A cidade de São Joaquim, em SC, quase toda coberta de neve em 1957 / Imagem realista ilustrativa/IA
Continua depois da publicidade
Enquanto os Estados Unidos enfrentam nesta semana uma das nevascas mais severas da década, com temperaturas que beiram os -30°C, o fenômeno traz à tona a diferença abissal de como a neve impacta as duas nações. A tempestade atual, que já deixou mais de 500 mil norte-americanos sem energia e cancelou 17 mil voos apenas nesta terça-feira, é um lembrete do poder destrutivo do inverno no Hemisfério Norte.
Para os brasileiros, acostumados a torcer por alguns flocos na Serra Catarinense, as imagens de carros soterrados em Nova York e Chicago parecem filme de ficção. Por aqui, a neve é evento turístico e motivo de celebração; lá fora, é questão de sobrevivência e calamidade pública.
Continua depois da publicidade
A explicação para essa disparidade está na geografia e na dinâmica atmosférica. A nevasca que paralisa os EUA hoje é fruto de um vórtice polar que desce do Ártico, congelando tudo o que toca com facilidade continental. Já no Brasil, a neve depende de uma combinação quase "milagrosa" para ocorrer: é preciso que uma massa de ar polar antártica muito forte encontre umidade suficiente exatamente sobre as serras do Sul.
Quando isso acontece, o resultado é histórico, mas raramente catastrófico. O Brasil não possui infraestrutura — como limpa-neves ou isolamento térmico residencial — justamente porque o fenômeno é esporádico e de baixa acumulação. Nos EUA, o colapso atual ocorre apesar de toda a preparação existente, provando a violência da tempestade de 2026.
Continua depois da publicidade
Se hoje os brasileiros assistem ao "apocalipse branco" pela TV, o país guarda na memória episódios onde a neve mudou a rotina nacional, ainda que em menor escala. O caso mais emblemático continua sendo a Nevada de 1975, quando Curitiba (PR) amanheceu branca. Naquele 17 de julho, a neve não foi apenas "caspa" (como apelidam os flocos fracos), mas acumulou o suficiente para criar bonecos e paralisar o trânsito da capital paranaense.
Outro marco foi 2013, quando mais de 140 cidades do Sul registraram o fenômeno, inclusive em altitudes baixas e locais pouco habituados, como a Grande Florianópolis. Mais recentemente, em 2021, uma onda de frio intensa trouxe a esperança de quebrar recordes, mas serviu principalmente para lotar hotéis em Gramado e São Joaquim.
Apesar da "inveja" que as imagens dos EUA podem causar nos amantes do frio, o Brasil tem seu próprio gigante histórico. O recorde oficial de acumulação em solo nacional pertence a 1957, em São Joaquim (SC), quando a neve atingiu impressionantes 1,30 metro de altura. Naquele ano, a cidade ficou isolada e suprimentos precisaram ser lançados por aviões da FAB — uma das poucas vezes em que o Brasil sentiu, na pele, um pouco do drama que os americanos vivem nesta semana.
Continua depois da publicidade