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De onde vêm nomes como Hot Dog, Pavlova e Panetone? Conheça a origem de 10 pratos famosos

Por que comemos "Brigadeiro" e pedimos "Caipirinha"? Descubra as homenagens, improvisos e lendas que batizaram as receitas mais famosas do cardápio brasileiro e mundial

Júlia Morgado

Publicado em 08/01/2026 às 15:34

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Da nobreza europeia às feiras populares brasileiras, conheça as origens curiosas por trás de receitas famosas / Gerado por IA/Openai

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Alguns pratos entram para a história pelo sabor. Outros, pelo nome. E há aqueles que conseguem fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Afinal, quem nunca se perguntou de onde vem o strogonoff ou por que a caipirinha, tão presente nos bares e praias do Brasil, carrega um nome tão peculiar?

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Na gastronomia, os nomes raramente são aleatórios. Eles revelam trajetórias, homenagens, improvisos e até episódios curiosos que atravessaram séculos antes de chegar ao cardápio. Mais do que rótulos, funcionam como pistas sobre o contexto social, político e cultural em que cada receita surgiu.

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É assim que sobrenomes da aristocracia europeia, hábitos populares do interior do Brasil, adaptações de imigrantes e soluções criativas da comida de rua se transformaram em símbolos culinários reconhecidos no mundo inteiro. Cada nome carrega uma pequena narrativa, às vezes documentada, às vezes envolta em lendas, que ajuda a explicar por que certos pratos resistem ao tempo.

Investigar a origem dessas denominações é um convite para olhar além do prato e entender como a comida também registra memória, identidade e história. De receitas batizadas em homenagem a personagens reais a criações que nasceram de improviso, os bastidores da gastronomia revelam muito mais do que se imagina.

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De onde vieram nomes como Brigadeiro, Feijão-Tropeiro e Cachorro Quente? Entre fatos históricos e versões curiosas, conheça as histórias que ajudaram a batizar alguns dos pratos e bebidas mais famosos do Brasil e do mundo.

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Da aristocracia russa às mesas populares, o Strogonoff carrega no nome o sobrenome da família Stroganov e uma história que atravessou séculos e fronteiras/ Gerado por IA/Gemini
Da aristocracia russa às mesas populares, o Strogonoff carrega no nome o sobrenome da família Stroganov e uma história que atravessou séculos e fronteiras/ Gerado por IA/Gemini
Inspirado no pedido habitual de um diplomata brasileiro, o Filé Oswaldo Aranha eternizou um nome da política nacional na culinária de boteco/ Gerado por IA/OpenAI
Inspirado no pedido habitual de um diplomata brasileiro, o Filé Oswaldo Aranha eternizou um nome da política nacional na culinária de boteco/ Gerado por IA/OpenAI
O Cachorro-Quente ganhou esse nome a partir de um apelido bem-humorado dado às salsichas alongadas, popularizadas como comida de rua nos Estados Unidos/ chandlervid85/Freepik
O Cachorro-Quente ganhou esse nome a partir de um apelido bem-humorado dado às salsichas alongadas, popularizadas como comida de rua nos Estados Unidos/ chandlervid85/Freepik
Criado para alimentar viajantes nas longas rotas do Brasil colonial, o Feijão-Tropeiro leva no nome a profissão dos tropeiros e reflete a lógica prática da comida de estrada/ Gerado por IA/OpenAI
Criado para alimentar viajantes nas longas rotas do Brasil colonial, o Feijão-Tropeiro leva no nome a profissão dos tropeiros e reflete a lógica prática da comida de estrada/ Gerado por IA/OpenAI
De origem italiana e consagrado na França, o Macaron começou como um biscoito simples de convento antes de virar símbolo da alta confeitaria/ azerbaijan_stockers/Freepik
De origem italiana e consagrado na França, o Macaron começou como um biscoito simples de convento antes de virar símbolo da alta confeitaria/ azerbaijan_stockers/Freepik
Segundo a lenda mais famosa, o Panetone nasceu de um improviso na corte de Milão e recebeu o nome em referência ao jovem ajudante Toni/ Freepik
Segundo a lenda mais famosa, o Panetone nasceu de um improviso na corte de Milão e recebeu o nome em referência ao jovem ajudante Toni/ Freepik
Com nome ligado ao interior brasileiro, a Caipirinha carrega na linguagem popular sua origem rural e identidade nacional/ Freepik
Com nome ligado ao interior brasileiro, a Caipirinha carrega na linguagem popular sua origem rural e identidade nacional/ Freepik
Criado durante uma campanha política nos anos 1940, o Brigadeiro herdou o nome de uma patente militar antes de virar símbolo das festas brasileiras/ Gerado por IA/OpenAI
Criado durante uma campanha política nos anos 1940, o Brigadeiro herdou o nome de uma patente militar antes de virar símbolo das festas brasileiras/ Gerado por IA/OpenAI
Cercado de lendas, o Pé-de-Moleque tem o nome associado tanto ao aspecto rústico do doce quanto ao ambiente das feiras e ruas/ Gerado por IA/OpenAI
Cercado de lendas, o Pé-de-Moleque tem o nome associado tanto ao aspecto rústico do doce quanto ao ambiente das feiras e ruas/ Gerado por IA/OpenAI
Inspirada na leveza da bailarina russa Anna Pavlova, a Pavlova transformou o merengue em homenagem à elegância do balé clássico/ chandlervid85/Freepik
Inspirada na leveza da bailarina russa Anna Pavlova, a Pavlova transformou o merengue em homenagem à elegância do balé clássico/ chandlervid85/Freepik

