Estudar enquanto realiza anotações no celular virou uma “moda” entre os estudantes brasileiros. Com o aumento contínuo dos recursos tecnológicos, é comum utilizar essas ferramentas para contribuir com atividades acadêmicas. No entanto, esse fator, muitas vezes, pode acabar prejudicando o desenvolvimento do aprendizado.
Segundo a psicóloga Anastacia Barbosa, escrever à mão é mais do que simplesmente fazer anotações; é um processo no qual o cérebro associa e processa informações.
“A escrita manual tem algo muito interessante: ela envolve o corpo no processo de pensamento. Quando escrevemos à mão, precisamos desacelerar, selecionar o que é essencial e transformar aquilo que ouvimos em algo que faz sentido para nós. Esse pequeno intervalo entre escutar e escrever cria um espaço de elaboração. E é justamente nessa elaboração que a memória se forma. Não é apenas registrar informação, é se apropriar dela”.
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Tirar foto da lousa
Além da escrita digital, outro hábito comum entre os estudantes consiste em fotografar a lousa com o conteúdo das aulas. Contudo, a especialista explica que o ato pode ser ineficiente para os estudos. Isso ocorre porque as informações não foram completamente processadas pelo cérebro.
“Fotografar ou digitar muitas vezes cria uma sensação de que o conteúdo já foi assimilado, quando na verdade ele apenas foi armazenado. É como se a tecnologia guardasse a informação no lugar do sujeito. Já quando escrevemos à mão, existe um gesto de escolha: o que é importante? como eu entendi isso? Esse pequeno trabalho psíquico faz muita diferença. Aprender exige participação ativa, não apenas registro.”.
Redes sociais atrapalham os estudos
As redes sociais são muito populares, principalmente entre os jovens, gerando entretenimento rápido; todavia, Anastacia ressalta que esses recursos podem atrapalhar os estudos em muitas ocasiões, impedindo que o cérebro processe a informação de modo apropriado.
“Vivemos hoje numa lógica de estímulos constantes. O cérebro é convocado o tempo todo por novidades, alertas e recompensas rápidas. O problema é que o pensamento profundo não acontece nesse ritmo. Pensar exige continuidade, silêncio e certa tolerância ao tédio. Cada notificação interrompe esse fluxo e obriga o cérebro a recomeçar. Quando isso acontece repetidamente, o estudo fica fragmentado e a capacidade de mergulhar em um tema diminui”.
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