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Gesto comum em velórios no Brasil, beijar o falecido é muito perigoso, dizem especialistas

O hábito esconde uma série de riscos que não são do conhecimento de todos, como a exposição a bactérias do pós-morte e ao próprio formol

Jeferson Marques

Publicado em 24/03/2026 às 18:31

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Cenário de um velório tradicional com todos de preto e flores no ambiente / Imagem ilustrativa gerada por IA

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O gesto é de puro carinho. Nunca mais você poderá ver ou tocar naquela pessoa tão querida na sua vida. Então, sem saber dos riscos, você acaba beijando a testa ou a bochecha dela durante o velório. E é aí que grandes males colocam a sua saúde em perigo.

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Entre produtos químicos potentes e a biologia natural do pós-morte, o "último adeus" físico exige cautela.

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O 'veneno' na pele

A maioria dos corpos preparados para cerimônias de despedida passa pela tanatopraxia. Esse processo utiliza fluidos conservantes à base de formaldeído (o popular formol).

O problema é que o formol não desaparece. Ele permanece na superfície da pele e é altamente irritante. Ao beijar a testa ou o rosto do falecido, seus lábios entram em contato direto com uma substância classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como cancerígena e corrosiva, podendo causar reações alérgicas e queimaduras químicas imediatas.

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A 'explosão' de bactérias

Assim que a vida cessa, o sistema imunológico para de trabalhar. Isso dá início à tanatomicrobiota — um fenômeno onde bactérias do próprio corpo (e outras externas) começam a se proliferar em uma velocidade impressionante.

Mesmo com a higienização feita pela funerária, micro-organismos e patógenos resistentes podem migrar para a superfície da pele. Em casos de doenças infecciosas não diagnosticadas, o contato direto com mucosas ou secreções imperceptíveis no rosto do falecido torna-se uma via de transmissão biológica perigosa.

O choque sensorial e o luto

Além da ciência biológica, existe o fator psicológico. O corpo humano, após a morte, perde sua temperatura e elasticidade natural (rigidez cadavérica).

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Muitas vezes, o toque labial nessa pele fria e endurecida gera uma memória sensorial traumática. Em vez de guardar a lembrança da pessoa amada com vida e calor, o cérebro registra a sensação de "objeto frio", o que pode dificultar o processo saudável de aceitação da perda.

Como se despedir com segurança?

Se a necessidade de contato for grande, especialistas sugerem:

  • Toque nas mãos: É uma área menos sensível e com menor exposição a fluidos do que o rosto.
  • Gestos simbólicos: Colocar uma flor, uma carta ou apenas manter a mão próxima sem pressionar a pele.
  • Higiene imediata: Se houver contato, lave a região com água e sabão o quanto antes.

Fontes científicas e normas técnicas pesquisadas:

ANVISA: Resolução RDC nº 33/2011 (Dispõe sobre o controle e fiscalização sanitária do traslado de restos mortais humanos).

IARC/OMS: Monografia sobre o Formaldeído (Classificação como carcinógeno do Grupo 1).

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Frontiers in Microbiology: Estudos sobre a sucessão da tanatomicrobiota no corpo humano.

FISPQ (Ficha de Segurança): Protocolos de segurança química para manuseio de fluidos de embalsamamento.

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