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Primeiros visitantes estrangeiros descrevem hotéis desertos atendimento impecável e lembranças insólitas no resort de Wonsan Kalma
Recém-inaugurado resort Wonsan Kalma, na Coreia do Norte / Reprodução/KCNA
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Areia branca, praias desertas e até souvenirs em formato de mísseis. Assim foi a estadia de 13 turistas russos que se tornaram, neste verão, os primeiros estrangeiros a conhecer o recém-inaugurado resort Wonsan Kalma, na Coreia do Norte.
O local foi erguido onde antes funcionava uma base de testes militares e hoje abriga hotéis, restaurantes, centros comerciais e até um parque aquático.
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A veterinária russa Darya Zubkova, de 34 anos, passou uma semana no complexo em julho e contou à CNN que o grupo foi levado até lá em um trem custeado pelo governo.
A surpresa veio logo na chegada: apesar da estrutura imponente, o hotel estava praticamente vazio. “Sentíamos que havia muito espaço, porque éramos as únicas pessoas ali”, relatou.
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Segundo ela, o atendimento foi impecável. Os poucos hóspedes recebiam atenção de dezenas de funcionários, que chegavam a comprar itens na cidade apenas para atender a pedidos simples, como um estendal de roupas ou cadeiras para varanda.
“Esforçaram-se muito. Tentaram surpreender-nos de todas as formas possíveis”, contou.
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A praia do resort, impecavelmente limpa, era dividida entre visitantes nacionais e estrangeiros. No lado internacional, apenas os 13 russos.
Todos os dias, veículos passavam para apagar as marcas de pegadas na areia. Já no parque aquático, turistas estrangeiros não podiam entrar — apenas observar à distância a multidão de norte-coreanos se divertindo.
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Outro detalhe curioso estava na loja de souvenirs: réplicas de mísseis à venda por 34 euros, segundo relatou Anastasia Samsonova, de 33 anos, à BBC.
Apesar das restrições para fotografar áreas em obras, a turista garantiu que nunca teve problemas com guardas nem foi obrigada a apagar imagens.
A viagem, organizada por agências russas e autorizada pelo governo norte-coreano, custa cerca de 1.540 euros por pessoa para uma semana, incluindo três dias no resort.
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O resort foi inaugurado em 24 de junho, com a presença do líder Kim Jong-un, que afirmou que a nova estância “fortaleceria a reputação da Coreia do Norte como destino turístico-cultural de nível mundial”.
O projeto começou a ser sonhado em 2013, mas só saiu do papel em 2018. Dois anos depois, as obras foram interrompidas pela pandemia, que manteve o país de fronteiras fechadas por quase quatro anos. Somente em 2023 a construção foi retomada.
A abertura coincide com o estreitamento de laços entre Coreia do Norte e Rússia em diversas áreas, inclusive no turismo.
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Antes da pandemia, o país recebia cerca de cinco mil visitantes ocidentais por ano, número reduzido após restrições impostas, como a proibição da entrada de norte-americanos desde 2017.
Agora, com o resort Wonsan Kalma, o regime tenta atrair novos turistas, mas as regras continuam rígidas: apenas grupos autorizados pelo governo podem visitar o complexo.