Uma operação de limpeza realizada no lado argentino das Cataratas do Iguaçu revelou uma descoberta inesperada sob as águas do rio Iguaçu. Funcionários ligados à preservação ambiental retiraram mais de 400 quilos de moedas acumuladas no leito do rio ao longo dos anos em abril de 2026.
A ação aconteceu após uma queda histórica na vazão da água, que expôs áreas normalmente submersas nas cataratas. Com o nível do rio muito abaixo da média, equipes do parque conseguiram acessar pontos onde resíduos estavam escondidos havia bastante tempo.
Além das moedas, os trabalhadores encontraram garrafas plásticas, tampas, baterias e lixo eletrônico espalhados entre as pedras. O caso voltou a chamar atenção para os impactos ambientais causados por hábitos turísticos considerados aparentemente inofensivos.
Ritual turístico preocupa ambientalistas
Jogar moedas em rios, fontes e lagos turísticos é um costume antigo em diferentes partes do mundo. Muitas pessoas acreditam que o gesto traz sorte, realiza desejos ou garante uma futura volta ao destino visitado.
Nas Cataratas do Iguaçu, porém, a prática é proibida pelas autoridades ambientais. Ainda assim, milhares de turistas continuam repetindo o ritual todos os anos, principalmente em áreas de grande circulação de visitantes.
Com o passar do tempo, as moedas ficam submersas e começam a sofrer corrosão por causa da água e da umidade. Esse desgaste libera partículas metálicas que podem alterar a qualidade da água e afetar espécies que vivem na região.
O que apareceu no fundo do rio
A operação de limpeza ocorreu em abril e fez parte das atividades regulares de manutenção e preservação do parque nacional argentino. A vazão do rio caiu para cerca de 500 mil litros por segundo, muito abaixo da média habitual, de cerca de 1,5 milhão l/s.
Essa redução permitiu que equipes alcançassem áreas normalmente inacessíveis. Segundo funcionários envolvidos no trabalho, a quantidade de resíduos surpreendeu até mesmo profissionais acostumados com ações de limpeza ambiental.
Entre os objetos retirados estavam moedas antigas, garrafas plásticas, pedaços de embalagens, tampas e aparelhos eletrônicos descartados irregularmente pelos visitantes ao longo dos anos.
Moedas podem afetar animais aquáticos
Especialistas alertam que metais presentes nas moedas podem enferrujar e contaminar a água gradualmente. Além disso, pequenos objetos metálicos e plásticos podem ser confundidos com alimento por peixes e outras espécies aquáticas.
Um dos trabalhadores envolvidos na limpeza comentou os impactos provocados pela prática. “Infelizmente, as pessoas vêm aqui e, em vez de apreciar a paisagem, acabam acreditando que, se jogarem uma moeda e fizerem um pedido, ele se realizará”, disse ao jornal argentino La Voz.
Ele acrescentou: “Isso causa um impacto ambiental bastante sério, porque as moedas podem enferrujar, contaminar a água e algum animal pode ingeri-las pensando que são comida.”
Para onde vão as moedas retiradas?
Depois da operação, as moedas passaram por um processo de separação e análise para definir se parte do material poderá ser reaproveitada. No entanto, muitas peças já apresentam sinais avançados de corrosão.
Segundo o ICMBio, a maioria das moedas será inutilizada por seu estado de corrosão, mas o valor que sobrar será destinado ao apoio de ações ambientais desenvolvidas pelo parque.
O episódio também reforçou a necessidade de campanhas de conscientização ambiental dentro do parque. Autoridades locais afirmam que pequenas atitudes individuais podem gerar impactos significativos quando repetidas por milhares de pessoas ao longo do tempo.
Em uma paisagem conhecida mundialmente pela força das águas e pela biodiversidade, a descoberta serviu como alerta sobre como hábitos comuns do turismo moderno podem deixar marcas silenciosas na natureza.







