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Entenda a falha técnica e os erros de investigação que transformaram um passeio de domingo no interior de SP em um dos maiores mistérios policiais do Brasil
Beatriz Winck tinha 77 anos quando sumiu em 7 minutos no Santuário Nacional de Aparecida / Foto ilustrativa/Montagem/Gemini
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O sol de domingo batia forte sobre o asfalto quente de Aparecida, no interior de São Paulo. Era 21 de outubro de 2012, e o Santuário Nacional fervilhava com uma multidão de 200 mil fiéis. No meio do mar de gente, um casal de idosos caminhava de mãos dadas, como faziam há 60 anos. Delmar Winck parou diante de uma loja de artigos religiosos. Ele queria apenas uma lembrança. Pediu que sua esposa, Beatriz, o esperasse ali na porta, sob a sombra, por apenas alguns minutos. Quando voltou, sete minutos depois, ela havia desaparecido.
Naquele instante começava um dos maiores enigmas policiais do Brasil, um mistério que desafiaria a tecnologia, a polícia e o tempo.
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Beatriz Joana Von Hohendorff Winck tinha 77 anos e não sofria de qualquer confusão mental. Ela estava lúcida, bem vestida e carregava consigo o carinho de uma vida inteira dedicada à família em Portão, no Rio Grande do Sul. O desaparecimento foi tão súbito que parecia impossível. Como uma mulher de cabelos brancos desaparece em plena luz do dia, cercada por milhares de testemunhas, sem que ninguém perceba nada de estranho?
O desespero tomou conta de Delmar imediatamente. Ele correu pelos corredores do Santuário, gritou o nome da esposa até perder a voz e buscou ajuda na segurança do templo. A resposta que recebeu nos dias seguintes foi um balde de água fria que mudaria o rumo das investigações para sempre. O sistema de monitoramento de câmeras do local, na época, sobrepunha as imagens rapidamente. Quando a perícia chegou, o rastro digital de Beatriz já havia sido apagado.
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Os meses viraram anos, e o silêncio se tornou o único companheiro de Delmar e de seus quatro filhos. A polícia investigou todas as pistas possíveis. Receberam trotes cruéis, pistas falsas de que ela teria sido vista em cidades vizinhas e até teorias de sequestro. No entanto, nenhum pedido de resgate jamais chegou. Nenhuma câmera de rodovia registrou a idosa. Nenhum hospital ou necrotério em todo o país apresentou uma identidade compatível.
A família Winck não se deu por vencida. Eles criaram sites, espalharam milhares de cartazes por todo o Brasil e contrataram detetives particulares. O rosto de Beatriz estampou programas de TV e portais de notícias de norte a sul. O caso se tornou um símbolo da dor das famílias de desaparecidos, expondo a fragilidade dos sistemas de busca e a falta de integração entre as polícias estaduais.
O tempo, porém, é implacável. Enquanto a investigação oficial estacionava por falta de provas, a saúde de Delmar começava a falhar. O homem que nunca deixou de procurar pela esposa enfrentou décadas de uma agonia silenciosa. Em novembro de 2025, o capítulo mais triste desta história foi escrito. Aos 94 anos, Delmar faleceu. Ele partiu sem a resposta que buscou em cada oração e em cada quilômetro percorrido desde aquele fatídico domingo de 2012.
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Mesmo com a partida do patriarca, o mistério permanece vivo. O inquérito policial foi arquivado recentemente por falta de novos indícios, mas o DNA da família continua no Banco Nacional de Perfis Genéticos. Para os filhos, a busca não é mais apenas por uma pessoa, mas pela verdade. Eles sabem que Beatriz ainda está em algum lugar, seja na memória coletiva de um país que se chocou com sua história, ou em uma resposta que a justiça ainda não foi capaz de entregar.
Fontes consultadas:
Portal G1 Vale do Paraíba e Região;
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Site Oficial "Onde Está Dona Beatriz?";
Arquivo de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP);
Reportagens especiais da Record TV (Programa Cidade Alerta).
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