Diário Mais

Hipocalemia: Entenda os perigos da queda de potássio e como o uso de diuréticos afeta seu coração

O distúrbio eletrolítico é frequentemente associado a fatores como o uso de diuréticos, vômitos e diarreia; dependendo da causa e da gravidade do quadro, o tratamento pode variar

Maria Clara Pasqualeto

Publicado em 18/03/2026 às 16:00

Compartilhe:

Compartilhe no WhatsApp Compartilhe no Facebook Compartilhe no Twitter Compartilhe por E-mail

A hipocalemia consiste em uma alteração clínica pela baixa concentração de potássio no sangue, reforçando a importância do elemento / Unsplash/Akram Huseyn

Continua depois da publicidade

Também conhecida como hipopotassemia, a hipocalemia é uma alteração clínica caracterizada pela baixa concentração de potássio no sangue. Este mineral é essencial para o funcionamento adequado de músculos, nervos e do coração. Portanto, quando seus níveis diminuem significativamente, sintomas como fadiga, cãibras e alterações cardíacas potencialmente graves podem surgir.

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

Segundo parâmetros clínicos utilizados em laboratórios e descritos por entidades médicas como a Sociedade Brasileira de Nefrologia e pela Organização Mundial da Saúde, a concentração normal de potássio no sangue costuma variar entre 3,5 e 5,0 mmol/L. Os valores inferiores a 3,5 mmol/L caracterizam a condição mencionada.

Continua depois da publicidade

Leia Também

• Doença bacteriana já foi atribuída a demônios e possessões antes dos avanços da ciência

• Mpox: Santos já registrou mais de 100 casos da doença nos últimos quatro anos

• Entenda a ELA: doença rara que vitimou Eric Dane provoca paralisia progressiva e não tem cura

Nos casos em que a concentração cai para níveis muito baixos - geralmente abaixo de 2,5 mmol/L - o quadro pode representar risco imediato à vida, exigindo atendimento médico urgente devido ao risco de arritmias cardíacas e falhas musculares.

A queda severa de potássio (hipocalemia) pode comprometer o ritmo elétrico do coração, exigindo monitoramento médico. Reprodução/Gemini

Principais causas

A hipocalemia geralmente ocorre quando o organismo perde potássio em excesso, ou quando há alterações hormonais e metabólicas que interferem no equilíbrio do mineral.

Continua depois da publicidade

Conforme a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, uma das causas mais frequentes é o uso de medicamentos diuréticos, utilizados para tratar hipertensão arterial e retenção de líquidos. Esses remédios podem aumentar a eliminação de água e sais pela urina, bem como o potássio.

Há outras condições também podem levar à queda do mineral no organismo, como:

  • Episódios prolongados de vômitos ou diarreia;
  • Consumo excessivo de laxantes ou álcool;
  • Transpiração intensa;
  • Doenças hormonais, como o Hiperaldosteronismo;
  • Distúrbios metabólicos como a Cetoacidose Diabética;
  • Algumas oenças genéticas raras, como a Síndrome de Bartter e a Síndrome de Liddle;
  • Deficiência de magnésio;
  • Transtornos alimentares, como Anorexia Nervosa e Bulimia.

Embora seja possível, há especialistas que apontam dietas pobres em potássio como causa da hipocalemia, considerando a presença do elemento em diversos alimentos comuns. 

Continua depois da publicidade

Sintomas variados

Em alguns casos, pequenas reduções no nível de potássio não provocam sintomas evidentes. No entanto, quando a queda é mais acentuada, o organismo pode apresentar diversos sinais. Os sintomas mais comuns abrangem:

  • Cãibras e dores musculares;
  • Contrações musculares involuntárias;
  • Fraqueza generalizada;
  • Fadiga;
  • Constipação intestinal.

Nas circunstâncias mais graves, a enfermidade pode causar paralisia muscular - inclusive dos músculos respiratórios -, além de alterações no ritmo cardíaco, podendo resultar em complicações sérias.

