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De proibições silenciosas por falta de segurança a mudanças drásticas de mercado: conheça os fatores reais que apagaram os maiores sucessos da nossa infância
Quarto dos sonhos: um verdadeiro túnel do tempo com as maiores febres de uma geração / Imagem ilustrativa
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Se você cresceu nas décadas de 1980 e 1990, é provável que sua lista de desejos de aniversário fosse dominada por produtos que, hoje, só existem na memória ou em sites de colecionadores.
Da emoção de abrir um chocolate para descobrir qual animal vinha no cartão, ao desespero de manter um bichinho virtual vivo durante a aula, o mercado infantil daquela época era ditado por febres instantâneas.
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Mas o que levou o varejo a varrer esses sucessos das gôndolas? A resposta vai muito além da simples mudança de gosto das novas gerações.
Envolve aquisições corporativas, altos custos de produção, questões rigorosas de segurança e, claro, o avanço implacável da tecnologia.
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O Diário do Litoral resumiu 5 gigantes nostálgicos e fomos atrás dos motivos que decretaram o fim de cada um deles.
Antes dos tablets e smartphones, o ápice da tecnologia educacional nas mãos de uma criança brasileira era o Pense Bem.
Lançado no final dos anos 80 pela TecToy, o aparelho parecia um minicomputador e testava os conhecimentos dos pequenos através de livros de códigos e perguntas de múltipla escolha.
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O que era: Um minicomputador de brinquedo com teclado sonoro e luzes, que funcionava em conjunto com livretos temáticos (de matemática a personagens da Disney).
O que aconteceu: Avanço tecnológico e obsolescência. Com a virada do milênio, a popularização dos primeiros computadores pessoais (PCs) residenciais e, posteriormente, a chegada de consoles de videogame muito mais imersivos e acessíveis, transformaram um brinquedo de botões estáticos em uma peça jurássica. A interatividade das telas de alta resolução enterrou os antigos livros de código.
A experiência de comer o Chocolate Surpresa era apenas metade da diversão. A verdadeira febre era a coleção de "cards" (cartões) em alto relevo que acompanhava a barra, trazendo informações e fotos de animais, dinossauros e ecossistemas. A caça pelas figurinhas raras movimentava os recreios.
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O que era: Barra de chocolate ao leite da Nestlé que vinha com cartões colecionáveis temáticos, frequentemente acompanhada de um álbum vendido separadamente.
O que aconteceu: Custo de produção e mudança de estratégia. Manter a licença das imagens, a qualidade da impressão dos cards e a logística dos álbuns encarecia severamente o produto final em uma época de estabilização econômica e forte concorrência.
A Nestlé optou por focar sua produção em linhas com maior margem de lucro e em formatos mais rentáveis, como os ovos de Páscoa sazonais da mesma marca.
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Entretanto, em 2025, o Chocolate Surpresa voltou a ser comercializado pela Nestlé. Porém, não teve o mesmo sucesso.
Febre dos anos 90: os produtos icônicos que deixaram saudade nas gôndolas e no coração / Imagem ilustrativaColoridas, redondas, duras e perigosamente lisas. As Balas Soft eram presença garantida nas bombonieres e cantinas escolares, mas carregam até hoje uma reputação temida por pais e professores de toda uma geração.
O que era: Balas de açúcar sólidas em sabores de frutas, famosas por seu formato esférico perfeito e superfície extremamente lisa.
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O que aconteceu: Questões de segurança. O formato e a textura da bala criaram um risco real e frequente de asfixia em crianças.
Após diversos relatos médicos de engasgo, a pressão popular forçou a fabricante a mudar o design do produto. Primeiro, a bala ganhou um furo no meio (estilo boia); depois, bordas achatadas.
As mudanças de segurança descaracterizaram a marca, que foi perdendo força até ser discretamente descontinuada pela Kraft Foods (que havia adquirido a Kibon).
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A angústia de ouvir pequenos bipes saindo da mochila significava apenas uma coisa: seu pet precisava comer, dormir ou tomar injeção.
Lançado pela Bandai, o Tamagotchi foi uma febre global que ensinou, de forma rudimentar, a responsabilidade de cuidar de um ser vivo (mesmo que feito de pixels).
O que era: Um minigame em formato de chaveiro com uma tela LCD simples, onde o objetivo era cuidar das necessidades diárias de um animalzinho virtual.
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O que aconteceu: Saturação de mercado e pirataria. O sucesso estrondoso atraiu uma avalanche de cópias não oficiais asiáticas (os famosos "bichinhos virtuais de camelô", que traziam dezenas de animais no mesmo aparelho).
A pirataria de baixo custo engoliu o mercado oficial e banalizou a brincadeira. Anos depois, os primeiros celulares com jogos embutidos deram o golpe de misericórdia no gadget de função única.
Mastigar dezenas de chicletes coloridos de uma só vez para formar uma bola gigante era quase um ritual. A cartelinha da Adams era barata, fácil de dividir com os amigos e tinha um forte apelo visual, parecendo uma embalagem de comprimidos alegres.
O que era: Uma pequena cartela plástica contendo mini gomas de mascar quadradinhas e multicoloridas, sabor tutti-frutti.
O que aconteceu: Reposicionamento corporativo e novos hábitos de consumo. A partir dos anos 2000, o mercado de gomas de mascar sofreu uma guinada drástica para o público adulto e jovem-adulto.
A demanda migrou para produtos sem açúcar, com foco em saúde bucal e hálito refrescante (como a linha Trident).
O apelo puramente lúdico, açucarado e focado no volume perdeu espaço nas gôndolas e nos investimentos de marketing das fabricantes.