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Desindustrialização: O 'vilão silencioso' que está encolhendo os salários e o PIB brasileiro

O desempenho das indústrias nacionais apresentou uma perda expressiva. Segundo especialista, o contexto atual é preocupante e pode resultar em menores oportunidades no mercado de trabalho

Maria Clara Pasqualeto

Publicado em 24/03/2026 às 20:47

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O fechamento de milhares de fábricas no Brasil nas últimas décadas evidencia o avanço da desindustrialização, fenômeno que reduz empregos e diminui a participação da indústria no PIB nacional / Unsplash/Homa Appliances

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A industrialização é um processo fundamental para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de um país. O termo define o processo social e histórico no qual a indústria se torna o setor dominante de uma economia.

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Contudo, no Brasil, o contrário tem acontecido: o país apresenta um cenário de desindustrialização constante, preocupando especialistas e gerando, inclusive, menos oportunidades de emprego. 

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Segundo dados do Jornal da USP, cerca de 5,5 mil fábricas nacionais encerraram suas atividades em 2020. Em um período de seis anos, 36,6 mil fábricas foram extintas, o que equivale a uma média de 17 instituições fechadas por dia.

Além disso, em 2018, a indústria de transformação representou apenas 11,3% do PIB brasileiro - quase metade dos 20% registrados há 42 anos.

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Por que isso acontece?

Segundo Eduardo Lustoza, diretor de indústria da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos, a desindustrialização tem sido uma realidade global, especialmente considerando o desenvolvimento contínuo da Inteligência Artificial (IA).

"O aspecto da desindustrialização, no contexto tecnológico, ocorre em outros países além do Brasil. Com a Inteligência Artificial, a dependência da capacidade humana está cada vez menor e os processos mais automatizados.

Em comparação com nações mais desenvolvidas tecnologicamente, como a China, o Brasil ainda está muito atrasado; portanto, apresenta uma curva mais 'suave' de perda de postos de trabalho".

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O especialista cita, ainda, que há vários indicadores prejudiciais decorrentes do fenômeno, incluindo o desemprego e formas improdutivas de financiamento.

"A forma como se usa o crédito e os recursos bancários para financiar uma certa improdutividade - na tentativa de recuperação com investimentos - é indicador muito importante.

Outro fator é o desemprego no Brasil; embora haja melhoras, o número de bolsistas, que utilizam de auxílios governamentais, não para de crescer. Isso tudo mostra o quanto estamos sendo desindustrializados. Há, inclusive, empresas importantes que estão reduzindo investimentos no Brasil, e focando em outros países".

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DesindustrializaçãoO setor industrial, tradicionalmente responsável por salários mais altos e maior geração de riqueza, tem perdido espaço na economia brasileira, impactando o mercado de trabalho e o crescimento econômico. Unsplash/Lenny Kuhne

Custos governamentais altos

Lustoza ressalta que a alta carga tributária é um obstáculo à expansão das indústrias nacionais. Essas circunstâncias afetam não apenas o mercado empresarial, mas também a realidade de inúmeros trabalhadores.

"O custo da política brasileira é um dos maiores do planeta, se não for o maior. Um exemplo é o trabalhador brasileiro, considerando todos os impostos e contas a serem pagas.

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Esse é um 'peso' para o assalariado, que ainda deve pagar imposto de renda, além de tributos ao governo e à indústria. O custo do governo é um absurdo, sendo um motivo do processo de desindustrialização e da 'fuga' de empresas no Brasil".

PIB e impostos de produtos exteriores

As indústrias ocupam fatias cada vez menores do PIB nacional, quadro que Lustoza considera inevitável. Conforme o engenheiro, a situação provém do desequilíbrio entre exportação e importação, agravado pelos altos impostos sobre produtos internacionais.

"O peso atual das indústrias no PIB brasileiro é, inevitavelmente, decrescente. O Brasil exporta commodities sem impostos; todavia, o contrário acontece no processo de importação, com números muito altos. Ou seja, o povo brasileiro paga o imposto, mas os estrangeiros não. Em consequência, tudo isso drena a circulação de capital monetária nacional, 'aquecendo' o mercado exterior".

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DesindustrializaçãoEspecialista aponta que fatores como alta carga tributária, custos produtivos elevados e perda de competitividade internacional contribuem para o enfraquecimento da indústria no país. Unsplash/Crystal Kwok

Desemprego e economia em decadência

Por oferecer salários geralmente mais altos, a indústria costuma proporcionar melhores oportunidades profissionais. Porém, a desindustrialização causa o efeito inverso, desvalorizando os serviços.

"A indústria remunera melhor o trabalhador, em comparação ao mercado comercial. Com a desindustrialização, a mão de obra tem sido reduzida e descartada. Muitas pessoas e inclusive empresas estão saindo do Brasil".

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O engenheiro finaliza mencionando os impactos negativos sobre a economia nacional, que geram queda na valorização da produção interna e limitam as chances de crescimento.

"Isso é um desastre para economia, que vem acontecendo desde 2004 e 2005, com 'penalizações' à produção e ao trabalhador. A circulação de dinheiro na economia está cada vez menor, sendo uma situação extremamente delicada. Do mesmo modo, isso também tira competitividade da indústria brasileira no mercado internacional".

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