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'Mounjaro de pobre' funciona? O perigo oculto na mistura de psyllium, chia e linhaça

A mistura que promete emagrecer: descubra como ela age no corpo e a forma correta e segura de se consumir, evitando problemas mais sérios

Jeferson Marques

Publicado em 27/02/2026 às 16:49

Atualizado em 27/02/2026 às 16:56

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A mistura das sementes pode ser benéfica, todavia, também bastante perigosa / Imagem ilustrativa/IA

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Você já deve ter cruzado com essa receita rolando o feed das redes sociais: um copo com psyllium, chia e linhaça que promete derreter gordura num passe de mágica.

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A internet apelidou a mistura de "Mounjaro de pobre" ou "Ozempic natural". Mas será que um punhado de sementes realmente tem o mesmo poder de uma caneta injetável de última geração?

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A ciência e os médicos são categóricos: a comparação é enganosa. Porém, isso não significa que a receita não tenha o seu valor.

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O truque do "gel" no estômago

O grande superpoder desse trio é a altíssima concentração de fibras solúveis. Quando essas sementes entram em contato com a água, elas incham e formam uma espécie de gel espesso.

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Esse gel ocupa um espaço físico considerável no trato gastrointestinal e faz com que o estômago demore muito mais para esvaziar. O resultado prático é que você se sente saciado por horas, o que ajuda a evitar os beliscos ao longo do dia.

Mecânica x Hormônios

A principal crítica dos endocrinologistas à febre da internet é a falsa equivalência criada pelos influenciadores.

Remédios como o Mounjaro agem de forma química e hormonal. Eles imitam substâncias que vão direto aos receptores do cérebro para desligar o mecanismo da fome e alterar o funcionamento do metabolismo.

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O mix de fibras, por outro lado, tem uma ação puramente mecânica. Ele apenas "engana" o estômago pelo volume. Ajuda no processo de emagrecimento? Sim, mas atua como um apoio. Sem déficit calórico e exercícios, as sementes sozinhas não farão o ponteiro da balança despencar.

O perigo do "tijolo" intestinal

Nutricionistas e gastroenterologistas fazem um alerta urgente que os vídeos curtos costumam omitir: se você consumir essas fibras sem beber muita água, o feitiço vira contra o feiticeiro.

Sem hidratação adequada (pelo menos 2 a 3 litros por dia), aquele gel benéfico resseca e se transforma em uma argamassa dentro de você. Isso causa constipação severa, dores abdominais agudas, muitos gases e, em casos extremos, até obstrução intestinal.

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As fontes por trás da ciência

Para desmistificar essa trend, os dados desta matéria foram baseados em posicionamentos da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) sobre o uso off-label e natural de emagrecedores, diretrizes de consumo de fibras da Organização Mundial da Saúde (OMS), e revisões clínicas sobre o impacto do psyllium e da chia na saciedade e no trânsito intestinal, publicados em periódicos de referência internacional como o American Journal of Clinical Nutrition e o Journal of the American College of Nutrition.

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