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Flechas, caçadores de cabeça e carne de macaco na dieta: veja as tribos mais isoladas do mundo

Comunidades resistem ao contato enquanto enfrentam doenças, mineração e desmatamento

Agência Diário

Publicado em 25/03/2026 às 21:22

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Levantamento alerta que dezenas de grupos isolados podem desaparecer com o avanço de invasões e exploração econômica / Domínio Público

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Há povos que continuam vivendo longe das cidades, das estradas e da internet. Espalhados por florestas densas e ilhas remotas, optaram por não manter relações com o mundo exterior.

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Um relatório da Survival International aponta a existência de 196 grupos isolados em dez países e alerta que 90 podem desaparecer nos próximos anos. As informações foram reunidas em reportagem do New York Post.

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Mashco Piro

No território peruano da Amazônia, os Mashco Piro mantêm distância de estranhos. 

O ambientalista Paul Rosolie contou ao New York Post que seu grupo foi surpreendido quando indígenas surgiram na margem oposta de um rio, observando e cantando.

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“Eles levantaram as mãos e começaram a cantar. Um amigo ofereceu bananas”, relatou. No dia seguinte, porém, esse mesmo homem foi atingido por uma flecha que atravessou seu corpo e quase o matou.

Rosolie, criador da Junglekeepers, avalia que o contato partiu deles. Segundo explicou, são nômades, caçam macacos e tartarugas e não utilizam panelas, o que indica que talvez desconheçam a fervura ou o congelamento da água.

Sentineleses

Na Ilha Sentinela do Norte, na Índia, vivem os Sentineleses há cerca de 60 mil anos. Em 2018, o missionário John Chau morreu ao tentar evangelizar o grupo.

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Fiona Watson, da Survival International, afirma que eles deixam claro que não querem visitantes. 

“Podem cruzar flechas nas trilhas ou atirar contra helicópteros. Vivem de forma autossuficiente.” Em 2023, Mykhailo Polyakov foi detido após entrar na área.

xxNa Ilha Sentinela do Norte, na Índia, vivem os Sentineleses há cerca de 60 mil anos / Reprodução

Yaifo

Os Yaifo habitam uma área isolada da Papua-Nova Guiné. Há quatro décadas, o explorador Benedict Allen relatou um possível primeiro contato e mencionou o uso de cabeças de inimigos como troféus.

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Ele descreveu o ritual de iniciação como “tão duro quanto qualquer outro no planeta”. De acordo com Fiona Watson, enquanto a floresta estiver preservada, o grupo consegue manter sua autonomia.

Kawahiva

Cerca de 50 Kawahiva vivem no Mato Grosso. Registros de satélite do governo brasileiro mostram abrigos temporários espalhados pela mata, sinal de deslocamentos constantes.

Em declaração ao New York Post, Fiona explicou que produzem cestos para pesca e redes com cipós. Segundo ela, conseguem viver de forma independente se o território permanecer protegido.

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Ayoreo

Os Ayoreo ocupam o Gran Chaco, região que alcança Paraguai e Bolívia. Entre as décadas de 1960 e 1980, missões religiosas levaram doenças que resultaram em mortes.

Parte do grupo manteve o isolamento, enquanto outros passaram a dialogar com autoridades. “Eles vão à capital para defender os parentes não contatados”, afirmou Fiona ao comentar o avanço da pecuária.

Hongana Manyawa

Na Indonésia, os Hongana Manyawa vivem sobre áreas com grandes reservas de níquel. O avanço da mineração tem reduzido o espaço tradicional ocupado pelo grupo.

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Fiona alertou que a atividade “está penetrando cada vez mais fundo” na floresta, pressionando a população. A permanência no território depende da contenção dessa expansão.

Korowai

Na Papua-Nova Guiné, também vivem os Korowai, que constroem moradias no alto das árvores e mantêm práticas próprias de cura e organização social.

Apesar de contatos pontuais com autoridades locais, preservam seus costumes. A interação externa ocorre de forma limitada, sem alterar a estrutura da comunidade.

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Por Vitoria Estrela

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