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Segundo a Anmat (Associação Nacional de Medicina do Trabalho), cerca de 30% da população brasileira sofrem com a sÃndrome
Excesso de estÃmulos, pressão por produtividade e hiperconectividade ajudam a explicar o aumento do estresse entre jovens trabalhadores da Geração Z / Unsplash/tommao wang
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Segundo a Anamt (Associação Nacional de Medicina do Trabalho), cerca de 30% da população brasileira sofre com burnout. Esses altos números, no entanto, podem ser causados por diversos fatores psicológicos.
Com o trabalho constante e diversos tipos de demandas, é comum se sentir naturalmente cansado, especialmente considerando a realidade adulta. No entanto, quando o sentimento é excessivo, pode se tornar um sinal de alerta em relação à deterioração da saúde mental e, inclusive, um potencial burnout.
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Conforme dados da Associação Nacional de Medicina do Trabalho, no Brasil, cerca de 30% das pessoas sofrem com a sÃndrome de burnout, um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema. Além disso, uma pesquisa da Cigna, organização americana de saúde, aponta que 91% dos trabalhadores da Geração Z relatam estresse, com aproximadamente 98% mostrando sinais de esgotamento extremo.
Essa falta de energia e indisposição, todavia, não são aspectos que surgem de um dia para o outro. Segundo a psicóloga LetÃcia Marques, o fenômeno é resultado de múltiplos fatores acumulados, incluindo sobrecarga, estresse crônico e o agravamento do estado mental. Para entender mais sobre o assunto, confira as informações abaixo.
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De acordo com LetÃcia, o cérebro humano não foi feito para lidar com elevados nÃveis de estÃmulos. Portanto, quando isso acontece, cria-se uma espécie de "estado de alerta".
"O cérebro humano não foi projetado para lidar continuamente com altos nÃveis de estÃmulo, informação e cobrança. Quando a pessoa permanece por muito tempo em estado de alerta e exigência, o sistema de estresse se mantém ativado, o que aumenta sintomas de ansiedade e, com o tempo, pode gerar exaustão emocional, desmotivação e até quadros depressivos."
Do mesmo modo, a profissional destaca que o burnout pode se tornar um fator determinante para o desenvolvimento do cansaço diário, que parece quase incessante.
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"Estudos sobre burnout e estresse crônico mostram que a exposição prolongada a demandas psicológicas elevadas, associada à baixa sensação de controle ou descanso insuficiente, favorece sintomas como fadiga mental, irritabilidade, dificuldade de concentração e perda de prazer em atividades antes significativas."
Há diferenças claras quando se trata de exaustão fÃsica e emocional; ambas não devem ser confundidas. A psicóloga explica que a primeira condição está relacionada aos limites do corpo humano, podendo ser resolvida com descanso e pequenas pausas. Todavia, o esgotamento mental é mais complexo.
"O cansaço fÃsico está relacionado ao esforço corporal. Normalmente melhora com descanso, sono ou pausa nas atividades. Já o cansaço emocional ou mental está ligado ao desgaste psicológico. A pessoa pode dormir e, ainda assim, acordar esgotada. Surgem sintomas como sensação constante de sobrecarga, dificuldade de concentração, irritabilidade, sensação de estar 'no limite' e perda de motivação."
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Em outras palavras, LetÃcia considera o cansaço emocional como aquele que não pode ser solucionado apenas com o repouso corporal: "Na prática clÃnica, um indicativo importante de exaustão emocional é quando o descanso fÃsico não é suficiente para restaurar a energia mental".
A profissional cita alguns aspectos que parecem comuns, mas que podem contribuir para o esgotamento mental e, em muitos casos, levar ao burnout:
Excesso de demandas profissionais e pessoais;
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Dificuldade de estabelecer limites entre trabalho e vida pessoal;
Sobrecarga de informação;
Sensação de urgência constante;
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Baixa qualidade de descanso mental.
Ela também ressalta a utilização das redes sociais como impacto negativo na fadiga mental, principalmente em casos de uso descontrolado.
"As redes sociais e a hiperconectividade também entram nesse cenário. A exposição contÃnua a estÃmulos digitais mantém o cérebro em estado de vigilância e comparação social frequente. Pesquisas mostram que o uso excessivo de redes está associado ao aumento da ansiedade, pior qualidade de sono e maior fadiga mental."
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Nos casos de trabalho árduo e sobrecarga, a profissional alerta para o desempenho excessivo, que pode se tornar tóxico. LetÃcia menciona o equilÃbrio entre o trabalho e a identidade pessoal: "Quando o valor pessoal passa a ser medido apenas por resultados, a saúde mental tende a se fragilizar".
Ainda de acordo com a psicóloga, os principais sintomas e sinais de riscos incluem:
• Aumento de sintomas de ansiedade;
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• Maior vulnerabilidade à depressão;
• Dificuldade de concentração e memória;
• Irritabilidade e queda da tolerância emocional;
• Redução da motivação e do senso de propósito.
LetÃcia cita o estabelecimento de limites claros e o repouso — fÃsico e mental — como fatores essenciais. As estratégias englobam:
Micropausas ao longo do dia;
Limites digitais, reduzindo a hiperconectividade;
Práticas de mindfulness (atenção plena);
Escrita terapêutica para processamento emocional;
Sono adequado e rotina de descanso mental real.
A psicóloga finaliza enfatizando a importância dos cuidados não apenas ao solucionamento do problema mas, simultaneamente, à compreensão dos limites pessoais e profissionais: "Quando o cansaço se torna persistente ou interfere no funcionamento cotidiano, o acompanhamento psicológico também é importante para compreender as causas e construir estratégias de cuidado mais profundas".
*O texto contém informações dos portais Forbes e Cofen