RAN II: VeÃculo autônomo mapeando sob o gelo da Antártida / Imagem ilustrativa gerada por IA
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Imagine uma massa de gelo do tamanho do estado do Paraná derretendo rapidamente na Antártida. Essa é a Geleira Thwaites, apelidada de "Geleira do JuÃzo Final" pela comunidade cientÃfica. O motivo do nome assustador é simples: se ela colapsar totalmente, o nÃvel dos oceanos pode subir mais de meio metro, com o potencial de engatilhar uma elevação ainda maior ao desestabilizar gelos vizinhos. E o litoral de São Paulo sentirá as consequências direto na areia.
Mas o que isso significa, na prática, para quem frequenta ou vive nas praias paulistas?
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As praias que conhecemos hoje podem mudar radicalmente. O aumento do nÃvel do mar não acontece de forma uniforme, e o Brasil está entre as regiões vulneráveis. Em Santos e no Guarujá, por exemplo, simulações de organizações como a Climate Central já apontam riscos de inundações permanentes em áreas baixas da cidade até 2050, se as tendências de aquecimento continuarem.
A elevação do oceano significa que a maré alta chegará mais longe, a erosão nas praias será mais agressiva e a água salgada poderá invadir os lençóis freáticos, contaminando as fontes de água doce subterrâneas.
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Como leitura adicional, é importante reforçar que um estudo recente indicou que o mar já engoliu 15% das praias brasileiras.
As ressacas em Santos estão cada vez mais agressivas e duradouras / Nair Bueno - Diário do LitoralA ameaça não escolhe região. No Litoral Norte, cidades como Caraguatatuba e Ubatuba, com infraestrutura costeira importante, podem ver o asfalto de rodovias e avenidas ser alcançado pela água em ressacas cada vez mais fortes. Bairros inteiros construÃdos próximos ao mar correm o risco de se tornar inabitáveis.
No Litoral Sul, áreas de manguezal e praias mais extensas podem ser redesenhadas, afetando a biodiversidade e a economia local focada no turismo e na pesca.
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Um relatório da ONU aponta duas cidades brasileiras que podem ser inundadas pelo mar até o ano de 2050.
A grande dúvida dos cientistas não é se o nÃvel do mar vai subir por causa do Thwaites, mas quando e quão rápido o colapso total pode ocorrer. O processo já está em andamento, impulsionado pela água quente do oceano que corrói a base da geleira por baixo.
Monitores por satélite e robôs submarinos tentam mapear o ritmo do derretimento. Enquanto isso, o futuro das praias de São Paulo e de muitas outras cidades costeiras do mundo depende das ações globais para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e desacelerar o aquecimento do planeta. A adaptação das cidades para essa nova realidade também se torna urgente.
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A NASA já lançou ações voltadas às cidades costeiras brasileiras que devem sofrer com o avanço do mar a curto, médio e longo prazo.
A famosa Geleira do Fim do Mundo, na Antártida / Alexandra Mazur - University of Gothenburg*As informações e projeções apresentadas baseiam-se em dados e relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), estudos do consórcio internacional International Thwaites Glacier Collaboration (ITGC), simulações de vulnerabilidade costeira da organização Climate Central, além de pesquisas locais desenvolvidas pelo Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IOUSP), mapeamentos de risco do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) de São Paulo e estudos financiados pela FAPESP.