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Desde 1961 essa cidade brasileira não cobra conta de água

O segredo dessa "gratuidade histórica" não está em subsídios governamentais complexos, mas sim na própria geologia da região

Fábio Rocha

Publicado em 12/01/2026 às 17:37

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O abastecimento de Itapororoca é sustentado por uma nascente estratégica / Banco de imagens

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Enquanto a maioria dos brasileiros lida com reajustes constantes nas tarifas de saneamento, os moradores de Itapororoca, no interior da Paraíba, vivem uma realidade paralela. Há mais de seis décadas, abrir a torneira nessa cidade não significa gerar um boleto ao final do mês.

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O segredo dessa "gratuidade histórica" não está em subsídios governamentais complexos, mas sim na própria geologia da região.

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A força da gravidade

O abastecimento de Itapororoca é sustentado por uma nascente estratégica que, graças à sua localização privilegiada, permite que a água chegue às residências de forma natural.

  • Fluxo por Gravidade: Diferente de grandes metrópoles que exigem estações de bombeamento caras e de alto consumo energético, aqui a água desce sozinha até a zona urbana.

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  • Filtragem Natural: Rochas locais atuam como purificadores naturais, garantindo que o recurso chegue limpo às torneiras sem a necessidade de processos industriais pesados.

  • Autonomia: Desde a emancipação do município, em 1961, a cidade optou por gerir seu próprio recurso em vez de integrar sistemas estaduais tarifados.

Dica do editor: A cidade escondida no Brasil onde ter carro é crime e as ruas são de madeira.

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Entre o lazer e a sobrevivência

O ponto de origem dessa água não é uma estação isolada, mas o Parque da Nascença, o principal cartão-postal da cidade. O local funciona como um sistema híbrido:

  1. Preservação Ambiental: A mata ao redor protege o lençol freático, garantindo a perenidade da fonte.

  2. Complexo Turístico: O excedente da água forma piscinas naturais e balneários que movimentam a economia local através do ecoturismo.

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  3. Educação Ecológica: Trilhas guiadas mostram aos visitantes e moradores a importância das formações rochosas que armazenam o "ouro líquido" de Itapororoca.

O desafio do crescimento

O modelo que funcionava perfeitamente para mil famílias na década de 60 agora enfrenta a pressão da modernidade. Hoje, a rede atende mais de 5 mil residências, e o aumento do consumo começa a acender alertas sobre a sustentabilidade desse sistema sem cobranças.

Apesar de a prefeitura já ter dado passos burocráticos para uma possível concessão à Cagepa (Companhia de Água e Esgotos da Paraíba), o privilégio da conta zero resiste ao tempo. Por enquanto, o povo de Itapororoca segue sendo uma rara exceção em um país onde a água se torna um ativo cada vez mais caro.

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