1. Strogonoff

O Strogonoff (ou Estrogonofe) é, talvez, o maior exemplo de como um sobrenome aristocrático pode se tornar um substantivo comum. Muito mais que um prato de carne, ele é uma herança da Rússia Imperial, batizado em honra à poderosa família Stroganov. A genealogia da receita, no entanto, divide historiadores e paladares.

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A narrativa mais aceita atribui a criação a um chef francês a serviço do Conde Pavel Alexandrovich no século XIX. Tratava-se de uma fusão da técnica refinada do sauté francês aplicada ao paladar russo, que privilegiava o uso do creme azedo. 

Contudo, há quem prefira a versão de que a receita nasceu de uma necessidade física do Conde Grigory Stroganov. Já na velhice e com a saúde bucal fragilizada, o conde teria solicitado uma carne que não exigisse esforço: cortada em tiras macias e finas, mergulhadas em um molho cremoso que facilitava a mastigação.

Embora tenha raízes na alta aristocracia, o prato provou se tornou popular com diversas pessoas ao redor do mundo, com seu nome se moldando a diferentes línguas e cultura.

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Mas foi no Brasil que ele sofreu sua maior revolução, ao substituir o tradicional creme azedo russo pelo creme de leite e eleger a batata palha como acompanhamento indispensável, transformamos uma iguaria estrangeira em um ícone do conforto doméstico nacional.

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2. Filé Oswaldo Aranha

Poucos pratos ilustram tão bem a influência do cliente sobre o cardápio quanto o Filé Oswaldo Aranha. O clássico carioca que leva o nome de um gaúcho curiosamente, mas não de um chefe de cozinha que veio do sul e em um momento de criatividade na cozinha criou o prato. Na verdade o prato surge a partir da insistência de um cliente assíduo político e diplomata  Oswaldo Aranha.

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Nos anos 30 e 40, o político colocava o Restaurante Cosmopolita, na Lapa, no Rio de Janeiro, como parte de sua rotina. Seu pedido era um manifesto de preferências pessoais: um filé alto, temperado com muito alho frito, acompanhado de farofa, arroz e batatas portuguesas.

O "prato do Aranha" era tão requisitado por outros clientes que o restaurante não teve escolha a não ser oficializá-lo como parte do cardápio. Do Cosmopolita a fama do prato se espalhou pelo país e hoje é comum sentar em um bar e ver o filê como opção no menu.

3. Cachorro-quente

A história por trás do nome cachorro-quente, ou hot dog, mistura imigração, cultura popular e uma boa dose de humor. A base do sanduíche, a salsicha do tipo frankfurter, chegou aos Estados Unidos apenas no século XIX, trazida por imigrantes alemães, e rapidamente encontrou espaço nas ruas como uma refeição prática e barata.

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Uma das explicações mais aceitas aponta que, entre açougueiros alemães, a salsicha longa e estreita ganhou o apelido informal de dachshund sausage, numa referência direta ao cachorro da raça dachshund, conhecido pelo corpo alongado, o famoso cachorro salsicha no Brasil. A comparação visual acabou caindo no gosto de vendedores ambulantes e consumidores, ajudando o termo a circular de forma espontânea.

Com o tempo, especialmente quando a salsicha passou a ser servida quente dentro do pão, a expressão foi simplificada para hot dog. O nome se espalhou com rapidez, impulsionado também por um certo tom irônico e humorístico da época, marcado pela desconfiança sobre a procedência das carnes vendidas nas ruas.

