Projeto dos anos 90 mostrou que uma banda virtual podia fazer sucesso muito antes da IA

Muito antes da febre dos robôs criadores de música, os personagens 2-D e Murdoc nasceram de uma alfinetada genial na programação da antiga MTV

Ilustração estilizada inspirada na identidade visual da banda virtual Gorillaz, imersa em uma temática psicodélica com fortes referências à cultura indiana.

Ilustração estilizada inspirada na identidade visual da banda virtual Gorillaz, imersa em uma temática psicodélica com fortes referências à cultura indiana.

Se a inteligência artificial já consegue criar músicas completas com personagens fictícios, saiba que isso não é uma novidade na música. Criado há mais de duas décadas, o projeto Gorillaz já brincava com essa ideia, sendo uma banda formada totalmente por personagens que existem apenas na ficção.

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Como o Gorillaz surgiu

Criado no final dos anos 90, pelo músico Damon Albarn, também cantor da banda Blur, e pelo ilustrador Jamie Hewlett, o projeto não apenas antecipou discussões que cercam conceitos como o metaverso e realidades virtuais. Mas, também, estabeleceu uma estética única e memorável.

Responsável por sucessos como “Feel Good Inc.“, “Clint Eastwood” e “On Melancholy Hill“, o grupo vendeu milhões de discos. Assim, se tornando um dos projetos musicais mais influentes do século XXI.

Segundo os próprios criadores da banda, em uma entrevista ao The Roland Articles, o Gorillaz surgiu como uma afiada crítica à “falta de sentido” da MTV na época.

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A proposta inicial era inverter a lógica padrão da indústria, criando personagens virtuais que entregavam músicas autênticas e de alta qualidade. Assim quebrando a impressão de artificialidade gerada pela programação do canal.

Personagens que saem dos padrões

Dessa forma, os personagens 2-D, Murdoc, Noodle e Russel foram criados e transformados em um escudo criativo. O “anonimato” gerado pela identidade escondida da banda permitiu a desvinculação da arte da imagem desgastada do músico carne e osso, algo raro na época.

Assim, essa singularidade existe até hoje, enquanto artistas humanos sofrem com polêmicas e ferramentas de IA gerando conteúdos plásticos em série, os integrantes desenhados do Gorillaz permanecem intactos como seres totalmente mutáveis, podendo se adaptar de forma visual e sonora em qualquer geração.

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Além disso, mais de duas décadas após sua criação, o projeto continua se reinventando. O álbum “The Mountain” mostra justamente como os personagens do Gorillaz conseguem atravessar gerações sem envelhecer, mudando de visual, temática e linguagem conforme o contexto cultural.

Uma banda virtual que atravessa todos os gêneros

A identidade da banda nunca foi apenas ser uma banda de rock ou hip hop. Na prática, eles são como um laboratório criativo.

Com uma lista de colaboradores que incluem artistas como Snoop Dogg e MC Bin Laden, é provado que o projeto funciona como um hub cultural. Dessa forma, o Gorillaz usa seus personagens como seres que habitam qualquer gênero.

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Novo projeto reforça a identidade visual do Gorillaz

Nesse novo projeto, a banda abraça uma temática não vista antes em seus projetos anteriores: a dinâmica da vida com a morte.

Nesse contexto, a banda, também como forma de marketing para seu novo projeto, realizou e publicou na internet um curta metragem. Nele, é apresentado 3 das 15 faixas do álbum.

O curta “The Mountain, The Moon Cave and The Sad God“, dirigido pelo próprio Jamie Hewlett, em parceria com o estúdio de animação independente “The Line“. Nele, é feita uma homenagem aos clássicos filmes animados da década de 60.

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Shows com “hologramas” são a marca registrada da banda

Além disso, muito antes de realidade virtual ser algo cogitado por grandes empresas, a banda já oferecia experiências marcantes em seus shows.

A mistura de hologramas, animações de ponta feitas a mão e música ao vivo criaram um padrão que hoje é seguido até por produções multimilionárias.

Dessa forma, eles entenderam que o fã contemporâneo não busca apenas ouvir a música. Ele quer habitar o universo, transformando o consumo em um evento completo.

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O contraste real da essência humana

Olhar para o Gorillaz nos dias de hoje é perceber que a maior banda virtual do mundo se tornou o que é porque, em sua essência, é a mais humana em todas as críticas apresentadas em suas experimentações.

Em um mundo repleto de conteúdos rasos muitas vezes gerados por inteligências artificiais, o luxo de ser um desenho animado feito a mão é dizer o que define o sucesso absoluto.