Por ser uma cor pouco comum em objetos, o rosa chama a atenção por onde passa. Seja um carro dessa coloração ou um cabelo tingido, o tom sempre rende comentários.
Da mesma forma, não foi diferente quando fotos de uma raia cor-de-rosa surgiram na internet. O curioso dessas imagens é que ninguém “tingiu” o animal; ele tem essa coloração naturalmente.
Uma coloração que intriga
A imagem, tirada pelo fotógrafo Kristian Laine, movimentou a internet na época. Em 2020, enquanto realizava um mergulho livre próximo à ilha mais ao sul da Grande Barreira de Corais, na Austrália, ele se deparou com o animal.
Sua primeira reação foi verificar se sua câmera não estava com problemas ou apresentava algum tipo de defeito.
Porém, seu equipamento estava perfeito. Logo depois, ele descobriu que havia encontrado uma jamanta-de-recife.
Origem da cor rosa
Por mais que muitos pensem que sua coloração se origina de sua dieta ou de alguma infecção de pele, a causa da cor rosa não é nada disso.
Antes de Kristian Laine, o animal já havia sido avistado em 2015, porém a origem de sua pigmentação se manteve um mistério.
Cientistas do grupo de pesquisa australiano Projeto Manta confirmam que a cor do Inspetor Clouseau, nome dado à raia, é verdadeira.
Mutações que alteram a pigmentação da pele
Em 2016, Amelia Armstrong, pesquisadora do Projeto Manta, realizou uma biópsia na pele dessa raia que descartou as possibilidades de infecção ou dieta.
A principal teoria é de que o Inspetor Clouseau possua uma mutação genética que alterou a sua quantidade de melanina ou pigmentação.
Para Solomon David, ecologista aquático da Universidade Estadual Nicholls da Louisiana, nos Estados Unidos, a mutação se origina a partir do eritrismo.
Essa característica faz com que a pigmentação da pele de um animal seja avermelhada ou, em alguns casos, cor-de-rosa.
Essas mutações são frequentemente relacionadas ao melanismo e ao albinismo, que alteram a pele de um animal para preta ou branca, respectivamente.
Além disso, as jamantas-de-recife costumam ser totalmente brancas, pretas, ou apresentar uma junção das duas cores com contrassombreamento (tendo o dorso escuro e o ventre claro), o que ajuda na camuflagem contra predadores.
No entanto, essas variações de cor não parecem alterar a taxa de sobrevivência do Inspetor Clouseau, já que seu grande porte reduz a vulnerabilidade a predadores.
Até hoje, o Inspetor Clouseau continua sendo uma das raias mais raras já registradas, transformando um simples mergulho em um encontro digno de documentário.