Existe ainda uma versão conhecida que atribui a popularização do termo a um desenho do cartunista Tad Dorgan, que teria ilustrado um cachorro dentro de um pão ao ouvir vendedores anunciando dachshund sausages em um estádio de beisebol, no início do século XX. 

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Apesar de curiosa, essa história não possuí provas concretas, e estudiosos apontam que a expressão hot dog já era usada antes como gíria, o que enfraquece essa narrativa como origem definitiva.

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4. Feijão-Tropeiro

O feijão-tropeiro surgiu no Brasil colonial como resposta direta às exigências da vida em movimento. Sua história está ligada aos tropeiros, viajantes responsáveis por transportar mercadorias e animais por rotas extensas do interior do país entre os séculos XVII e XIX.

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Esses deslocamentos conectavam áreas estratégicas da economia da época, como regiões produtoras de gado, ouro e gêneros alimentícios, sobretudo no Sudeste. Em jornadas longas e sem infraestrutura, a alimentação precisava ser simples, energética e resistente ao tempo.

Foi nesse contexto que o prato ganhou forma. O feijão cozido passou a ser combinado com farinha de mandioca, um ingrediente seco e durável, além de carne-seca ou toucinho, que ajudavam tanto na conservação quanto no fornecimento de calorias. 

Com o passar dos anos, a receita foi sendo adaptada e enriquecida com itens como ovos, cebola e temperos, resultando nas versões conhecidas atualmente.

Mais do que uma preparação tradicional, o feijão-tropeiro representa uma solução prática criada pela necessidade, refletindo o cotidiano e a inventividade da alimentação nas estradas do Brasil colonial.

5. Macaron

Entre as muitas narrativas que cercam a origem do macaron, a mais difundida aponta para uma travessia entre Itália e França no século XVI. A receita teria chegado à corte francesa pelas mãos de Catherine de Médici, quando ela se casou com o rei Henrique II, em 1533. Conhecido à época como “Doce da Rainha”, o preparo era um segredo guardado a sete chaves pelo confeiteiro de confiança da nobre e passou a ser apreciado pela classe nobre francesa.

Naquele período, o macaron estava longe do visual sofisticado atual. Tratava-se de um biscoito simples de amêndoas, feito apenas com claras de ovos, açúcar e farinha de amêndoas, sem recheio e com a superfície levemente craquelada. O nome deriva do termo italiano maccherone, usado para designar massas de textura macia ou pastosa, em referência à consistência da mistura.

A consolidação do doce na cultura francesa, no entanto, está ligada à cidade de Nancy. Mais de um século depois de sua chegada à França, o macaron passou a ser produzido em conventos, onde freiras preparavam receitas à base de amêndoas, ricas em proteínas vegetais.

Durante a Revolução Francesa, com a dissolução das ordens religiosas, Marguerite Gaillot e Marie Morlot, duas religiosas, começaram a vender os biscoitos para garantir a própria subsistência. Conhecidas como as “Irmãs Macaron”, elas ajudaram a popularizar o doce e fixar seu nome na cultura francesa.

Já o macaron colorido, recheado e associado à alta confeitaria é uma criação bem mais recente. Foi apenas no século XX, em Paris, que o confeiteiro Pierre Hermé, da casa Ladurée, passou a unir dois discos de biscoito com recheios cremosos. A partir dessa releitura, o antigo doce conventual se transformou em um dos maiores símbolos da confeitaria francesa contemporânea.

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6. Panetone

A origem do panetone é cercada por lendas, mas a narrativa mais popular leva ao coração da Itália renascentista, no século XV, durante a corte de Ludovico il Moro, Senhor de Milão.

Segundo a tradição, na noite de Natal, um grande banquete preparado para a nobreza quase terminou em desastre quando o cozinheiro da família Sforza queimou a sobremesa principal. 

Para evitar o constrangimento, um jovem ajudante da cozinha, chamado Toni, decidiu improvisar. Ele utilizou um pão de fermentação que havia separado para as celebrações e acrescentou ingredientes especiais: passas, frutas cristalizadas e açúcar, criando uma massa surpreendentemente leve, aromática e macia.

O resultado agradou tanto aos anfitriões que a criação passou a ser servida com destaque. Em homenagem ao autor da improvisação, o doce teria sido batizado de "pan di Toni", nome que, ao longo do tempo, o nome se tornou "panetone", como é conhecido hoje.

