IA decifra papiros de 2.000 anos carbonizados pelo Vesúvio, e cientistas oferecem prêmio de US$ 1 milhão para quem ler o próximo

Pesquisadores usaram IA e imagens de alta resolução para ler textos romanos destruídos pela erupção de 79 d.C. sem danificar os frágeis pergaminhos

Inteligência artificial decifra papiros carbonizados pelo Vesúvio com digitalização de alta resolução e algoritmos avançados

Inteligência artificial decifra papiros carbonizados pelo Vesúvio com digitalização de alta resolução e algoritmos avançados - Imagem gerada por IA / Diário do Litoral

Cientistas anunciaram a primeira leitura completa de um papiro de Herculano que estava carbonizado e ilegível desde a erupção do Vesúvio no ano 79 d.C. Usando inteligência artificial e técnicas avançadas de imagem, a equipe conseguiu “desenrolar virtualmente” um dos pergaminhos e revelou 70 colunas de texto do filósofo epicuriano Filodemo. Além disso, os organizadores prometem US$ 1 milhão a quem conseguir decifrar completamente o próximo rolo da coleção.

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Como a IA conseguiu ler o que o fogo destruiu

Os papiros de Herculano foram soterrados e carbonizados pela erupção do Vesúvio há quase dois milênios. Por séculos, qualquer tentativa de desenrolá-los significava destruí-los, pois os frágeis pergaminhos se desfaziam ao menor toque.

A solução veio com a tecnologia. Os pesquisadores utilizaram escaneamentos de alta resolução combinados com algoritmos avançados de inteligência artificial capazes de detectar a tinta escondida nas camadas de papiro. Essa técnica, chamada de “desenrolamento virtual”, permite acessar o texto sem comprometer a integridade dos artefatos.

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Segundo Brent Seales, professor de ciência da computação na Universidade de Kentucky e cofundador do projeto Vesuvius Challenge, o avanço era inimaginável há apenas um ano. “Hoje demonstramos que isso é possível. Acredito que conseguiremos ler cada rolo da coleção”, afirmou durante uma conferência online em Nápoles.

O resultado foi a descoberta de quase 1,5 metro de texto legível de um documento datado entre 300 e 200 a.C., o papiro mais antigo já decifrado até hoje, que aborda temas como ética e artes. Além disso, os pesquisadores conseguiram ler recentemente um rolo inteiro em apenas 24 horas, obtendo cerca de 140 novas colunas de texto.

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O desafio de US$ 1 milhão para decifrar o próximo papiro

A iniciativa Vesuvius Challenge, que apoia o uso de tecnologias inovadoras para estudar esses textos antigos, anunciou que vai publicar online todos os dados, códigos e modelos digitais dos papiros. O objetivo é acelerar ainda mais as descobertas.

Os organizadores prometem US$ 1 milhão para a primeira pessoa ou equipe que conseguir decifrar por completo um outro rolo da coleção. Até agora, já foram distribuídos US$ 1,8 milhão em prêmios por contribuições ao projeto.

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Nat Friedman, diretor americano da indústria de tecnologia e patrocinador principal da iniciativa, fez um apelo direto a especialistas em inteligência artificial e computação. “Acreditamos que é possível melhorar significativamente os algoritmos que temos disponíveis. As técnicas de detecção de tinta podem ser aperfeiçoadas consideravelmente”, afirmou.

Cerca de 45 papiros já foram escaneados até o momento. No entanto, mais de 600 permanecem fechados, e partes da vila onde foram encontrados sequer foram escavadas ainda.

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O que essa descoberta significa para a história antiga

Para a papirologia, o avanço representa uma mudança de paradigma. Federica Nicolardi, principal especialista em papirologia do projeto, explicou que antes era necessário danificar os rolos para abri-los fisicamente. “Com o desenrolamento virtual, não precisamos mais escolher entre conservar e ler esses artefatos extraordinários. Podemos fazer as duas coisas”, disse.

Ela ressaltou o ritmo acelerado das descobertas: “Literalmente, diante do Vesúvio, algo mudou na noite passada. Ou melhor, tudo mudou.”

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A tecnologia abre caminho para uma compreensão muito mais ampla da história, da cultura e do pensamento antigos, trazendo à luz tesouros literários que estavam perdidos há quase dois milênios. Cada novo papiro decifrado pode revelar textos filosóficos, literários e históricos que nem sequer sabíamos que existiam.