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O 'inimigo' do descanso: como o uso do celular antes de dormir está sabotando sua saúde

A luz azul e o excesso de estímulos atrapalham o relógio biológico, mas a tecnologia também pode virar aliada se usada com moderação; entenda como

Maria Clara Pasqualeto

Publicado em 11/03/2026 às 11:50

Atualizado em 11/03/2026 às 13:14

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O hábito de usar o celular antes de dormir expõe os olhos à luz azul das telas, que interfere na produção de melatonina hormônio responsável por regular o sono / Freepik/frimufilms

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Dar aquela última rolada no feed das redes sociais ou assistir a mais um episódio de série na cama já virou rotina para muita gente. O problema é que o costume de adormecer com o celular na mão cobra um preço alto: um estudo recente do Instituto Norueguês de Saúde Pública, publicado na revista científica Frontiers in Psychiatry, revela que passar uma hora na frente das telas antes de fechar os olhos aumenta o risco de insônia em 59% e rouba, em média, 24 minutos do seu descanso.

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Especialistas alertam que a culpa não é apenas da claridade do aparelho. O impacto negativo vem de uma combinação perigosa entre a famosa "luz azul" e a montanha-russa mental que o ambiente digital proporciona.

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O 'curto-circuito' no relógio biológico

A luz emitida por smartphones, computadores e tablets engana o cérebro, inibindo a produção de melatonina — o hormônio responsável por avisar o organismo que é hora de dormir. Sem esse sinal, o corpo simplesmente não relaxa, atrasando o início do sono.

Mas o que você consome também pesa na balança. Jogos, vídeos curtos e debates nas redes sociais deixam o cérebro em estado de alerta. O tempo passa sem que você perceba, a sonolência desaparece e, quando se dá conta, já é madrugada. Até mesmo as notificações que vibram ou acendem a tela à noite causam microdespertares, quebrando o ciclo natural do descanso.

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A conta chega no dia seguinte

Dormir mal gera um efeito dominó. No curto prazo, a falta de um descanso de qualidade resulta em:

  • Cansaço e sonolência durante o dia;
  • Queda drástica de foco e produtividade;
  • Irritabilidade;
  • Falhas de memória e dificuldade de aprendizado.

Se isso virar rotina, a privação crônica de sono se torna um perigo maior, abrindo portas para alterações metabólicas, piora na saúde mental e aumento do risco de doenças cardiovasculares.

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Dormir mal impacta diretamente o dia seguinte: cansaço, irritabilidade, queda de produtividade e dificuldade de concentração estão entre os efeitos mais comuns. Unsplash/ethan
Dormir mal impacta diretamente o dia seguinte: cansaço, irritabilidade, queda de produtividade e dificuldade de concentração estão entre os efeitos mais comuns. Unsplash/ethan
O hábito de usar o celular antes de dormir expõe os olhos à luz azul das telas, que interfere na produção de melatonina  hormônio responsável por regular o sono. Freepik/frimufilms
O hábito de usar o celular antes de dormir expõe os olhos à luz azul das telas, que interfere na produção de melatonina hormônio responsável por regular o sono. Freepik/frimufilms
Rolagem infinita em redes sociais, vídeos curtos e notificações constantes mantêm o cérebro em estado de alerta, dificultando o relaxamento necessário para adormecer. Freepik/pvproductions
Rolagem infinita em redes sociais, vídeos curtos e notificações constantes mantêm o cérebro em estado de alerta, dificultando o relaxamento necessário para adormecer. Freepik/pvproductions
Especialistas recomendam evitar telas ao menos uma hora antes de deitar e criar rituais relaxantes, como leitura ou alongamentos, para melhorar a qualidade do sono. Unsplash/Kajetan Sumila
Especialistas recomendam evitar telas ao menos uma hora antes de deitar e criar rituais relaxantes, como leitura ou alongamentos, para melhorar a qualidade do sono. Unsplash/Kajetan Sumila
Aplicativos de monitoramento do sono e dispositivos vestíveis podem ajudar a identificar padrões de descanso e incentivar hábitos mais saudáveis antes de dormir. Freepik
Aplicativos de monitoramento do sono e dispositivos vestíveis podem ajudar a identificar padrões de descanso e incentivar hábitos mais saudáveis antes de dormir. Freepik

Dá para usar a tecnologia a seu favor?

Nem tudo está perdido. A mesma tecnologia que tira o sono pode ajudar a recuperá-lo, desde que usada com estratégia.

Smartwatches e aplicativos de monitoramento são ótimos para mapear a qualidade do seu descanso, acompanhando a frequência cardíaca e identificando padrões que precisam ser corrigidos. Para quem tem dificuldade de relaxar, apps com ruído branco, sons da natureza ou meditações guiadas funcionam como um "freio" para a mente.

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Existem ainda alarmes inteligentes que percebem quando você está em uma fase de sono mais leve para te acordar suavemente, evitando aquela sensação de "atropelamento" pela manhã.

Como 'fazer as pazes' com o travesseiro?

Para não 'brigar' com o relógio de madrugada, pequenas mudanças de hábito fazem toda a diferença:

  • Desconecte-se: Evite telas pelo menos uma hora antes de deitar;

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  • Filtre a luz: Ative o filtro de luz azul (ou "modo noturno") do celular no início da noite;
  • Silencie tudo: Desligue notificações e, se possível, deixe o aparelho carregando longe da cama;
  • Crie um ritual: Substitua o celular por uma leitura no papel, um banho morno ou alongamentos leves.

Além desses fatores, existem ferramentas nos próprios celulares (Android ou Iphone) que permitem programar o ligamento e o desligamento da luz azul. Para fazer isso, siga o passo a passo abaixo:

Luz azul no Iphone

  • Abra o aplicativo "Ajustes";
  • Procure a categoria "Tela e brilho";
  • Clique na opção "Night Shift";
  • Você pode escolher agendar um horário específico ou a opção "ativar até amanhã". Além disso, é possível manusear a temperatura da cor da tela.

Luz azul no Android

  • Abra o aplicativo "Configurações";
  • Procure as categorias "Visor" ou "Tela";
  • Selecione "Modo Noturno", "Proteção para Conforto Ocular" ou "Filtro de Luz Azul";
  • Assim como no Iphone, você pode definir um horário personalizado ou selecionar a opção "Do anoitecer ao amanhecer". Também é possível manusear a temperatura da cor da tela.

No fim das contas, a ciência ainda debate se o maior vilão é a luz da tela em si ou a ansiedade gerada pelo conteúdo consumido. De qualquer forma, o segredo é impor limites. Com hábitos mais saudáveis, o celular volta a ser uma ferramenta útil, e não o obstáculo entre você e uma boa noite de sono.

*O texto contém informações do portal Terra

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