A Amazônia brasileira continua surpreendendo a ciência com novas espécies de peixes elétricos. Somente na última década, pesquisadores descreveram 70 novas variedades, incluindo o campeão de voltagem: o Electrophorus voltai com seus 860 volts.
Como explica o professor Luiz Peixoto, da Universidade Federal do Pará, para a Folha de S, Paulo, esse avanço se deve ao “incremento de novas ferramentas tecnológicas, como a tomografia computadorizada”.
Esses equipamentos revelam detalhes antes impossíveis de estudar sem dissecar os espécimes.
Como funcionam os peixes-trovão
Esses animais possuem células especializadas, chamadas eletrócitos que funcionam como pequenas baterias. Quando ativadas simultaneamente, produzem descargas que variam de 10 volts nas espécies menores até os impressionantes 860 volts.
Uma curiosidade é que os choques são espécie-específicos, servindo como forma de comunicação. Apenas os poraquês usam essa capacidade para caçar, enquanto outras espécies a empregam principalmente para navegação em águas turvas.
Conheça também um peixe que pode conter mais de 70 parasitas e é o ‘mais perigoso do mundo’.
Diferenças entre as espécies brasileiras
Os Gymnotiformes brasileiros incluem desde o pequeno ituí-cavalo até o grande poraquê. Enquanto o Electrophorus electricus produz 460 volts, suas duas “novas” espécies irmãs (descobertas em 2019) alcançam voltagens muito maiores.
O ituí-cavalo se destaca por modificar células neurais em vez de musculares para gerar eletricidade. Já o tuvira, outra espécie comum, produz descargas fracas usadas principalmente para sensoriamento ambiental.
Conheça também uma espécie bizarra: pesquisadores encontraram um peixe com dentes humanos temido por atacar testículos.
Por que preservar esses peixes?
Além do valor ecológico, esses animais representam uma fonte inestimável de conhecimento científico. “São peixes fascinantes capazes de produzir descargas elétricas”, afirma Peixoto, lembrando que a Amazônia abriga a maior diversidade dessas espécies.
Com o avanço da tecnologia, cada nova descoberta pode trazer insights para áreas como neurociência e engenharia biomédica. A preservação de seu habitat é essencial para que possamos continuar aprendendo com esses extraordinários geradores naturais de energia.
