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Moda entre estudantes, especialista alerta possíveis consequências da escrita digital ao aprendizado

Segundo psicóloga, a escrita à mão envolve o processo de pensamento, o que desenvolve melhor a capacidade de aprendizado de uma pessoa

Maria Clara Pasqualeto

Publicado em 16/03/2026 às 14:30

Atualizado em 16/03/2026 às 15:53

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A escrita manual pode favorecer o aprendizado ao estimular o processamento das informações e a formação da memória, segundo especialista / Unsplash/Towfiqu barbhuiya

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Estudar enquanto realiza anotações no celular virou uma "moda" entre os estudantes brasileiros. Com o aumento contínuo dos recursos tecnológicos, é comum utilizar essas ferramentas para contribuir com atividades acadêmicas. No entanto, esse fator, muitas vezes, pode acabar prejudicando o desenvolvimento do aprendizado.

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Segundo a psicóloga Anastacia Barbosa, escrever à mão é mais do que simplesmente fazer anotações; é um processo no qual o cérebro associa e processa informações.

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"A escrita manual tem algo muito interessante: ela envolve o corpo no processo de pensamento. Quando escrevemos à mão, precisamos desacelerar, selecionar o que é essencial e transformar aquilo que ouvimos em algo que faz sentido para nós. Esse pequeno intervalo entre escutar e escrever cria um espaço de elaboração. E é justamente nessa elaboração que a memória se forma. Não é apenas registrar informação, é se apropriar dela".

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Tirar foto da lousa

Além da escrita digital, outro hábito comum entre os estudantes consiste em fotografar a lousa com o conteúdo das aulas. Contudo, a especialista explica que o ato pode ser ineficiente para os estudos. Isso ocorre porque as informações não foram completamente processadas pelo cérebro.

"Fotografar ou digitar muitas vezes cria uma sensação de que o conteúdo já foi assimilado, quando na verdade ele apenas foi armazenado. É como se a tecnologia guardasse a informação no lugar do sujeito. Já quando escrevemos à mão, existe um gesto de escolha: o que é importante? como eu entendi isso? Esse pequeno trabalho psíquico faz muita diferença. Aprender exige participação ativa, não apenas registro.".

Notificações e estímulos constantes das redes sociais podem interromper a concentração e prejudicar o estudo aprofundado. Unsplash/Kelly Sikkema
Notificações e estímulos constantes das redes sociais podem interromper a concentração e prejudicar o estudo aprofundado. Unsplash/Kelly Sikkema
Fotografar o conteúdo da lousa pode gerar a sensação de aprendizado sem que as informações tenham sido realmente processadas pelo cérebro. Unsplash/Yen Vu
Fotografar o conteúdo da lousa pode gerar a sensação de aprendizado sem que as informações tenham sido realmente processadas pelo cérebro. Unsplash/Yen Vu
O uso de dispositivos digitais para anotações se tornou comum entre estudantes, mas especialistas alertam que a prática pode reduzir a assimilação do conteúdo. Unsplash/Yen Vu
O uso de dispositivos digitais para anotações se tornou comum entre estudantes, mas especialistas alertam que a prática pode reduzir a assimilação do conteúdo. Unsplash/Yen Vu
A escrita manual pode favorecer o aprendizado ao estimular o processamento das informações e a formação da memória, segundo especialista. Unsplash/Towfiqu barbhuiya
A escrita manual pode favorecer o aprendizado ao estimular o processamento das informações e a formação da memória, segundo especialista. Unsplash/Towfiqu barbhuiya

Redes sociais atrapalham os estudos

As redes sociais são muito populares, principalmente entre os jovens, gerando entretenimento rápido; todavia, Anastacia ressalta que esses recursos podem atrapalhar os estudos em muitas ocasiões, impedindo que o cérebro processe a informação de modo apropriado.

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"Vivemos hoje numa lógica de estímulos constantes. O cérebro é convocado o tempo todo por novidades, alertas e recompensas rápidas. O problema é que o pensamento profundo não acontece nesse ritmo. Pensar exige continuidade, silêncio e certa tolerância ao tédio. Cada notificação interrompe esse fluxo e obriga o cérebro a recomeçar. Quando isso acontece repetidamente, o estudo fica fragmentado e a capacidade de mergulhar em um tema diminui".

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