7. Caipirinha

O nome caipirinha não descreve a receita em si, mas a origem social e cultural da bebida. O termo deriva de “caipira”, palavra usada desde o século XIX para designar o morador do interior, sobretudo das áreas rurais do Sudeste brasileiro, com forte associação ao interior de São Paulo. O diminutivo “-inha” acrescenta um tom afetivo e informal, característico da fala popular.

A bebida nasceu nesse contexto rural, onde cachaça, limão e açúcar eram ingredientes acessíveis e amplamente disponíveis. A mistura fazia parte do cotidiano do campo, consumida tanto como refresco quanto em preparos caseiros tradicionalmente usados para aliviar gripes e resfriados. Assim, passou a ser identificada como uma bebida típica “do caipira”.

Com o tempo, a receita ultrapassou os limites do interior e chegou aos centros urbanos, ganhando espaço nos bares e festas das cidades. O nome, no entanto, foi preservado.

Ele ajudava a marcar a diferença em relação a outras bebidas e reforçava uma identidade genuinamente brasileira, associada à simplicidade, à informalidade e às raízes do interior. Dessa forma, a caipirinha deixou de ser apenas um drinque para se tornar um símbolo cultural de pertencimento.

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8. Brigadeiro

Outra invenção tipicamente brasileira leva um nome que muita gente nem imagina de onde saiu!

Outra criação tipicamente brasileira carrega um nome cuja origem costuma surpreender. Antes de se tornar um dos doces mais populares do país, brigadeiro não tinha relação alguma com sobremesas, mas com uma patente militar.

O termo designa um posto elevado nas Forças Armadas e ganhou projeção nacional nos anos 1940 por causa de Eduardo Gomes, oficial da Força Aérea Brasileira que concorreu à Presidência da República em 1945.

Durante a campanha eleitoral, apoiadores do candidato passaram a vender um doce simples, feito com leite condensado, chocolate e manteiga, como forma de arrecadar fundos e divulgar o nome do militar. A ligação foi imediata: a receita ficou conhecida como “o doce do brigadeiro”, em referência direta à patente de Eduardo Gomes.

Mesmo com a derrota nas urnas, o nome sobreviveu. A receita se espalhou pelo país, caiu no gosto popular e o termo acabou sendo encurtado para brigadeiro, perdendo o vínculo político explícito, mas mantendo no nome a marca de sua curiosa origem histórica.

9. Pé-de-Moleque

A origem do nome pé-de-moleque é repleta de explicações populares, transmitidas ao longo do tempo, mas nenhuma delas pode ser confirmada de forma definitiva.

A interpretação mais aceita relaciona o nome do doce à sua aparência rústica. Feito a partir de açúcar derretido com amendoim, o pé-de-moleque endurece de maneira irregular, lembrando o aspecto dos antigas ruas de pedras ou de terra batida. Esse tipo de chão era conhecido popularmente como “pé-de-moleque”, numa referência ao piso áspero que machucava os pés de crianças que andavam descalças.

Outra narrativa associa o nome ao ambiente de rua e às feiras populares. Segundo essa versão, crianças costumavam se juntar em volta dos vendedores pedindo um pedaço do doce. A repetição do pedido “pede, moleque!” teria acabado se incorporado com o nome do doce, colocando a expressão ao vocabulário popular.

Há ainda quem defenda uma explicação ligada ao modo de consumo. Vendido em grandes placas e bastante duro, o doce muitas vezes precisava ser quebrado no chão. Crianças chutavam ou pisavam sobre ele para parti-lo, reforçando a associação entre pé, moleque e comida de rua.

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10. Pavlova

A pavlova é uma sobremesa à base de merengue, com exterior crocante e interior macio, tradicionalmente finalizada com chantilly e frutas frescas. Leve e delicada, ela carrega um nome que não descreve seus ingredientes, mas sim uma homenagem artística.

O doce foi batizado em tributo à bailarina russa Anna Pavlova, considerada uma das maiores estrelas do balé clássico no início do século XX. Durante uma turnê da artista pela Oceania, na década de 1920, confeiteiros locais teriam criado a sobremesa inspirados na leveza e na elegância de seus movimentos no palco.

Assim como acontece com outros pratos nomeados em honra a personalidades, o nome pavlova funciona como uma metáfora. A textura aérea do merengue foi associada à graça da bailarina, transformando a sobremesa em uma representação simbólica de delicadeza e sofisticação.

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