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Ao lançar o eFootball, em 2022, a produtora de jogos ignorou toda a mística de um simulador de futebol para entregar uma plataforma de serviços sem emoção
Flamengo e São Paulo se enfrentam no "sem sal" eFootball, lançado pela Konami em 2022 / Reprodução/Konami
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Para quem viveu a era de ouro do PlayStation 2, o nome Pro Evolution Soccer não era apenas um jogo, era um ritual sagrado. No entanto, o que antes era sinônimo de simulação perfeita e diversão entre amigos, transformou-se em uma plataforma digital que ainda luta para reconquistar o prestígio perdido. A decisão da Konami de abandonar a marca PES para dar lugar ao eFootball marcou o fim de uma dinastia que atravessou gerações.
A força do antigo PES residia em sua alma. Diferente de seu principal concorrente, o jogo da Konami entregava uma física de bola única e modos de jogo que se tornaram lendários, como a Master Liga. O prazer de transformar um time de jogadores desconhecidos em campeões mundiais criou uma conexão emocional que poucos títulos conseguiram replicar. Era um jogo feito por quem amava futebol para quem respirava o esporte.
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A ruptura aconteceu em 2021, quando a Konami anunciou que o PES deixaria de existir como um lançamento anual pago para se tornar o eFootball, um jogo free-to-play (gratuito) focado em microtransações. A promessa era de um motor gráfico revolucionário e cross-play total, mas o lançamento foi cercado de polêmicas. Gráficos bizarros e uma jogabilidade travada geraram uma onda de memes que mancharam a reputação da franquia de forma quase irreversível nos primeiros meses.
O grande "pecado" apontado pelos puristas foi a priorização do lucro sobre a experiência. Ao focar no modo de cartas e competições online, a Konami deixou de lado o conteúdo offline que era o coração do PES. A ausência de modos robustos de um jogador e a demora em entregar atualizações significativas fizeram com que muitos veteranos migrassem para a concorrência ou, em muitos casos, simplesmente desistissem dos simuladores de futebol modernos.
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Hoje, o eFootball encontrou uma estabilidade técnica e possui uma base fiel de jogadores, mas o sentimento de que a "magia" se foi ainda persiste. O jogo atual é mais uma plataforma de serviços do que um simulador de futebol completo. Para os órfãos do International Superstar Soccer e do Winning Eleven, resta a esperança de que a concorrência (ou até um retorno às origens por parte da Konami) devolva ao campo virtual aquela sensação de imprevisibilidade e paixão que só o velho PES conseguia proporcionar.
Enquanto isso, o jeito é continuar jogando o PES 2021 com atualizações de camisas, patrocinadores e elencos criadas pela comunidade fiel do game, vendidas aos montes pela internet.