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O distúrbio eletrolÃtico é frequentemente associado a fatores como o uso de diuréticos, vômitos e diarreia; dependendo da causa e da gravidade do quadro, o tratamento pode variar
A hipocalemia consiste em uma alteração clÃnica pela baixa concentração de potássio no sangue, reforçando a importância do elemento / Unsplash/Akram Huseyn
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Também conhecida como hipopotassemia, a hipocalemia é uma alteração clÃnica caracterizada pela baixa concentração de potássio no sangue. Este mineral é essencial para o funcionamento adequado de músculos, nervos e do coração. Portanto, quando seus nÃveis diminuem significativamente, sintomas como fadiga, cãibras e alterações cardÃacas potencialmente graves podem surgir.
Segundo parâmetros clÃnicos utilizados em laboratórios e descritos por entidades médicas como a Sociedade Brasileira de Nefrologia e pela Organização Mundial da Saúde, a concentração normal de potássio no sangue costuma variar entre 3,5 e 5,0 mmol/L. Os valores inferiores a 3,5 mmol/L caracterizam a condição mencionada.
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Nos casos em que a concentração cai para nÃveis muito baixos - geralmente abaixo de 2,5 mmol/L - o quadro pode representar risco imediato à vida, exigindo atendimento médico urgente devido ao risco de arritmias cardÃacas e falhas musculares.
A queda severa de potássio (hipocalemia) pode comprometer o ritmo elétrico do coração, exigindo monitoramento médico. Reprodução/GeminiA hipocalemia geralmente ocorre quando o organismo perde potássio em excesso, ou quando há alterações hormonais e metabólicas que interferem no equilÃbrio do mineral.
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Conforme a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, uma das causas mais frequentes é o uso de medicamentos diuréticos, utilizados para tratar hipertensão arterial e retenção de lÃquidos. Esses remédios podem aumentar a eliminação de água e sais pela urina, bem como o potássio.
Há outras condições também podem levar à queda do mineral no organismo, como:
Embora seja possÃvel, há especialistas que apontam dietas pobres em potássio como causa da hipocalemia, considerando a presença do elemento em diversos alimentos comuns.Â
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Em alguns casos, pequenas reduções no nÃvel de potássio não provocam sintomas evidentes. No entanto, quando a queda é mais acentuada, o organismo pode apresentar diversos sinais. Os sintomas mais comuns abrangem:
Nas circunstâncias mais graves, a enfermidade pode causar paralisia muscular - inclusive dos músculos respiratórios -, além de alterações no ritmo cardÃaco, podendo resultar em complicações sérias.
O tratamento da hipocalemia varia conforme a origem do problema, bem como a intensidade da queda do potássio. Nos quadros leves, médicos geralmente indicam suplementação oral de potássio. Outras possibilidades consistem nos ajustes da alimentação e na revisão de medicamentos, que possam estar causando a perda do mineral.
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Todavia, em cenários graves (especialmente quando os nÃveis ficam próximos ou abaixo de 2,0 mEq/L), o potássio pode ser administrado por via intravenosa. É recomendado que esse procedimento seja realizado em ambiente hospitalar, para normalizar os nÃveis mais rapidamente.
Especialistas de diversas áreas podem participar do diagnóstico e acompanhamento da condição; dentre eles, estão clÃnicos gerais, cardiologistas, nefrologistas e endocrinologistas, dependendo da causa do distúrbio.
Muitos dos medicamentos utilizados para tratar a hipertensão arterial e a insuficiência cardÃaca são os chamados diuréticos. No entanto, nem todos agem da mesma forma. Enquanto os diuréticos de alça e os tiazÃdicos (muito comuns em postos de saúde) forçam o corpo a expelir potássio pela urina, existem os "diuréticos poupadores de potássio", que ajudam a conservar o mineral.Â
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Por isso, para quem faz uso contÃnuo dessas medicações, o monitoramento periódico através de exames de sangue é fundamental para ajustar a dosagem e evitar que o controle da pressão acabe sobrecarregando o ritmo do coração.
Alimentos como abacate, batata-doce e água de coco são aliados poderosos e naturais para manter os nÃveis de potássio em equilÃbrio. Reprodução/GeminiEmbora a banana seja a referência popular, ela não está sozinha no pódio. Para manter os nÃveis em dia, o ideal é diversificar o prato com alimentos que possuem densidade nutricional ainda maior.Â
O abacate, por exemplo, oferece quase o dobro de potássio em comparação à banana em porções equivalentes. Outros aliados poderosos são a água de coco, a batata-doce, o feijão preto, o espinafre e a beterraba. Incluir esses itens na rotina é a forma mais segura e natural de prevenir quedas leves no mineral.
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Pacientes que utilizam diuréticos para pressão alta devem realizar exames periódicos para monitorar as taxas do mineral. Reprodução/GeminiUm erro comum é acreditar que, por ser um mineral, o potássio pode ser suplementado livremente. No entanto, o equilÃbrio é delicado: o excesso de potássio no sangue (hipercalemia) é tão perigoso quanto a sua falta, podendo levar a paradas cardÃacas súbitas.Â
A suplementação via comprimidos ou xaropes só deve ser iniciada com prescrição médica e após a confirmação laboratorial da deficiência. "Mais" nem sempre é melhor; o objetivo deve ser sempre o equilÃbrio dentro da faixa de normalidade.
Para entender a gravidade da hipocalemia, imagine o potássio como o combustÃvel da rede elétrica do seu corpo. Ele é o principal responsável por permitir que as células musculares e nervosas gerem eletricidade.Â
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No coração, esse mineral regula a "bomba de sódio-potássio", que controla a contração e o relaxamento do músculo cardÃaco. Quando os nÃveis estão baixos, essa comunicação elétrica falha, o que explica por que o sintoma mais temido da condição são as arritmias — quando o coração perde o ritmo correto e compromete a circulação sanguÃnea.
*O texto contém informações dos portais Hospital São Matheus, Sociedade Brasileira de Nefrologia, Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, National Library of Medicine (NLM) e OMS