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Homem compra ilha deserta, planta 16 mil árvores e recusa fortuna bilionária

Como um britânico transformou ilha degradada em santuário que protege espécies ameaçadas para sempre

Agência Diário

Publicado em 07/01/2026 às 15:04

Atualizado em 22/01/2026 às 11:09

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Homem que dedicou vida inteira cria paraíso ecológico ao recusar milhões por preservação / Reprodução/Youtube

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Um britânico dedicou integralmente sua existência a restaurar um território natural degradado, replantando floresta inteira e criando ecossistema seguro onde espécies ameaçadas prosperam livremente, recusando ofertas bilionárias para preservar a integridade de seu legado ambiental.

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Brendon Grimshaw adquiriu a Île Moyenne nas Seicheles em 1962 e trabalhou solitariamente, apoiado apenas pelo amigo René Antoine Lafortune, construindo ao longo de décadas um dos exemplos mais notáveis de preservação ambiental bem-sucedida do planeta.

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A trajetória mostra como respeito genuíno à vida selvagem e determinação pessoal conseguem reverter degradação ambiental. O trabalho realizado transformou um espaço vazio em modelo universal que inspira movimentos de conservação em todo o mundo há gerações.

Localizada no arquipélago de Seychelles, Moyenne Island é conhecida por sua rica biodiversidade, trilhas naturais e pela história de preservação ambiental que transformou a pequena ilha em um santuário ecológico aberto à visitação / Hansueli Krapf/Wikimedia Commons
Localizada no arquipélago de Seychelles, Moyenne Island é conhecida por sua rica biodiversidade, trilhas naturais e pela história de preservação ambiental que transformou a pequena ilha em um santuário ecológico aberto à visitação / Hansueli Krapf/Wikimedia Commons
Vista panorâmica de Mahé Island, a maior ilha de Seychelles, famosa por suas praias de águas cristalinas, relevo montanhoso e por concentrar a capital do país, Victoria, além de grande parte da vida cultural e econômica do arquipélago / Camera Eye/Wikimedia Commons
Vista panorâmica de Mahé Island, a maior ilha de Seychelles, famosa por suas praias de águas cristalinas, relevo montanhoso e por concentrar a capital do país, Victoria, além de grande parte da vida cultural e econômica do arquipélago / Camera Eye/Wikimedia Commons
Moyenne Island, no arquipélago de Seychelles, é um pequeno paraíso ecológico conhecido pela preservação ambiental, fauna diversa e trilhas naturais que atraem visitantes interessados em turismo sustentável / Camera Eye/Wikimedia Commons
Moyenne Island, no arquipélago de Seychelles, é um pequeno paraíso ecológico conhecido pela preservação ambiental, fauna diversa e trilhas naturais que atraem visitantes interessados em turismo sustentável / Camera Eye/Wikimedia Commons
Vista da porção sudoeste de Moyenne Island, em Seychelles, destaca a vegetação preservada, o mar de tons azul-turquesa e o perfil natural que transformou a ilha em referência de conservação ambiental / Jean-Francis Martin/Wikimedia Commons
Vista da porção sudoeste de Moyenne Island, em Seychelles, destaca a vegetação preservada, o mar de tons azul-turquesa e o perfil natural que transformou a ilha em referência de conservação ambiental / Jean-Francis Martin/Wikimedia Commons
Painel informativo em Moyenne Island, em Seychelles, apresenta aos visitantes dados históricos / Xjschx/Wikimedia Commons
Painel informativo em Moyenne Island, em Seychelles, apresenta aos visitantes dados históricos / Xjschx/Wikimedia Commons

Solos degradados e silêncio animal marcavam a ilha no início

Quando Grimshaw chegou à Île Moyenne em 1962, deparou-se com desolação. Os solos estavam erodidos pela falta de cobertura vegetal, a fauna havia desaparecido, as áreas de proteção não existiam.

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O arquipélago das Seicheles possuía dezenas de ilhas mais atrativas e com potencial econômico visível. Ninguém havia reconhecido possibilidade de restaurar um território aparentemente condenado à deterioração permanente.

