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Muito antes do gelo: Descoberta na Antártida revela o que 'se escondia' sob o continente

Pesquisadores teorizam que sedimentos ocultos encontrados na Antártida ocorreram há, na verdade, milhões de anos atrás

Maria Clara Pasqualeto

Publicado em 24/02/2026 às 14:15

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Essa descoberta abre uma janela para um passado natural da Antártica / Freepik

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Além de ser o continente mais frio do nosso planeta, a Antártida não é destaque apenas por sua imensidão de gelo e neve. Simultaneamente, o território abriga segredos que intrigam até mesmo cientistas e pesquisadores ao redor do mundo.

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Em uma frente científica, pesquisadores buscavam amostras de gelos com a maior antiguidade possível. No entanto, o evento se desdobrou para ainda mais mistérios: Durante a investigação, foram encontrados sedimentos ocultos sob camadas de gelo, apontando para processos geológicos possivelmente milenares.

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O objetivo principal constava na obtenção de registros climáticos em camadas de gelo, além de capsulas do tempo. A descoberta dos fragmentos, portanto, intrigou os responsáveis, principalmente sobre o passado - ainda tão pouco compreendido - da região. 

Com o achado, é possível investigar a moldura geológica e ecológica da região antártica há milhões de anos atrás, antes mesmo de se consolidar como o continente coberto pela cor branca, assim como hoje o conhecemos.

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A busca pela compreensão

A fim de entender o clima antártico em escalas antigas de tempo, equipes científicas têm perfurado camadas de gelo no território, procurando por núcleos que contenham algum registro de centenas de milhares, ou até mesmo milhões de anos atrás.

As marcas mais próximas alcançadas foram de aproximadamente 800.000 anos. Atualmente, as atividades estão sendo realizadas com o intuito de ultrapassar esse limite. Como resultado, a humanidade chegará mais perto de compreender fatores como ciclos glaciais, transições de clima e mudanças atmosféricas profundas.

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Utilizando de recursos tecnológicos, incluindo sondagem por radar e modelagem do fluxo do gelo, os pesquisadores envolvidos mapearam as regiões propensas no interior da Antártica Oriental, buscando por camadas de gelo espessas e adequadamente estáveis à preservação de camadas anciãs.

No entanto, a operação conta com diversos desafios, especialmente considerando os locais de altíssimas altitudes e frio severo. Deste modo, há dificuldades potenciais na extração, transportação e conservação das amostras de gelo adquiridas.

O mais intrigante em relação ao continente é que, em abril do ano passado, seu território começou a ganhar vegetações, intrigando pesquisadores de todo o mundo. O Diário fez uma matéria explicando sobre o ocorrido, que você pode acessar clicando aqui.

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Como a descoberta ocorreu?

As perfurações realizadas pela equipe visavam essencialmente o gelo. Entretanto, durante esse período, o time encontrou algo inesperado: alguns sedimentos anciãos, acumulados sob o gelo. As camadas formadas durante o deslocamento glacial transportaram partículas de sedimentos, as quais se depositaram em depressões na bacia central antártica.

Os fragmentos, portanto, revelaram que a base da camada de gelo representa interações glaciais e rochosas subjacentes, cenário no qual o gelo, ao mover-se, arrastou uma parte de sedimentos, acumulando-a em camadas que ficaram soterradas.

Logo, a descoberta desafia a suposição de que a superfície glacial consiste puramente em rochas ou gelo imaculado, mostrando que a unidade pode conter materiais históricos, ainda desconhecidos. 

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Equipe científica realiza perfuração profunda na Antártida em busca de núcleos de gelo milenar, que funcionam como verdadeiras "cápsulas do tempo" climáticas. Unsplash/Derek Oyen
Equipe científica realiza perfuração profunda na Antártida em busca de núcleos de gelo milenar, que funcionam como verdadeiras "cápsulas do tempo" climáticas. Unsplash/Derek Oyen
Regiões da Antártica Oriental foram mapeadas com radar e modelagem do fluxo de gelo para identificar áreas com camadas mais antigas e estáveis. Unsplash/henrique setim
Regiões da Antártica Oriental foram mapeadas com radar e modelagem do fluxo de gelo para identificar áreas com camadas mais antigas e estáveis. Unsplash/henrique setim
Fragmentos de sedimentos acumulados sob a camada glacial revelam interações antigas entre gelo e rocha, desafiando a ideia de uma base composta apenas por gelo imaculado. Unsplash/Vendi Saputra
Fragmentos de sedimentos acumulados sob a camada glacial revelam interações antigas entre gelo e rocha, desafiando a ideia de uma base composta apenas por gelo imaculado. Unsplash/Vendi Saputra
Camadas soterradas indicam que o deslocamento do gelo arrastou partículas ao longo de milhares de anos, registrando transformações geológicas profundas. Unsplash/Torsten Dederichs
Camadas soterradas indicam que o deslocamento do gelo arrastou partículas ao longo de milhares de anos, registrando transformações geológicas profundas. Unsplash/Torsten Dederichs
Muito além da imagem de território estático e inóspito, a Antártida guarda evidências de um passado climático e geológico mais dinâmico do que se imaginava. Unsplash/Hal Cooks
Muito além da imagem de território estático e inóspito, a Antártida guarda evidências de um passado climático e geológico mais dinâmico do que se imaginava. Unsplash/Hal Cooks

Implicações ao passado climático e geológico

Cientistas teorizam que esses fragmentos implicam na transformação geológica na Antártida, momento em que seu solo esteve em contato com transporte de sedimentos, movimentação de gelo, descongelamento local e até mesmo reaprimoramentos de camada.

Por conseguinte, isso representa um nível de complexidade nunca visto antes, mas que deve ser levado em conta nos processos de interpretação dos registros glaciais e do comportamento futuro do gelo antártico.

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Do mesmo modo, a presença dos sedimentos sugere que, muito antes da atual configuração glacial, possam ter existidos condições em que o gelo era menos estático, com seu deslocamento associado a topografia subglacial complexa. Em outras palavras, significa que os registros de gelo devem ser interpretados com cautela, pois é necessário verificar antecipadamente se as camadas permaneceram intactas ou se sofreram deformações.

O que isso revela?

A descoberta amplia a visão humana sobre o continente, principalmente quando assumimos que sua região é gelada, inóspita e sempre estática. Pelo contrário, o local apresentava interações mais complexas entre gelo, sedimento, rocha e ambiente, ainda persistindo sob a camada glacial atual.

O achado confirma teorias de funcionamento do subsolo como uma "capsula" de processos muito antigos, possivelmente formados desde antes da consolidação da capa glacial permanente.

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Em relação a estudos futuros, tanto climáticos quanto geológicos, isso significa que a Antártida deve ser associada não apenas como um "grande reservatório de gelo", mas também como um arquipélago de camadas, movimentos e registros acumulados. Os registros ainda podem contribuir ao desenvolvimento de suposições sobre o avanço ou o recuo do gelo antártico, além de teorias sobre mudanças climáticas futuras.

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