O empate sem gols entre Cabo Verde e Espanha entrou para a história da Copa do Mundo de 2026. Grande responsável pelo resultado, o goleiro Vozinha protagonizou uma atuação decisiva diante de uma das seleções favoritas ao título e ajudou a colocar o pequeno país africano no centro das atenções do futebol mundial.
Mas além do desempenho dentro de campo, Cabo Verde também chama atenção por algumas curiosidades pouco conhecidas fora do arquipélago. Uma delas está diretamente ligada a um dos maiores desafios enfrentados pelo país: a escassez de água potável.

Um país cercado pelo oceano e com pouca água doce
Localizado no Oceano Atlântico, a cerca de 500 quilômetros da costa do Senegal, Cabo Verde é formado por dez ilhas de origem vulcânica. Com poucos rios permanentes e longos períodos de seca, o país precisou encontrar alternativas para garantir o abastecimento da população.
A principal solução encontrada foi a dessalinização da água do mar. Atualmente, grande parte da água consumida no arquipélago passa por esse processo, que remove o sal e a torna adequada para o consumo humano.
A cerveja feita com água do mar
A tecnologia é tão importante para o país que vai além das torneiras. Uma das bebidas mais populares de Cabo Verde, a Strela, também é produzida utilizando água dessalinizada.
Lançada em 2006, a marca se tornou um símbolo nacional e está entre as bebidas mais consumidas pelos cabo-verdianos. O nome significa “estrela” no crioulo cabo-verdiano e foi escolhido para representar uma cerveja produzida integralmente no país.
O sabor continua o mesmo
Apesar da origem incomum da água utilizada na fabricação, a cerveja não possui gosto salgado. O processo de dessalinização remove os minerais responsáveis pela salinidade, permitindo que a bebida mantenha características semelhantes às cervejas produzidas em outras partes do mundo.
A curiosidade costuma surpreender turistas e torcedores que conhecem o país durante a Copa do Mundo.
O preço da água em Cabo Verde
A dependência da dessalinização também tem consequências econômicas. Como o processo exige infraestrutura especializada e grande consumo de energia, a água está entre as mais caras da África.
Mesmo assim, a tecnologia se tornou fundamental para garantir o abastecimento da população e o funcionamento de atividades econômicas em todo o arquipélago.
