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O erro que a ciência não previu sobre o ciclo de vida dos vulcões

Fatores como movimento das placas tectônicas, esgotamento de magma e mudanças geológicas estão diretamente conectados à vida útil das estruturas

Maria Clara Pasqualeto

Publicado em 12/03/2026 às 13:16

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Vulcões classificados como ativos já entraram em erupção durante o Holoceno, indicando que ainda possuem magma circulando em seu sistema subterrâneo / Unsplash/Toby Elliott

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Formados por aberturas na crosta terrestre que conectam a superfície a reservatórios profundos de magma, os vulcões funcionam como válvulas naturais de liberação de pressão do interior da Terra. No entanto, a maioria dos vulcões passa por longos períodos de silêncio — e alguns chegam a até desaparecer do mapa geológico.

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Cientistas classificam os vulcões em três categorias principais: ativos, dormentes e extintos. Todavia, essa categorização depende principalmente do histórico de erupções e das atividades geológicas observadas. 

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As três fases de um vulcão

Vulcões considerados ativos são aqueles que já entraram em erupção durante o período geológico atual, o Holoceno, iniciado há cerca de 11,6 mil anos após a última era glacial. Isso indica que ainda existe magma circulando no sistema subterrâneo que alimenta o vulcão.

Dentre exemplos clássicos desta categoria estão:

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  • Kīlauea, um dos vulcões mais ativos do planeta

  • Stromboli, conhecido por suas erupções frequentes

  • Eyjafjallajökull, cuja erupção em 2010 afetou o tráfego aéreo europeu

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  • Santiaguito, ativo desde o início do século XX

Já os vulcões dormentes (ou inativos) são aqueles que permanecem longos períodos sem erupções, mas ainda possuem potencial de atividade futura. A silenciosidade do vulcão não significa que ele esteja definitivamente 'morto'.

Um exemplo recente é o Hayli Gubbi, na Etiópia. Em novembro de 2025, a estrutura entrou em erupção após cerca de 12 mil anos sem atividades registradas, surpreendendo pesquisadores. A erupção lançou colunas de cinzas que atingiram 14 quilômetros de altura, espalhando partículas pelo Mar Vermelho e alcançando países como Iêmen, Omã, Índia e Paquistão.

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Por fim, os vulcões extintos são aqueles que, segundo as evidências geológicas atuais, dificilmente voltarão a entrar em erupção, geralmente porque perderam a ligação com sua fonte de magma.

A erupção do Eyjafjallajökull em 2010 lançou grandes quantidades de cinzas na atmosfera, interrompendo o tráfego aéreo em grande parte da Europa. Unsplash/Alain Bonnardeaux
A erupção do Eyjafjallajökull em 2010 lançou grandes quantidades de cinzas na atmosfera, interrompendo o tráfego aéreo em grande parte da Europa. Unsplash/Alain Bonnardeaux
Na Itália, o Stromboli é conhecido por suas explosões regulares e previsíveis; esse comportamento faz do vulcão um exemplo de atividade vulcânica persistente no mundo. Unsplash/Ása Steinarsdóttir
Na Itália, o Stromboli é conhecido por suas explosões regulares e previsíveis; esse comportamento faz do vulcão um exemplo de atividade vulcânica persistente no mundo. Unsplash/Ása Steinarsdóttir
Mesmo vulcões considerados extintos, como o Uturuncu - inativo há 250 mil anos -, podem apresentar indícios de atividade geológica. Unsplash/Tetiana GRY
Mesmo vulcões considerados extintos, como o Uturuncu - inativo há 250 mil anos -, podem apresentar indícios de atividade geológica. Unsplash/Tetiana GRY
Vulcões dormentes passam longos períodos em silêncio, mas ainda possuem potencial para novas erupções. Unsplash/Tetiana GRY
Vulcões dormentes passam longos períodos em silêncio, mas ainda possuem potencial para novas erupções. Unsplash/Tetiana GRY
Vulcões classificados como ativos já entraram em erupção durante o Holoceno, indicando que ainda possuem magma circulando em seu sistema subterrâneo. Unsplash/Toby Elliott
Vulcões classificados como ativos já entraram em erupção durante o Holoceno, indicando que ainda possuem magma circulando em seu sistema subterrâneo. Unsplash/Toby Elliott

Por que um vulcão deixa de entrar em erupção?

O principal motivo à inatividade consiste na interrupção do fornecimento de magma, elemento que alimenta o sistema vulcânico. Este cenário pode ocorrer por diferentes fatores geológicos.

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A possibilidade mais comum está ligada ao movimento das placas tectônicas. A crosta terrestre é formada por placas gigantes que se deslocam lentamente ao longo de milhões de anos. Quando um vulcão se forma sobre uma região onde há ascensão de magma, ele pode permanecer ativo enquanto sua fonte continua alimentando a câmara subterrânea.

Contudo, devido ao deslocamento contínuo da fonte, o vulcão pode acabar se afastando, perdendo gradualmente sua atividade até entrar em dormência ou extinção.

Outra questão é o esgotamento do magma acumulado. Em alguns casos, o reservatório subterrâneo simplesmente se esvazia ao longo de diversas erupções. A atividade tende a diminuir progressivamente, com erupções cada vez mais raras até cessarem por completo — processo considerado parte do ciclo natural de evolução de muitos vulcões.

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Vulcões 'mortos' podem voltar à vida?

Em alguns casos, sim. Entretanto, é uma ocorrência rara. Pesquisas geológicas frequentemente identificam bolsões de magma ainda presentes em vulcões considerados extintos. Em outras palavras, se as condições tectônicas mudarem, a atividade pode retornar.

Dois exemplos estudados por cientistas são:

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  • Taftan: Sem erupções há cerca de 700 mil anos, mas com sinais recentes de atividade geotérmica.

  • Uturuncu: Inativo há cerca de 250 mil anos, porém monitorado por apresentar deformações no solo e sinais de magma profundo.

Esses indícios não necessariamente significam que uma erupção acontecerá em breve. Porém, os sinais apresentam um sistema dinâmico no interior terrestre — e que, mesmo vulcões aparentemente 'mortos', podem surpreender.

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