Estudo revela que papagaios da cidade usam técnica humana para decidir o que comer sem correr riscos

Um estudo publicado pela revista PLOS Biology com mais de 700 cacatuas-de-crista-amarela comprova o comportamento de imitação entre semelhantes

Uma ferramenta que alguns desses indivíduos usam para descobrir a qualidade dos alimentos é a sua aprendizagem social | Imagem gerada por IA | Google Flow

Os seres humanos possuem o costume de imitação que por muito tempo foi considerado exclusivo de nossa espécie.

Porém, um novo estudo sugere que outros animais possuem essa habilidade. Alguns papagaios selvagens da Austrália, também conhecidos como cacatuas-de-crista-amarela, aprendem a experimentar outros tipos de alimentos copiando seus semelhantes.

Os animais que vivem em grandes espaços urbanos se encontram na comum situação de se deparar com recursos novos ou incomuns para eles.

Com esse ambiente em constante mudança, sua adaptação deve ser rápida. A expansão de sua dieta para incluir novos itens alimentares se torna algo crucial.

De acordo com um estudo publicado na revista estadunidense PLOS Biology, no entanto, esses animais costumam ser muito cautelosos com os alimentos que consomem.

Muitas das vezes, esses alimentos podem conter parasitas ou serem venenosos.

Assim, uma ferramenta que alguns desses indivíduos usam para descobrir a qualidade dos alimentos é a sua aprendizagem social.

A aprendizagem social é um processo que envolve indivíduos adquirirem conhecimentos e atitudes observando e imitando os outros, além de experiências diretas.

Sua capacidade de replicar conhecimentos observando ou intreagindo com outros animais se torna uma função crucial para sua sobrevivência.

Experimento realizado com os papagaios

Um estudo publicado pela revista estadunidense PLOS Biology com mais de 700 cacatuas-de-crista-amarela, papagaios selvagens da Austrália comprova o comportamento de imitação.

Os pesquisadores que conduziram o estudo tinham como objetivo entender como as aves que vivem em ambientes urbanos lidam com recursos novos.

Para isso, as aves foram separadas em cinco comunidades de dormitórios no centro de Sydney.

Também, os pesquisadores ofereceram às aves amêndoas com suas cascas pintadas de vermelho e azul. Inicialmente, apenas alguns dos papagaios chegaram a receber as amêndoas. Porém, esses indivíduos que receberam as sementes estavam isolados do resto de suas comunidades.

A partir disso, indivíduos curiosos começaram a também comer as amêndoas após verem os outros em um curto espaço de tempo após a primeira quantidade de amêndoas ser entregue.

Em média, os papagaios que não haviam sido treinados anteriormente começaram a imitar uns aos outros em 10 minutos.

De acordo com o estudo, ao fim do experimento, que durou 20 dias, 349 papagaios das cinco comunidades estavam consumindo as amêndoas coloridas.

Animais mais jovens costumam imitar os mais velhos

Os cientistas também descobriram que os papagaios mais novos tinham mais chances de seguir a maioria.

Ou seja, se a maioria do grupo escolher uma cor de amêndoa, os jovens seguiam essa preferência.

Os mais velhos, no entanto, tinham interesse apenas no que seus companheiros sociais escolhiam, ao invés de seguir a completa maioria.

Além disso, foi visto também que técnicas parecidas para abrir as nozes foram repassadas, adicionando não só a preferência sendo “herdada”, mas também a forma de consumir os alimentos.

Conclusão do experimento

O experimento conclui que a habilidade de imitar os seus semelhantes não é uma característica genética nem dos papagaios, nem dos seres humanos.

O fato desse conhecimento ter sido espalhado de uma forma tão rápida deixa explícita uma forma de transmissão cultural.