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Manifestantes culpam a esquerda pelo raio em Brasília e citam projeto HAARP como 'prova'

Vídeos de presentes no encontro citando a 'manipulação' dessas antenas para causar a tempestade no último domingo começaram a circular

Jeferson Marques

Publicado em 26/01/2026 às 14:33

Atualizado em 26/01/2026 às 14:33

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Antenas do projeto HAARP são citadas por manifestantes como causadoras do raio em Brasília / Reprodução/Internet

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Vídeos que circulam nas redes sociais desde o último domingo tentam atribuir a forte tempestade que atingiu Brasília – e a descarga elétrica que feriu dezenas de manifestantes – a uma suposta manipulação tecnológica por parte da esquerda. A teoria aponta as antenas do projeto HAARP como a "arma" utilizada. No entanto, segundo a comunidade científica global e físicos atmosféricos, essa alegação é fisicamente impossível.

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Vídeos de manifestantes bolsonaristas dizendo que a esquerda teria se infiltrado no projeto americano para direcionar tempestades e raios ao Planalto Central começaram a circular nas redes socias e já estão sendo compartilhados, também, por políticos da própria esquerda, como Duda Salabert, em tom de ironia.

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O que é o HAARP

A sigla significa High Frequency Active Auroral Research Program (Programa de Investigação de Aurora Ativa de Alta Frequência). Longe de ser uma arma secreta, trata-se de um observatório científico localizado em Gakona, no Alasca (EUA), operado pela Universidade do Alasca Fairbanks desde 2015.

O projeto consiste em um campo com 180 antenas de alta frequência. O objetivo é enviar ondas de rádio para estudar a ionosfera, uma camada da atmosfera situada entre 60 km e 1000 km de altitude, essencial para a transmissão de sinais de GPS e rádio. O local é aberto à visitação pública anual e seus dados são acadêmicos.

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Barreira física

A principal prova de que o HAARP não controla o clima é a física básica da atmosfera. O equipamento atua na ionosfera (na borda do espaço). Já o clima que vivemos – chuva, vento, nuvens e raios – acontece na troposfera, a camada mais baixa que vai do chão até cerca de 15 km de altura.

Shutterstock

Cientistas explicam que as ondas de rádio do HAARP não têm efeito na troposfera. Além disso, a energia emitida pelas antenas é ínfima comparada à força da natureza. Um único raio de uma tempestade comum carrega mais energia do que o sistema do Alasca é capaz de produzir. Tentar criar uma tempestade com o HAARP seria como tentar ferver uma piscina olímpica usando uma lanterna de bolso.

O raio em Brasília

O evento em Brasília foi causado pela termodinâmica, não por política. A capital enfrenta dias de calor intenso combinados com alta umidade. Essa é a "receita" clássica para a formação de nuvens Cumulonimbus, que podem chegar a 12 km de altura e são naturalmente carregadas de eletricidade estática.

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Não existe tecnologia capaz de direcionar uma descarga elétrica atmosférica (raio) do Alasca para o Planalto Central, muito menos com a precisão de atingir um local exato. Raios são caóticos e buscam o caminho de menor resistência para o solo, independentemente de quem esteja embaixo.

Desinformação recorrente

Não é a primeira vez que o HAARP é usado como bode expiatório. A mesma teoria falsa já foi usada para tentar explicar o terremoto na Turquia em 2023 e furacões nos EUA. Especialistas em desinformação alertam que essas narrativas surgem para tentar dar explicações conspiratórias a eventos naturais inevitáveis, gerando medo e engajamento político através de mentiras.

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