Tecnologia nem sempre é segurança: o debate que levou à proibição de maçanetas retráteis / Freepik
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A China avança para proibir maçanetas eletricamente retráteis em carros novos, em uma mudança que redefine prioridades de segurança. A partir de 2027, todos os veículos abrangidos pela norma deverão contar com dispositivos que funcionem sem depender de energia elétrica.
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A decisão encerra um período de testes, críticas e casos problemáticos envolvendo esse tipo de solução. Ao exigir redundância mecânica, o país busca eliminar um ponto de falha que se mostrou relevante em acidentes com veículos modernos.
As maçanetas retráteis operam com pequenos motores que fazem a peça sair da carroceria quando o usuário se aproxima ou aciona o comando. Visualmente, criam um aspecto mais limpo e alinhado às propostas de design minimalista.
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Essa combinação de estilo e promessa de melhoria aerodinâmica levou muitos fabricantes a adotar a tecnologia. Com o tempo, o recurso deixou de ser exclusividade de modelos de luxo e passou a aparecer em carros de diferentes segmentos.
O ponto frágil está na dependência de energia elétrica para o funcionamento. Em colisões que danificam a rede do veículo, as maçanetas deixam de se mover, o que impede a abertura normal da porta pelo lado de fora e até por quem está dentro.
Em emergências, socorristas muitas vezes não conseguem acionar o mecanismo de forma intuitiva. Isso obriga o uso de ferramentas para romper vidros ou partes da carroceria, desperdiçando tempo em momentos de alta pressão.
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Durante 2024, registros de problemas com maçanetas retráteis se tornaram mais frequentes. Motoristas relataram falhas em situações de colisão, dificuldades em climas frios e episódios em que as portas simplesmente não destravavam.
Casos envolvendo crianças com dedos presos e dificuldades de acesso em situações de emergência reforçaram a percepção de risco. Com base nessa experiência, autoridades aceleraram o processo para introduzir novas exigências de segurança.
Equipes de resgate enfatizam que o primeiro passo em muitos atendimentos é abrir a porta do veículo acidentado. Quando isso não é possível, o procedimento fica mais lento, complexo e arriscado para todos os envolvidos.
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Essa preocupação foi registrada pela ADAC ao afirmar: “Na resgate de passageiros de um veículo envolvido em acidente, é fundamental que profissionais de primeiros socorros consigam abrir o automóvel de forma rápida e simples. Ainda mais importante é quando o veículo está em chamas. Maçanetas retráteis podem tornar essa tarefa consideravelmente mais complicada e demorada”.
A medida impacta diretamente fabricantes globais que apostaram nessa solução, como BMW, Ford, Jaguar, Hyundai, Mercedes-Benz e Tesla. Montadoras chinesas, que adotaram amplamente o sistema em seus elétricos, também precisam rever portfólios.
Isso significa reavaliar projetos de portas, investimentos em componentes e cronogramas de novos modelos. Na prática, a decisão chinesa obriga a indústria a reequilibrar a balança entre design e segurança.
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Para não abandonar totalmente o visual mais limpo, algumas fabricantes desenvolvem maçanetas embutidas com acionamento mecânico de emergência. Em caso de falha elétrica, a peça pode ser operada manualmente por dentro e por fora.
Há ainda projetos em que a maçaneta se projeta automaticamente quando sensores detectam colisão ou queda de energia. Essas abordagens procuram preservar o estilo sem abrir mão da funcionalidade essencial em situações de risco.
Testes de colisão lateral mostram que portas com maçanetas eletrônicas têm menor taxa de abertura após impactos. Em avaliações recentes, a taxa de sucesso ficou em torno de 67% para esse tipo de sistema.
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Já os veículos com maçanetas mecânicas tradicionais alcançaram cerca de 98% de sucesso na mesma condição. A diferença expressiva ajuda a sustentar a decisão de banimento e reforça a prioridade dada à segurança de motoristas e passageiros.