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Fruta comum nos quintais vira "ouro verde" e já custa até R$ 70 nas feiras

Escassez, entressafra e nova demanda da indústria ajudam a explicar a alta que transformou o antigo "excesso de quintal" em artigo valorizado nas feiras

Isabella Fernandes

Publicado em 02/03/2026 às 16:43

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A disparada reflete a combinação de oferta reduzida e demanda crescente. / Pixabay

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Quem passou por feiras livres da Bahia nas últimas semanas percebeu uma mudança incomum: a jaca, tradicional símbolo de fartura nos quintais e bancas do estado, praticamente desapareceu. E quando aparece, o preço assusta, até R$ 70 por unidade. O que antes era fruta abundante, muitas vezes doada entre vizinhos, agora pesa no bolso e virou motivo de reclamação entre consumidores e feirantes.

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A disparada reflete a combinação de oferta reduzida e demanda crescente. Em diversas feiras de Salvador e do interior, a fruta sumiu completamente das bancas ou é vendida em quantidade limitada, tratada como verdadeiro “ouro verde”.

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Comerciantes relatam dificuldade para garantir estoque e dizem que precisam percorrer propriedades rurais e negociar diretamente com produtores para conseguir algumas unidades.

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Alta chega a 366% em relação a safras anteriores

Segundo o site Agro em Campo,  o levantamentos feitos em feiras da capital e do interior indicam que a jaca grande inteira, que em períodos normais custava entre R$ 15 e R$ 20, agora chega a R$ 70, aumento de até 366%. A bandeja com gomos prontos para consumo também encareceu: de cerca de R$ 5 passou para valores entre R$ 15 e R$ 20.

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Até a chamada “jaca de quintal”, antes vendida por preços simbólicos ou distribuída gratuitamente, hoje rende entre R$ 30 e R$ 50 aos proprietários.

Entressafra e nova demanda explicam o cenário

Entre os fatores que pressionam os preços estão a entressafra e condições climáticas que reduziram a produtividade em algumas regiões produtoras da Bahia. Mas especialistas apontam outro elemento decisivo: o avanço da chamada “carne de jaca” na gastronomia e na indústria de alimentos vegetais.

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A fruta verde passou a ser utilizada como alternativa à proteína animal em restaurantes, lanchonetes e produtos congelados voltados ao público vegano e flexitariano. Com isso, parte da produção que antes amadurecia nos pés para consumo in natura agora é direcionada ainda verde para processadoras e cozinhas profissionais.

De excesso no quintal a complemento de renda

A valorização mudou a relação de pequenos proprietários com a jaqueira. Famílias que antes não viam na fruta uma fonte relevante de renda passaram a negociar cada unidade por valores considerados altos até pouco tempo atrás. O antigo “excesso de quintal” virou complemento de orçamento.

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