Diário Mais

Com fortuna maior que Musk e Bezos juntos, conheça o homem mais rico da história

Muito antes das big techs, um imperador africano controlava o ouro que sustentava o mundo medieval

Júlia Morgado

Publicado em 06/01/2026 às 08:33

Compartilhe:

Compartilhe no WhatsApp Compartilhe no Facebook Compartilhe no Twitter Compartilhe por E-mail

Mansa Musa, imperador do Mali no século 14, tornou-se símbolo da maior fortuna já registrada, capaz de impactar economias inteiras durante sua lendária peregrinação a Meca / Bibliothèque nationale de France

Continua depois da publicidade

Quando se fala em riqueza extrema, nomes como Elon Musk, Jeff Bezos ou antigos monarcas europeus costumam dominar o imaginário popular.

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

No entanto, a figura que muitos historiadores apontam como a pessoa mais rica de todos os tempos viveu séculos antes do capitalismo moderno e fora do eixo Europa–Estados Unidos.

Continua depois da publicidade

Leia Também

• 'Navio Fantasma do Pacífico' que virou uma lenda intacta no fundo do mar da Califórnia

• Santos abre museus e bondinho às segundas-feiras para o Verão; veja detalhes

• Rua de cidade do litoral homenageia primeiro campeão da São Silvestre

Trata-se de Mansa Musa, governante africano cuja fortuna em ouro foi tão vasta que chegou a alterar a economia de cidades inteiras.

Um império moldado pelo comércio

Mansa Musa, também conhecido como Musa I, governou o Império do Mali entre 1312 e 1337, período em que o Estado alcançou seu auge político, econômico e cultural. Localizado na África Ocidental, o Mali controlava regiões estratégicas das rotas transaarianas, responsáveis por conectar o Sahel ao Norte da África e ao Mediterrâneo.

Continua depois da publicidade

Essas rotas transportavam mercadorias altamente valiosas, especialmente ouro e sal. O metal precioso extraído nas terras do Mali era um dos principais pilares da economia do mundo medieval, e o controle desse fluxo comercial garantiu ao império uma influência internacional rara para a época.

Mapa do Império do Mali  A extensão territorial do Mali no século 14 revela o controle das rotas transaarianas e das principais regiões produtoras de ouro, base da riqueza que sustentou o reinado de Mansa Musa/ Gabriel Moss/Wikimedia Commons
Mapa do Império do Mali A extensão territorial do Mali no século 14 revela o controle das rotas transaarianas e das principais regiões produtoras de ouro, base da riqueza que sustentou o reinado de Mansa Musa/ Gabriel Moss/Wikimedia Commons
Ilustração histórica mostra o imperador do Mali segurando uma pepita de ouro, símbolo de como sua fortuna impressionou cartógrafos e cronistas da Europa medieval/ Domínio Público
Ilustração histórica mostra o imperador do Mali segurando uma pepita de ouro, símbolo de como sua fortuna impressionou cartógrafos e cronistas da Europa medieval/ Domínio Público
Cena retrata a lendária caravana liderada por Mansa Musa em 1324, cuja distribuição de ouro causou impacto econômico e inflação em cidades como o Cairo/ HistoryNmoor/Wikimedia Commons
Cena retrata a lendária caravana liderada por Mansa Musa em 1324, cuja distribuição de ouro causou impacto econômico e inflação em cidades como o Cairo/ HistoryNmoor/Wikimedia Commons

Veja também: o primeiro ingresso de cinema online da história foi comprado por uma vencedora do Oscar.

Musa nasceu por volta de 1280, na dinastia Keita, que já governava um território em expansão desde o século 13, após a consolidação iniciada por Sundiata Keita. Mesmo com o colapso do antigo Reino de Gana, no século 11, o comércio do ouro não apenas continuou como se intensificou, cenário que favoreceu a ascensão do Mali como potência regional.

Continua depois da publicidade

Ascensão ao trono e administração

A chegada de Mansa Musa ao poder ocorreu após o desaparecimento de seu antecessor, Abu Bakr II, que teria deixado o trono para liderar uma expedição pelo Oceano Atlântico. Uma vez no comando, Musa demonstrou notável habilidade administrativa.

Ele governou um território vasto e multiétnico por meio de um sistema descentralizado, nomeando governadores responsáveis pela arrecadação de tributos, segurança e gestão local. Ao mesmo tempo, reforçou o controle das rotas comerciais e garantiu a proteção das caravanas, assegurando estabilidade econômica e política ao império.

A peregrinação que chocou o mundo

Foi em 1324 que o nome de Mansa Musa ganhou projeção global. Como muçulmano, ele realizou o hajj, a peregrinação obrigatória a Meca, transformando a jornada em uma demonstração sem precedentes de riqueza e poder.

Continua depois da publicidade

Sua caravana reuniu milhares de pessoas, entre soldados, servos e estudiosos, além de centenas de camelos carregados de ouro. Ao atravessar cidades do Norte da África, a comitiva causou espanto.

No Cairo, então capital do sultanato mameluco, a quantidade de ouro distribuída por Musa foi tão grande que provocou a desvalorização do metal e um período de inflação que, segundo registros históricos, durou anos.

O episódio, descrito por cronistas como Al-Maqrizi, é frequentemente citado como prova concreta da dimensão de sua fortuna, não apenas simbólica, mas capaz de interferir diretamente na economia regional.

Continua depois da publicidade

Dica de leitura: Wikipédia faz 25 anos e resiste ao avanço do ChatGPT com curadoria 100% humana.

Conhecimento, cultura e legado

Após retornar da peregrinação, Mansa Musa investiu parte de sua riqueza em infraestrutura, educação e cultura. Cidades como Tombuctu tornaram-se grandes centros intelectuais do mundo islâmico, com mesquitas, escolas e bibliotecas que abrigavam milhares de manuscritos.

O governante trouxe arquitetos e estudiosos de outras regiões, estimulando um florescimento cultural que fez do Mali uma referência em conhecimento e erudição durante o século 14.

Continua depois da publicidade

Mansa Musa morreu em 1337. Seus sucessores não conseguiram manter o mesmo nível de estabilidade, e o império entrou em declínio ao longo das décadas seguintes.

Ainda assim, sua história permanece como um lembrete poderoso: a África medieval foi protagonista de uma das maiores histórias de riqueza, poder e produção intelectual já registradas, um legado que desafia visões eurocêntricas e estereótipos persistentes sobre o passado do continente.

Mais Sugestões

Conteúdos Recomendados

©2026 Diário do Litoral. Todos os Direitos Reservados.

Software