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Segundo especialista, a abordagem de pessoas mal-intencionadas nestas plataformas costuma ser cordial e até mesmo carismática. Porém, os riscos desta interação são inúmeros
Criminosos criam vínculos emocionais rápidos em aplicativos como o Tinder para conquistar confiança e, posteriormente, solicitar dinheiro sob falsas emergências / Unsplash/Good Faces Agency
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Atualmente, a quantidade de aplicativos de relacionamento aumentou de forma exponencial. Essas plataformas se popularizaram ao redor do mundo, atraindo pessoas com esperanças de encontrar um parceiro romântico. No entanto, muitas vezes, não é bem assim que funciona.
Devido a essa fama crescente, criminosos e golpistas passaram a acessar as plataformas para realizar atividades marginais, incluindo extorsões, roubos, ameaças, estelionatos e sequestros, entre outras. Abaixo, entenda os perigos da utilização descontrolada e imprudente dos aplicativos de relacionamento.
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Principalmente em plataformas mais famosas, como o Tinder, há crimes específicos que se destacam por serem comuns ao aplicativo. Segundo Dario Freitas, delegado de polícia, estes indivíduos podem parecer pessoas cordiais ou até mesmo carismáticas, mas não se engane: por trás dessa "máscara", há más intenções.
"Os crimes mais comuns são o estelionato — especialmente o chamado 'golpe do romance' —, extorsões, roubos e, em alguns casos, sequestros-relâmpago. No chamado estelionato sentimental, o criminoso cria um vínculo emocional com a vítima e, após conquistar sua confiança, passa a solicitar dinheiro sob diferentes justificativas.
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Em adição aos crimes realizados on-line, Freitas cita casos em que o criminoso combina de se encontrar presencialmente com a vítima. Estes, especificamente, podem resultar em roubos ou até mesmo sequestros.
"Também há registros de criminosos que utilizam o aplicativo para marcar encontros e, no momento presencial, praticam roubos ou obrigam a vítima a realizar transferências bancárias. Além disso, há casos de extorsão, em que o autor obtém imagens íntimas e depois ameaça divulgá-las para exigir pagamentos.".
O delegado destaca que, a princípio, não há um perfil considerado "ideal" de vítima para os golpistas. As atividades criminosas atingem milhares de pessoas, independentemente de fatores como classe social, faixa etária ou nível de escolaridade. No entanto, ele menciona que as pessoas mais propensas a cair em golpes são, principalmente, aquelas que estão passando por algum tipo de vulnerabilidade emocional.
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"Não existe um perfil único de vítima. Os casos atingem diferentes faixas etárias, níveis de escolaridade e classes sociais. O que normalmente é explorado pelo criminoso não é a condição econômica em si, mas a vulnerabilidade emocional ou a confiança excessiva. Pessoas que estejam passando por momentos de solidão, término de relacionamento ou fragilidade emocional podem ser mais visadas em golpes sentimentais, mas qualquer pessoa pode se tornar vítima".
Como mencionado anteriormente, os criminosos não mostram suas verdadeiras intenções inicialmente. Freitas explica que a interação começa pelo próprio aplicativo e, depois de conquistar um certo nível de confiança por parte da vítima, a conversa tende a migrar para outras plataformas, como o WhatsApp.
"A abordagem costuma ser cordial e estratégica. O perfil geralmente apresenta fotos atraentes e uma história profissional consistente. A conversa evolui rapidamente para intimidade emocional, criando uma sensação de conexão intensa em pouco tempo. Em seguida, o criminoso tenta migrar a conversa para aplicativos externos, como WhatsApp ou Instagram, o que dificulta o rastreamento dentro da plataforma original".
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Do mesmo modo, o delegado complementa que, após o estabelecimento de laços de confiança, o golpista começa a pedir auxílio financeiro. O objetivo do criminoso é, fundamentalmente, comover a vítima, fingindo alguma dificuldade ou necessidade:
"Após estabelecer confiança, começam pedidos de ajuda financeira, relatos de emergências ou propostas de encontro em locais previamente escolhidos pelo autor".
Nem todos os casos de golpes em plataformas de relacionamento seguem um padrão específico. No entanto, Freitas relata que alguns dos registros mais frequentes abrangem transferências forçadas, subtração de bens e, inclusive, roubos de veículos.
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"Em alguns casos, a vítima é atraída para um encontro presencial e, ao chegar ao local, é surpreendida por comparsas. Já houve ocorrências de roubo de veículos, subtração de bens e sequestro-relâmpago com exigência de transferências via Pix. Esses crimes, muitas vezes, são praticados por grupos organizados que utilizam perfis falsos especificamente para essa finalidade", finaliza.
O Diário fez, inclusive, uma matéria explicando como se proteger e atuar em situações de golpes nos aplicativos de relacionamento. Para acessá-la, basta clicar aqui.