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Segundo o biólogo Pedro Trasmonte, adaptação das aves, oferta de alimento e perda de habitat explicam a presença crescente das maritacas nas cidades
As maritacas são aves oportunistas e tendem a buscar locais onde há comida fácil. / Pedro Henrique Fonseca/DL
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Cada vez mais presentes em áreas urbanas como Santos, as maritacas têm chamado a atenção de moradores pelo barulho intenso e pela frequência com que aparecem em janelas e varandas. Segundo o biólogo, gestor ambiental e educador Pedro Trasmonte, o fenômeno é resultado direto da adaptação das aves e das mudanças no ambiente natural.
De acordo com o especialista, a perda e fragmentação de áreas como Mata Atlântica, manguezais e restingas têm aproximado a fauna silvestre das cidades. Ao mesmo tempo, a oferta constante de alimento na arborização urbana, com árvores como ingá e jerivá, favorece a permanência dessas aves nos centros urbanos.
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As maritacas são aves oportunistas e tendem a buscar locais onde há comida fácil. Por isso, aparecem com frequência em ruas arborizadas, quintais e até apartamentos. Como vivem no topo das árvores, a presença em janelas e varandas é comum.
O comportamento também varia ao longo do ano. Durante a primavera e o verão, período reprodutivo da maioria das espécies, elas ficam mais agitadas e barulhentas.
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“São animais que vivem em bandos e se comunicam muito, por isso a vocalização intensa é uma característica natural”, explica.
Nao alimentem as maritas. Pedro Henrique Fonseca/DLUm dos principais alertas do especialista é sobre o hábito de alimentar maritacas, prática comum entre moradores. Segundo ele, isso não é recomendado e pode trazer riscos à saúde das aves.
“Muitos alimentos humanos são inadequados e podem até ser fatais. Além disso, oferecer comida interfere no comportamento natural”, afirma.
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Entre os itens mais prejudiciais está a semente de girassol, bastante oferecida, mas rica em gordura. O consumo frequente pode causar obesidade e problemas no fígado dos animais.
Pedro reforça uma orientação importante: quem gosta de aves deve investir na arborização. “Plantar árvores que produzem alimento é a melhor forma de atrair esses animais de maneira saudável”, destaca.
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Maritacas estão cade vez aparecendo mais nas cidades. Pedro Henrique Fonseca/DLEmbora o risco seja considerado baixo, as maritacas podem transmitir doenças como psitacose, salmonela e infecções causadas por fungos, principalmente por meio de fezes secas.
A recomendação é evitar contato direto e sempre higienizar superfícies com luvas, água e desinfetante. “Nunca se deve tocar em fezes de aves com as mãos desprotegidas”, orienta.
Para quem enfrenta problemas com sujeira ou barulho, a principal medida é não oferecer alimento. A instalação de telas em janelas e varandas também ajuda a evitar o acesso das aves.
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Sobre o barulho, o biólogo faz um alerta: ele faz parte do comportamento natural. “O ser humano urbano precisa entender que não está separado do meio ambiente”, diz.
Caso uma maritaca seja encontrada machucada, a orientação é não tocá-la diretamente. Se possível, o animal deve ser colocado em uma caixa ventilada e mantido em local tranquilo, longe de animais domésticos.
Em seguida, o indicado é acionar a Polícia Ambiental, responsável por esse tipo de ocorrência.
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