Além da redução da pressão arterial, os alimentos mostraram impacto positivo na função vascular, medida pela capacidade das artérias de se expandirem / Freepik
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Uma pesquisa internacional publicada na revista científica European Journal of Preventive Cardiology revela que itens como chocolate amargo, maçãs, uvas e chá verde ou preto podem provocar reduções relevantes na pressão arterial.
O estudo atribui esses efeitos aos flavanóis, compostos naturais que contribuem para a saúde dos vasos sanguíneos. Os pesquisadores investigaram de que forma essas substâncias atuam no organismo.
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Para chegar às conclusões, foram examinados 145 estudos clínicos, envolvendo mais de 5 mil pessoas. Entre indivíduos com hipertensão, a ingestão diária dos alimentos analisados resultou em queda de até 6 mmHg na pressão sistólica e cerca de 3 mmHg na diastólica.
Esses números são comparáveis aos efeitos observados com medicamentos prescritos para controlar a pressão.
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Diferente de investigações anteriores, que priorizam suplementos ou compostos isolados, esta análise concentrou-se em alimentos comuns na dieta diária.
O levantamento indicou algumas quantidades médias ligadas aos benefícios. No caso do chocolate amargo com 75% de cacau, a recomendação foi de cerca de 56 gramas por dia, equivalentes a uma barra pequena.
Chá verde ou preto deve ser consumido em média 700 mililitros por dia, cerca de três xícaras.
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Duas maçãs médias diariamente também foram associadas a resultados positivos. Para uvas, a quantidade pode variar de acordo com a variedade e o modo de preparo.
Além da redução da pressão arterial, os alimentos mostraram impacto positivo na função vascular, medida pela capacidade das artérias de se expandirem.
A dilatação mediada por fluxo aumentou, em média, 2%. Cada avanço de 1% nesse índice equivale, segundo o estudo, a uma redução de 10% no risco de doenças cardiovasculares.
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Para chegar às conclusões, foram examinados 145 estudos clínicos, envolvendo mais de 5 mil pessoas / FreepikA análise também indicou que alimentos integrais proporcionam resultados mais expressivos do que compostos isolados. Substâncias como a epicatequina, derivada do cacau, e o EGCG, presente no chá verde, tiveram efeito mais modesto.
O achado sugere que a combinação natural de compostos presentes nos alimentos desempenha papel fundamental nos benefícios à saúde cardiovascular.
Outro dado relevante foi a baixa incidência de efeitos colaterais, relatada por apenas 0,4% dos participantes. O número é menor do que o observado em muitos medicamentos convencionais.
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Os efeitos mais significativos apareceram entre pessoas com pressão arterial elevada. Em participantes com níveis normais, as mudanças foram pequenas.
Esse padrão lembra o comportamento de medicamentos para hipertensão, que apresentam efeito mais intenso quando a pressão está alta. Em outras palavras, quem mais precisa obtém resultados mais rápidos e consistentes.
A pesquisa ainda observou que pessoas com diabetes não apresentaram a mesma regularidade nos efeitos positivos. Para especialistas, isso indica que estratégias diferentes podem ser necessárias para esse grupo.
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Christian Heiss, professor da Universidade de Surrey e autor principal do estudo, reforça: “embora não substitua medicamentos prescritos ou orientação médica, incluir alimentos ricos em flavanóis na rotina diária pode ser um complemento valioso a um estilo de vida saudável para o coração.”
As descobertas dialogam com os resultados do estudo COSMOS, divulgado em 2022, que identificou que suplementos de flavanóis de cacau reduziram em 27% a mortalidade cardiovascular em um grupo com mais de 21 mil participantes.