Tratamento depende da causa

O tratamento da hipocalemia varia conforme a origem do problema, bem como a intensidade da queda do potássio. Nos quadros leves, médicos geralmente indicam suplementação oral de potássio. Outras possibilidades consistem nos ajustes da alimentação e na revisão de medicamentos, que possam estar causando a perda do mineral.

Continua depois da publicidade

Todavia, em cenários graves (especialmente quando os níveis ficam próximos ou abaixo de 2,0 mEq/L), o potássio pode ser administrado por via intravenosa. É recomendado que esse procedimento seja realizado em ambiente hospitalar, para normalizar os níveis mais rapidamente.

Especialistas de diversas áreas podem participar do diagnóstico e acompanhamento da condição; dentre eles, estão clínicos gerais, cardiologistas, nefrologistas e endocrinologistas, dependendo da causa do distúrbio.

Prevenção e cuidados: Como manter os níveis de potássio em dia

1. Diuréticos: o equilíbrio entre controlar a pressão e manter o potássio

Muitos dos medicamentos utilizados para tratar a hipertensão arterial e a insuficiência cardíaca são os chamados diuréticos. No entanto, nem todos agem da mesma forma. Enquanto os diuréticos de alça e os tiazídicos (muito comuns em postos de saúde) forçam o corpo a expelir potássio pela urina, existem os "diuréticos poupadores de potássio", que ajudam a conservar o mineral. 

Continua depois da publicidade

Por isso, para quem faz uso contínuo dessas medicações, o monitoramento periódico através de exames de sangue é fundamental para ajustar a dosagem e evitar que o controle da pressão acabe sobrecarregando o ritmo do coração.

Alimentos como abacate, batata-doce e água de coco são aliados poderosos e naturais para manter os níveis de potássio em equilíbrio. Reprodução/Gemini

2. Além da banana: os campeões de potássio na dieta

Embora a banana seja a referência popular, ela não está sozinha no pódio. Para manter os níveis em dia, o ideal é diversificar o prato com alimentos que possuem densidade nutricional ainda maior. 

O abacate, por exemplo, oferece quase o dobro de potássio em comparação à banana em porções equivalentes. Outros aliados poderosos são a água de coco, a batata-doce, o feijão preto, o espinafre e a beterraba. Incluir esses itens na rotina é a forma mais segura e natural de prevenir quedas leves no mineral.

Continua depois da publicidade

Pacientes que utilizam diuréticos para pressão alta devem realizar exames periódicos para monitorar as taxas do mineral. Reprodução/Gemini

3. O perigo da suplementação por conta própria

Um erro comum é acreditar que, por ser um mineral, o potássio pode ser suplementado livremente. No entanto, o equilíbrio é delicado: o excesso de potássio no sangue (hipercalemia) é tão perigoso quanto a sua falta, podendo levar a paradas cardíacas súbitas. 

A suplementação via comprimidos ou xaropes só deve ser iniciada com prescrição médica e após a confirmação laboratorial da deficiência. "Mais" nem sempre é melhor; o objetivo deve ser sempre o equilíbrio dentro da faixa de normalidade.

4. Entenda como o potássio faz seu coração bater

Para entender a gravidade da hipocalemia, imagine o potássio como o combustível da rede elétrica do seu corpo. Ele é o principal responsável por permitir que as células musculares e nervosas gerem eletricidade. 

Continua depois da publicidade

No coração, esse mineral regula a "bomba de sódio-potássio", que controla a contração e o relaxamento do músculo cardíaco. Quando os níveis estão baixos, essa comunicação elétrica falha, o que explica por que o sintoma mais temido da condição são as arritmias — quando o coração perde o ritmo correto e compromete a circulação sanguínea.

*O texto contém informações dos portais Hospital São Matheus, Sociedade Brasileira de Nefrologia,  Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, National Library of Medicine (NLM) e OMS

Conteúdos Recomendados

©2026 Diário do Litoral. Todos os Direitos Reservados.

Software