Mansa Musa, imperador do Mali no século 14, tornou-se símbolo da maior fortuna já registrada, capaz de impactar economias inteiras durante sua lendária peregrinação a Meca / Bibliothèque nationale de France
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Quando se fala em riqueza extrema, nomes como Elon Musk, Jeff Bezos ou antigos monarcas europeus costumam dominar o imaginário popular.
No entanto, a figura que muitos historiadores apontam como a pessoa mais rica de todos os tempos viveu séculos antes do capitalismo moderno e fora do eixo Europa–Estados Unidos.
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Trata-se de Mansa Musa, governante africano cuja fortuna em ouro foi tão vasta que chegou a alterar a economia de cidades inteiras.
Mansa Musa, também conhecido como Musa I, governou o Império do Mali entre 1312 e 1337, período em que o Estado alcançou seu auge político, econômico e cultural. Localizado na África Ocidental, o Mali controlava regiões estratégicas das rotas transaarianas, responsáveis por conectar o Sahel ao Norte da África e ao Mediterrâneo.
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Essas rotas transportavam mercadorias altamente valiosas, especialmente ouro e sal. O metal precioso extraído nas terras do Mali era um dos principais pilares da economia do mundo medieval, e o controle desse fluxo comercial garantiu ao império uma influência internacional rara para a época.
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Musa nasceu por volta de 1280, na dinastia Keita, que já governava um território em expansão desde o século 13, após a consolidação iniciada por Sundiata Keita. Mesmo com o colapso do antigo Reino de Gana, no século 11, o comércio do ouro não apenas continuou como se intensificou, cenário que favoreceu a ascensão do Mali como potência regional.
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A chegada de Mansa Musa ao poder ocorreu após o desaparecimento de seu antecessor, Abu Bakr II, que teria deixado o trono para liderar uma expedição pelo Oceano Atlântico. Uma vez no comando, Musa demonstrou notável habilidade administrativa.
Ele governou um território vasto e multiétnico por meio de um sistema descentralizado, nomeando governadores responsáveis pela arrecadação de tributos, segurança e gestão local. Ao mesmo tempo, reforçou o controle das rotas comerciais e garantiu a proteção das caravanas, assegurando estabilidade econômica e política ao império.
Foi em 1324 que o nome de Mansa Musa ganhou projeção global. Como muçulmano, ele realizou o hajj, a peregrinação obrigatória a Meca, transformando a jornada em uma demonstração sem precedentes de riqueza e poder.
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Sua caravana reuniu milhares de pessoas, entre soldados, servos e estudiosos, além de centenas de camelos carregados de ouro. Ao atravessar cidades do Norte da África, a comitiva causou espanto.
No Cairo, então capital do sultanato mameluco, a quantidade de ouro distribuída por Musa foi tão grande que provocou a desvalorização do metal e um período de inflação que, segundo registros históricos, durou anos.
O episódio, descrito por cronistas como Al-Maqrizi, é frequentemente citado como prova concreta da dimensão de sua fortuna, não apenas simbólica, mas capaz de interferir diretamente na economia regional.
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Após retornar da peregrinação, Mansa Musa investiu parte de sua riqueza em infraestrutura, educação e cultura. Cidades como Tombuctu tornaram-se grandes centros intelectuais do mundo islâmico, com mesquitas, escolas e bibliotecas que abrigavam milhares de manuscritos.
O governante trouxe arquitetos e estudiosos de outras regiões, estimulando um florescimento cultural que fez do Mali uma referência em conhecimento e erudição durante o século 14.
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Mansa Musa morreu em 1337. Seus sucessores não conseguiram manter o mesmo nível de estabilidade, e o império entrou em declínio ao longo das décadas seguintes.
Ainda assim, sua história permanece como um lembrete poderoso: a África medieval foi protagonista de uma das maiores histórias de riqueza, poder e produção intelectual já registradas, um legado que desafia visões eurocêntricas e estereótipos persistentes sobre o passado do continente.