio de passageiros divide os trilhos com o "pó preto", um problema ambiental bilionário

Fábio Rocha

Publicado em 09/04/2026 às 11:16

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O percurso de 664 quilômetros é uma verdadeira imersão no interior do país / Imagem ilustrativa

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A Estrada de Ferro Vitória-Minas é uma sobrevivente de uma era romântica. Inaugurada em 1904, originalmente para escoar a produção de café, ela hoje abriga o único trem de passageiros com partidas diárias de longa distância no Brasil.

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O percurso de 664 quilômetros é uma verdadeira imersão no interior do país, acompanhando as margens do Rio Doce e revelando paisagens que se alternam entre a densa Mata Atlântica e o Cerrado, além de relevos montanhosos deslumbrantes.

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Com cerca de 700 mil passageiros transportados por ano, a viagem foi desenhada para ser confortável.

Os 16 vagões contam com ar-condicionado, lanchonete, restaurante e serviço de bordo, oferecendo uma experiência completa tanto na classe executiva quanto na econômica ao longo de suas 30 paradas (21 em Minas Gerais e nove no Espírito Santo). Mas os vagões de passageiros contam apenas metade dessa história.

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O contraste nos trilhos: a rota do minério

Apesar de ser um polo de turismo altamente procurado, a principal atribuição da ferrovia está longe de ser o lazer.

O trem, operado pela Vale S.A., tem como missão central o transporte pesado de cargas, como soja, fertilizantes e, principalmente, o escoamento de minério de ferro até o Porto de Tubarão, em Vitória (ES).

É exatamente no destino final dessa viagem exuberante que o cenário muda de figura e a operação ferroviária encontra seu maior alvo de críticas.

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O trem, operado pela Vale S.A., tem como missão central o transporte pesado de cargas / Digulgação/Vale

O desafio crônico do "pó preto"

A capital capixaba sofre há décadas com um problema ambiental severo gerado pela operação logística: a poluição do ar pelo chamado “pó preto”, fuligem proveniente do transporte e processamento do minério de ferro.

O impacto na qualidade de vida dos moradores gerou denúncias formais contra a Vale em 2015, culminando na criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) por vereadores locais para investigar os danos atmosféricos.

Pressionada por autoridades e órgãos ambientais, a operação precisou se adaptar. Após um plano de metas rigoroso estabelecido a partir de estudos da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), a empresa foi advertida em 2018 a mitigar a emissão de poluentes.

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Para tentar frear o problema, a Vale instalou, em 2022, uma grande cobertura em sua usina em Vitória para impedir que o pó chegasse à atmosfera, uma medida essencial dentro do seu Plano Diretor Ambiental para tentar equilibrar o impacto de sua atividade industrial com a manutenção de uma das rotas mais vitais (e famosas) do Brasil.

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