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Especialistas em comportamento infantil alertam que a comunicação familiar tem impacto direto na formação emocional e na identidade dos filhos
Palavras que definem a criança, em vez de apontar um comportamento específico, costumam causar mais danos / ImageFX
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Dentro de casa, frases aparentemente simples podem ganhar um peso enorme. O que para um adulto soa como desabafo, correção ou irritação momentânea, para um filho pode virar uma mensagem permanente sobre quem ele é e quanto vale.
Especialistas em comportamento infantil alertam que a comunicação familiar tem impacto direto na formação emocional e na identidade dos filhos.
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Durante a infância, o cérebro ainda está construindo referências emocionais. Nesse período, os pais funcionam como uma espécie de “espelho”: a criança passa a se enxergar da forma como é tratada.
Quando esse reflexo vem carregado de críticas duras, desprezo ou ironia, a tendência é que o filho leve essas falas como verdades absolutas.
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O problema se agrava quando determinadas expressões se repetem ao longo do tempo. Aos poucos, a criança deixa de ouvir a voz dos pais e passa a reproduzir internamente essas mensagens, transformando-as em autocrítica constante.
Isso pode interferir na autoconfiança, no desempenho escolar, nas relações sociais e até nas escolhas da vida adulta.
Palavras que definem a criança, em vez de apontar um comportamento específico, costumam causar mais danos.
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Quando um pai diz que o filho “é” algo negativo, a mensagem transmitida não é de correção, mas de identidade. Esse tipo de discurso gera insegurança, medo de errar e sensação de não pertencimento.
Comparações também exercem forte impacto emocional. Colocar irmãos ou outras crianças como parâmetro cria competição, ressentimento e a ideia de que o amor depende de desempenho.
Dica do editor: Filhos únicos: o que a ciência realmente diz sobre o impacto de não ter irmãos nas crianças.
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Em vez de motivar, esse hábito costuma enfraquecer a autoestima e prejudicar os vínculos familiares.
Outro aspecto delicado são ameaças e frases ditas em tom de brincadeira. Mesmo sem intenção real, esse tipo de linguagem pode provocar tensão constante, fazendo a criança agir por medo e não por compreensão. Com o tempo, isso compromete a confiança e dificulta o diálogo aberto dentro da família.
Momentos de explosão emocional exigem atenção especial. Gritos e ofensas podem ser lembrados por anos, principalmente quando se tornam frequentes. Pedir desculpas ajuda, mas não apaga completamente o impacto quando esse padrão se repete.
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A boa notícia é que educar não precisa machucar. Pais podem estabelecer limites, corrigir erros e orientar seus filhos usando palavras firmes, porém respeitosas.
Falar sobre atitudes, explicar consequências e demonstrar apoio fortalece o desenvolvimento emocional e constrói uma relação mais segura e saudável.