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Ilha fantasma: conheça a cidade navio no Japão que foi abandonada da noite para o dia

Conhecida como a ilha navio, Hashima foi um dos locais mais povoados do mundo e hoje é um patrimônio histórico deteriorado pelo tempo e pelo mar

Luna Almeida

Publicado em 17/03/2026 às 22:47

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Devido ao espaço extremamente limitado, Hashima tornou-se um laboratório de arquitetura urbana compacta / Divulgação

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A poucos quilômetros da costa de Nagasaki, no Japão, uma silhueta de concreto emerge do oceano lembrando a forma de um navio de guerra. O local, apelidado de Gunkanjima, é a ilha de Hashima, uma antiga cidade industrial erguida sobre uma mina de carvão submarina. 

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No auge de sua atividade, o pequeno território de apenas 6,3 hectares chegou a abrigar mais de 5 mil moradores, tornando-se uma das áreas com maior densidade populacional já registradas no planeta.

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Por quase um século, o local simbolizou a força da industrialização japonesa, com operários descendo centenas de metros abaixo do leito oceânico para extrair o mineral que movia o país.

No entanto, com a mudança da matriz energética para o petróleo na década de 1970, a mina perdeu a viabilidade econômica. 

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Em 1974, a cidade foi evacuada praticamente da noite para o dia, deixando para trás edifícios, escolas e hospitais que hoje formam um cenário pós-apocalíptico congelado no tempo.

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A origem do centro de mineração submarina

A trajetória de Hashima começou no final do século XIX, motivada pela descoberta de depósitos de carvão sob o fundo do mar. Em 1890, a empresa Mitsubishi comprou a ilha e iniciou um projeto de engenharia audacioso para a época. 

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Túneis profundos foram escavados sob o oceano para alcançar o recurso estratégico, enquanto a superfície rochosa era transformada em uma base logística e residencial para sustentar a operação ininterrupta.

A construção de uma cidade vertical isolada

A trajetória de Hashima começou no final do século XIXA trajetória de Hashima começou no final do século XIX / Reprodução/Mar sem fim

Devido ao espaço extremamente limitado, Hashima tornou-se um laboratório de arquitetura urbana compacta. A solução foi o crescimento vertical, com a construção de grandes prédios de concreto armado para abrigar as famílias dos mineiros. 

Mesmo isolada e cercada por muros de contenção contra as ondas do Mar da China Oriental, a ilha funcionava como uma cidade completa, contando com escolas, hospital, cinema, lojas e restaurantes. 

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Sem áreas livres no solo, até os telhados dos edifícios eram aproveitados como espaços de lazer para as crianças.

O declínio do carvão e o esvaziamento total

A prosperidade da ilha começou a ruir na década de 1960, quando o petróleo passou a substituir o carvão nas indústrias globais. Com o fechamento definitivo da mina anunciado em 1974, a evacuação foi imediata. 

Os moradores partiram levando apenas o essencial, transformando os corredores antes movimentados em um silêncio absoluto. 

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Desde então, a maresia e o vento deterioraram as estruturas, criando janelas vazias e escadarias quebradas que hoje atraem a curiosidade de exploradores e fotógrafos de todo o mundo.

Redescoberta turística e o título de patrimônio mundial

Após décadas de acesso proibido por segurança, parte de Hashima foi aberta para visitação controlada em 2009. Passarelas permitem que turistas observem as ruínas de uma distância segura, enquanto guias narram a rotina exaustiva dos mineiros. 

Em 2015, a UNESCO incluiu a ilha na lista de Patrimônio Mundial, reconhecendo sua importância histórica no processo de Revolução Industrial do Japão. 

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Hoje, o local permanece como um testemunho silencioso de como mudanças econômicas e tecnológicas podem erguer ou apagar cidades inteiras.

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