Diário Mais

Estudos recentes descobrem 'consciência oculta' em pacientes que estão em coma

Por décadas, o coma foi visto como um 'apagão'. Hoje, estudos revelam que o cérebro pode estar mais atento do que imaginamos; entenda sobre a 'consciência oculta'

Jeferson Marques

Publicado em 07/03/2026 às 16:07

Compartilhe:

Compartilhe no WhatsApp Compartilhe no Facebook Compartilhe no Twitter Compartilhe por E-mail

Médico segura a mão de paciente em coma no leito hospitalar / Foto de RDNE Stock Project/Pexels

Continua depois da publicidade

Durante décadas, o coma foi visto como um "apagão" total. Um estado onde a mente simplesmente silenciava e o mundo exterior deixava de existir. Mas, graças aos avanços da neurociência, estamos descobrindo que o mistério por trás dessa condição é muito mais profundo (e, por vezes, surpreendente) do que imaginávamos.

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

O cérebro nunca para de trabalhar

Diferente do que muitos pensam, estar em coma não significa que o cérebro esteja "desligado". Clinicamente, o coma é uma falha na nossa capacidade de interagir com o ambiente, causada por lesões ou distúrbios que afetam o tronco encefálico ou o córtex cerebral. No entanto, exames de ressonância magnética funcional revelam algo fascinante: em alguns casos, o cérebro continua processando informações, sons e até emoções.

Continua depois da publicidade

Leia Também

• Depois do metanol, o perigo está no prato: família come 'falsa couve' e entra em coma

• Entenda como agiu o ácido que deixou entregador em coma após hemodiálise

Já houve registros de pacientes que, mesmo sem responder externamente, apresentaram atividade cerebral ao ouvir vozes de entes queridos. Isso não significa necessariamente que a pessoa esteja "acordada" ou consciente da mesma forma que nós, mas prova que a conexão com o mundo exterior não está, necessariamente, rompida de forma definitiva.

A tênue linha entre o estado vegetativo e a consciência

Um dos maiores desafios da medicina é diferenciar o coma de estados como o vegetativo. No coma, o paciente não abre os olhos. No estado vegetativo, o corpo mantém ciclos de sono e vigília, mas a consciência de si mesmo parece ausente.

Continua depois da publicidade

A grande revolução atual é a descoberta da "consciência oculta". Estudos recentes, publicados em veículos de prestígio como o The New England Journal of Medicine, sugerem que cerca de 20% dos pacientes com lesões cerebrais graves podem ter algum nível de consciência que não conseguimos detectar através de um simples exame físico. O desafio médico agora é encontrar formas de "acessar" essa consciência e entender o que esses pacientes estão vivenciando.

O papel da família e o poder do toque

Se a ciência nos ensina algo sobre o coma, é que nunca devemos subestimar o poder da presença. Mesmo que não possamos garantir o que o paciente entende, a voz familiar, o toque e a presença constante são fundamentais. A recuperação é um processo lento, imprevisível e que depende de uma complexa rede de cuidados médicos e, claro, do apoio emocional de quem está ao redor.

O coma não é apenas um diagnóstico; é uma jornada onde a ciência busca a luz no fim do túnel e onde o afeto, muitas vezes, é o único caminho que conhecemos para manter viva a chama de quem amamos.

Continua depois da publicidade

Conteúdos Recomendados

©2026 Diário do Litoral. Todos os Direitos Reservados.

Software