Grimshaw reconheceu o desafio e abraçou-o pessoalmente. Juntamente com René Antoine Lafortune, iniciou jornada de restauração que exigiria dedicação integral durante toda sua vida.

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Manualmente abriram trilhas, identificaram espécies vegetais apropriadas e planejaram estratégia ecológica que transformaria progressivamente cada aspecto da ilha.

Floresta ressurge através de plantio estratégico e persistente

A restauração florestal não era processo aleatório. Grimshaw estudou sistematicamente quais espécies funcionariam como fundação do novo ecossistema. Mogno foi escolhido pela resistência estrutural.

Palmeiras foram selecionadas pela capacidade de criar abrigo e oferecer alimento. Cada uma das dezesseis mil árvores plantadas cumpria função ecológica específica na recomposição.

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O impacto acumulativo foi progressivo e extraordinário. Conforme a cobertura florestal adensava, os solos recuperavam nutrientes, a humidade atmosférica normalizava-se e as condições para retorno de fauna selvagem estabeleciam-se organicamente. A floresta regenerada tornou-se estrutura de suporte para toda transformação subsequente.

Animais em extinção encontram habitat restaurado e seguro

A reintrodução de fauna na Île Moyenne seguiu princípio revolucionário: liberdade total. Grimshaw trabalhou para que tartarugas-gigantes das Seicheles, espécie criticamente ameaçada, pudessem habitar a ilha.

Pássaros retornaram conforme as árvores amadureciam. Insetos proliferaram criando cadeia alimentar completa que sustentava ecossistema vertebrado.

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Nenhum animal estava aprisionado, cercado ou controlado. O santuário funcionava como território livre onde fauna selvagem reencontrava autonomia completa.

A abordagem derrotou modelos convencionais de zoológicos ao demonstrar que proteção autêntica exigia apenas restauração do habitat e ausência de predação humana.

Ofertas estratosféricas não alteraram prioridades do preservacionista

À medida que a Île Moyenne ganhava reconhecimento internacional como projeto bem-sucedido de conservação, investidores imobiliários apareciam continuamente com propostas de compra em cifras extraordinárias.

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Os valores oferecidos poderiam transformar qualquer proprietário em pessoa bilionária, financiando vidas de luxo incomparável. A tentação financeira era estratosférica e constante.

Grimshaw permaneceu inabalável em sua recusa. A venda significaria destruição certa do que havia construído laboriosamente. Ecossistemas restaurados seriam substituídos por concreto.

Fauna selvagem seria eliminada ou realocada. O santuário seguro se converteria em complexo turístico exploratório. Nenhuma quantidade de dinheiro compensava essa perda irrevogável.

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Continuidade garantida para trabalho que atravessará séculos

Grimshaw permaneceu na Île Moyenne até falecer em 2012, completando sessenta anos de dedicação integral. Sua existência tornou-se inseparável do projeto de conservação, criando símbolo vivo de compromisso genuíno com responsabilidade ambiental. O território que havia encontrado degradado transformara-se em ecossistema vibrante funcionando autonomamente.

Após sua morte, a incorporação oficial da Île Moyenne ao Parque Nacional Marinho das Seicheles perpetuou o legado através de proteção legal. O governo assumiu responsabilidade de manter a visão de Grimshaw, garantindo que futuras gerações não pudessem monetizar ou comprometer o refúgio. A transição para gestão institucional criou continuidade que superaria qualquer vida individual.

A experiência da Île Moyenne oferece lição profunda sobre conservação verdadeira. Demonstra que dedicação pessoal genuína, recusa de ganhos materiais e respeito sincero à vida conseguem transformar territórios degradados em refúgios permanentes para fauna e flora ameaçadas.

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O legado deixado por Grimshaw permanece como validação definitiva de que ações individuais motivadas por valores autênticos alteram paisagens de forma irreversível, criando impactos que perduram indefinidamente através dos séculos.

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