Fones de ouvido com ANC viraram febre, mas pesquisadores alertam para possíveis efeitos colaterais. O Distúrbio do Processamento Auditivo Central, que dificulta a compreensão em ambientes barulhentos, está em alta na Inglaterra – e os fones podem ter relação.
“Tudo parecia grunhido nas aulas”, conta Sophie, paciente com DPAC que usa ANC por horas diárias. Seu relato à BBC ilustra o dilema: a tecnologia que alivia o barulho urbano pode estar criando novos problemas auditivos em jovens adultos.
Vale lembrar que o ANC em fones de ouvido significa Cancelamento Ativo de Ruído (Active Noise Cancellation, em inglês). E é uma tecnologia que utiliza microfones e algoritmos para reduzir ou eliminar sons externos indesejados.
Vale lembrar, que estudos vêm apontando a perda de audição pelo uso de fones desde 2017. Entenda agora por que os pesquisadores sugerem a ligação, e o que eles estudam sobre o assunto.
O que dizem os especialistas
Claire Benton vice-presidente da Academia Britânica de Audiologia, explica para a BBC que o cérebro precisa de estímulos reais para desenvolver plenamente a capacidade de processar sons. O “mundo falso” do cancelamento de ruído pode prejudicar essa evolução natural do sistema auditivo.
O portal Central da Saúde detalha: pacientes com DPAC ouvem normalmente, mas não interpretam sons complexos. Em cidades barulhentas, onde os fones ANC são mais usados, esse distúrbio tem aparecido com frequência crescente entre jovens.
Necessidade de mais pesquisas
Wayne Wilson, professor da Universidade de Queensland, pondera que ainda faltam evidências conclusivas. Fatores como tempo de uso, tipo de ruído cancelado e idade do usuário precisam ser melhor estudados. A correlação temporal pós-pandemia é intrigante, mas não prova causalidade.
Enquanto a ciência busca respostas, a recomendação é clara: evitar uso prolongado dos fones com ANC. Especialistas sugerem intervalos regulares e momentos sem a tecnologia para permitir que o cérebro processe sons naturais do ambiente.
