Diário Mais

Fronteira fabricada com concreto: Como as novas ilhas chinesas estão redesenhando o Pacífico

Veja como a China transformou recifes em bases permanentes e o que isso significa para o mundo

Agência Diário

Publicado em 03/02/2026 às 17:03

Compartilhe:

Compartilhe no WhatsApp Compartilhe no Facebook Compartilhe no Twitter Compartilhe por E-mail

A construção acelerada de ilhas no Mar do Sul da China ameaça corais e altera a geopolítica / Reprodução YT/BBC

Continua depois da publicidade

Uma transformação visual sem precedentes está ocorrendo nas águas asiáticas, redesenhando fronteiras que antes eram apenas líquidas e incertas. Em pouco mais de uma década, a China redesenhou o Mar do Sul da China ao "fabricar" terra sobre recifes.

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

Fotos capturadas por satélites revelam o surgimento de ilhas artificiais massivas que parecem brotar das profundezas do oceano de forma súbita. Essa expansão gera um efeito dominó que afeta a segurança regional e acelera a destruição de ecossistemas.

Continua depois da publicidade

Leia Também

• Ilha de Paquetá não tem carros e é a terra do novo reforço milionário do Flamengo

• Ilha das Cabras, linda e paradisíaca com 45 mil metros quadrados no Guarujá, está à venda

• Com 150 mil garrafas recicladas, homem cria ilha flutuante habitável no litoral do México

Ao observar as mudanças no "antes e depois" do Google Earth, notamos que recifes naturais viraram pistas de pouso e complexos industriais. A questão central agora é entender como essa nova realidade física altera o futuro do Indo-Pacífico e do ambiente.

Galeria: conheça algumas das ilhas fabricadas pela China

Recife de Subi, Ilhas Spratly, Mar do Sul da China, em maio de 2015, visto a partir do sudoeste / United States Navy/Wikimedia Commons
Recife de Subi, Ilhas Spratly, Mar do Sul da China, em maio de 2015, visto a partir do sudoeste / United States Navy/Wikimedia Commons
Vista aérea do Aeroporto Internacional de Dalian Jinzhouwan / Temptation115/Wikimedia Commons
Vista aérea do Aeroporto Internacional de Dalian Jinzhouwan / Temptation115/Wikimedia Commons
Ilha Artificial Nanhai Pearl, vista da Binhai Road, em Haikou, Hainan, China / Wikimedia Commons
Ilha Artificial Nanhai Pearl, vista da Binhai Road, em Haikou, Hainan, China / Wikimedia Commons
Ilha Artificial Nanhai Pearl, vista da Binhai Road, em Haikou, Hainan, China / Anna Frodesiak/Wikimedia Commons
Ilha Artificial Nanhai Pearl, vista da Binhai Road, em Haikou, Hainan, China / Anna Frodesiak/Wikimedia Commons
Ilha Artificial Nanhai Pearl, Hainan, China / Anna Frodesiak/Wikimedia Commons
Ilha Artificial Nanhai Pearl, Hainan, China / Anna Frodesiak/Wikimedia Commons
Outra ilha de formato incomum vem se formando em águas costeiras rasas próximas a Hainan, a província mais ao sul da China / NASA Earth Observatory images by Lauren Dauphin/Wikimedia Commons
Outra ilha de formato incomum vem se formando em águas costeiras rasas próximas a Hainan, a província mais ao sul da China / NASA Earth Observatory images by Lauren Dauphin/Wikimedia Commons
Navio Superstar Aquarius (1993) na Ilha Phoenix, Baía de Sanya, Hainan, China / Anna Frodesiak/Wikimedia Commons
Navio Superstar Aquarius (1993) na Ilha Phoenix, Baía de Sanya, Hainan, China / Anna Frodesiak/Wikimedia Commons
Ilha de Shamian, vista a partir do continente de Guangzhou / David Wong/Wikimedia Commons
Ilha de Shamian, vista a partir do continente de Guangzhou / David Wong/Wikimedia Commons

A cronologia de um crescimento acelerado

A expansão mais notável iniciou-se no fim de 2013, quando o governo chinês decidiu ampliar recifes no arquipélago de Nansha. Em um intervalo de apenas dois anos, o país construiu cerca de 3.000 acres de novos territórios em mar aberto.

Continua depois da publicidade

Embora outros países tenham tentado realizar aterros, a escala chinesa foi tão vasta que gerou um desequilíbrio imediato em toda a região. Essa disparidade alimenta uma desconfiança global sobre os reais objetivos de Pequim com a ocupação dessas águas.

Veja também: Escondidos em ilhas paradisíacas, esses hotéis são convites para desaparecer do mapa.

A tecnologia usada para erguer solo firme

A criação de solo no meio do mar exige o uso de dragas potentes que retiram areia e cascalho de lagoas rasas. Esse material é bombeado sobre os recifes até que o terreno atinja uma altura segura para receber as fundações de concreto.

Continua depois da publicidade

Logo após a elevação do solo, começam os processos de compactação e pavimentação de grandes áreas para uso estratégico e militar. A rapidez dessa transformação é visível em vídeos que mostram a água azul dando lugar a manchas claras de areia.

O uso dual das bases permanentes no mar

As autoridades chinesas afirmam que o objetivo das ilhas é apoiar a pesca, a meteorologia e as operações de busca marítima. No entanto, relatórios do "China Island Tracker" detalham a presença de hangares militares e sistemas de mísseis nessas formações.

Ter uma base no meio do oceano permite patrulhas constantes e o reabastecimento de navios que monitoram o tráfego de mercadorias. Esse movimento acaba forçando vizinhos como o Vietnã e as Filipinas a repensarem suas próprias estratégias defensivas navais.

Continua depois da publicidade

Veja também: Paraíso brasileiro tem 365 ilhas e figura entre os destinos mais completos do país.

O prejuízo invisível para os corais e a pesca

Para além da disputa política, o soterramento de 13 km² de recifes representa um desastre ecológico de grandes proporções para o oceano. A dragagem intensa cria nuvens de sedimentos que bloqueiam a luz e sufocam a vida marinha local.

Esses recifes funcionam como berçários vitais e sua degradação prejudica a produtividade da pesca em toda a região do Indo-Pacífico. Assim, a "corrida do aterramento" cria um custo ambiental que será sentido por gerações de comunidades que dependem do mar.

Continua depois da publicidade

TAGS :

Conteúdos Recomendados

©2026 Diário do Litoral. Todos os Direitos Reservados.

Software