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Conhecida pelo luxo e pelos escândalos do Brasil Império, Dona Beja viveu os últimos anos entre a família, a devoção católica e os negócios do garimpo em Estrela do Sul
A personagem histórica mais famosa de Minas encerrou a vida longe do brilho que a consagrou e perto de uma cidade que preserva sua memória até hoje / Wikimedia Commons/Eduardo Casalini
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Dona Beja trocou o luxo e os escândalos do Império por uma vida simples no interior de Minas Gerais. Nos últimos 30 anos, a personagem histórica viveu entre a família, a fé católica e os negócios ligados ao garimpo.
Conhecida como uma das mulheres mais influentes de seu tempo, Anna Jacintha de São José construiu fortuna, acumulou prestígio e atravessou reviravoltas marcantes. Mais tarde, porém, escolheu um caminho distante da ostentação.
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Longe dos salões e da agitação que cercaram sua imagem por tantos anos, Dona Beja reaparece sob outra luz. Em vez do brilho das joias e da fama, ganha força a mulher que buscou paz na rotina doméstica e na devoção.
Nascida em 1800, em Formiga, interior de Minas Gerais, Dona Beja enfrentou mudanças profundas desde cedo. Depois de ser sequestrada por um ouvidor do rei e levada para Paracatu, ela voltou a Araxá e se tornou uma cortesã influente.
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Mesmo analfabeta, Beja acumulou uma fortuna impressionante. Ao longo dos anos, reuniu terras, joias e influência política, algo raro para mulheres daquele período no Brasil Império.
A grande virada ocorreu em meados do século 19. Movida pela proximidade com a filha primogênita, Thereza Thomazia, e pelo auge dos diamantes, ela se mudou para Bagagem, atual Estrela do Sul.
Nesse novo capítulo, deixou para trás o título de cortesã e passou a investir no garimpo. Entre os empreendimentos, associou-se à iniciativa chamada “Califórnia”, ligada ao desvio do leito do Rio Bagagem.
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Movida pela proximidade com a filha primogênita, Thereza Thomazia, e pelo auge dos diamantes, ela se mudou para Bagagem, atual Estrela do Sul / Luiz F. Fritz / Wikimedia CommonsCom o passar do tempo, a antiga imagem de poder cedeu espaço a uma rotina discreta. Dona Beja viveu seus últimos anos em uma casa simples às margens do rio, dedicada à família e à religião.
Seu testamento mostra que a fortuna já não era a mesma. Ainda assim, sua presença continuou marcante na cidade, agora menos pelo escândalo e mais pela devoção e pela convivência com os moradores.
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Um dos episódios mais simbólicos dessa fase envolve sua fé em Nossa Senhora Mãe dos Homens. Beja financiou a construção de uma ponte sobre o Rio Bagagem para assistir, da porta de casa, à procissão da santa.
Com isso, a mulher que antes desafiava convenções passou a ser vista como benfeitora local. Aos poucos, moradores passaram a procurá-la em busca de bênçãos e reconhecimento espiritual.
Dona Beja morreu em 20 de dezembro de 1873, aos 73 anos, vítima de complicações renais. Ela foi enterrada no antigo cemitério de Estrela do Sul, onde hoje fica a praça da Igreja Matriz.
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Atualmente, seu legado segue vivo nas memórias, nos casarões e na história de Minas Gerais. Assim, a mulher mais falada do Império também ficou marcada pela paz que encontrou no silêncio do interior.