Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) identificaram a presença de microplásticos no cérebro de oito pessoas submetidas a autópsia no Serviço de Verificação de Óbitos da Capital.
O estudo é destaque na edição de janeiro da revista Pesquisa FAPESP e foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e pela organização não governamental holandesa Plastic Soup.
Partículas encontradas no bulbo olfatório
Os cientistas analisaram amostras do bulbo olfatório, uma estrutura localizada no crânio, acima do nariz, essencial para a percepção dos odores.
As amostras foram submetidas a análises no Sirius, uma das mais potentes fontes de radiação síncrotron em operação no mundo, localizada no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas.
Os resultados revelaram a presença de microplásticos em todas as amostras, com uma variação de uma a quatro partículas por fragmento de bulbo olfatório.
Impactos da pesquisa
A descoberta levanta questionamentos sobre os possíveis efeitos dos microplásticos na saúde humana, especialmente no funcionamento do sistema nervoso.
Estudos anteriores já haviam identificado essas partículas no sistema circulatório e em outros órgãos, mas a presença no cérebro humano reforça a preocupação com a exposição contínua a esses poluentes.
Outros destaques da edição da Pesquisa FAPESP
A mesma edição da revista também aborda temas relevantes, como um novo modelo de pós-graduação que será testado em universidades paulistas, uma entrevista com a socióloga Nadya Guimarães sobre a atuação de trabalhadoras domésticas e cuidadoras de idosos.
Para completar, há ainda uma análise sobre os riscos do esgotamento dos reservatórios subterrâneos de água para florestas e rios.
A edição pode ser lida na íntegra no site.
