A construção acelerada de ilhas no Mar do Sul da China ameaça corais e altera a geopolítica / Reprodução YT/BBC
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Uma transformação visual sem precedentes está ocorrendo nas águas asiáticas, redesenhando fronteiras que antes eram apenas líquidas e incertas. Em pouco mais de uma década, a China redesenhou o Mar do Sul da China ao "fabricar" terra sobre recifes.
Fotos capturadas por satélites revelam o surgimento de ilhas artificiais massivas que parecem brotar das profundezas do oceano de forma súbita. Essa expansão gera um efeito dominó que afeta a segurança regional e acelera a destruição de ecossistemas.
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Ao observar as mudanças no "antes e depois" do Google Earth, notamos que recifes naturais viraram pistas de pouso e complexos industriais. A questão central agora é entender como essa nova realidade física altera o futuro do Indo-Pacífico e do ambiente.
A expansão mais notável iniciou-se no fim de 2013, quando o governo chinês decidiu ampliar recifes no arquipélago de Nansha. Em um intervalo de apenas dois anos, o país construiu cerca de 3.000 acres de novos territórios em mar aberto.
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Embora outros países tenham tentado realizar aterros, a escala chinesa foi tão vasta que gerou um desequilíbrio imediato em toda a região. Essa disparidade alimenta uma desconfiança global sobre os reais objetivos de Pequim com a ocupação dessas águas.
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A criação de solo no meio do mar exige o uso de dragas potentes que retiram areia e cascalho de lagoas rasas. Esse material é bombeado sobre os recifes até que o terreno atinja uma altura segura para receber as fundações de concreto.
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Logo após a elevação do solo, começam os processos de compactação e pavimentação de grandes áreas para uso estratégico e militar. A rapidez dessa transformação é visível em vídeos que mostram a água azul dando lugar a manchas claras de areia.
As autoridades chinesas afirmam que o objetivo das ilhas é apoiar a pesca, a meteorologia e as operações de busca marítima. No entanto, relatórios do "China Island Tracker" detalham a presença de hangares militares e sistemas de mísseis nessas formações.
Ter uma base no meio do oceano permite patrulhas constantes e o reabastecimento de navios que monitoram o tráfego de mercadorias. Esse movimento acaba forçando vizinhos como o Vietnã e as Filipinas a repensarem suas próprias estratégias defensivas navais.
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Para além da disputa política, o soterramento de 13 km² de recifes representa um desastre ecológico de grandes proporções para o oceano. A dragagem intensa cria nuvens de sedimentos que bloqueiam a luz e sufocam a vida marinha local.
Esses recifes funcionam como berçários vitais e sua degradação prejudica a produtividade da pesca em toda a região do Indo-Pacífico. Assim, a "corrida do aterramento" cria um custo ambiental que será sentido por gerações de comunidades que dependem do mar.
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