Conheça o ‘Triângulo das Bermudas’ brasileiro que esconde um cemitério de navios no litoral de SP

A maior ilha marítima do Brasil mistura mistérios subaquáticos com o título de Capital Nacional da Vela

O mais emblemático é o naufrágio do Príncipe de Astúrias, em 1916

O mais emblemático é o naufrágio do Príncipe de Astúrias, em 1916 | Manoel Balda/Reprodução/Naufrágios de Ilhabela

Quem desembarca em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, logo é envolvido pelo verde exuberante da Mata Atlântica e pelo clima sofisticado da Vila. No entanto, sob as águas cristalinas do arquipélago, repousa um passado sombrio que rendeu ao local o apelido de “cemitério de navios”. 

Devido à presença de magnetita nas rochas, que interferia nos instrumentos de navegação antigos, pelo menos 10 embarcações documentadas encontraram seu fim nos costões da ilha.

O mais emblemático desses episódios é o naufrágio do Príncipe de Astúrias, em 1916. O luxuoso transatlântico espanhol, que fazia a rota Barcelona–Buenos Aires, afundou na Ponta da Pirabura, deixando um rastro de lendas e centenas de vítimas. 

Hoje, o mistério atrai mergulhadores do mundo todo, que exploram as carcaças submersas e visitam o Museu Náutico para ver de perto as peças resgatadas dessa “Titanic brasileira”.

Do mistério ao esporte: a Capital Nacional da Vela

Se no passado o canal de São Sebastião era um desafio para os navegadores, hoje ele é o cenário do maior evento de vela da América Latina. Oficializada por lei federal como a Capital Nacional da Vela, Ilhabela sedia anualmente a Semana Internacional de Vela, que em sua 52ª edição reuniu mais de 120 embarcações. 

O vento constante e a geografia privilegiada transformaram o antigo ponto de perigo no principal refúgio dos esportes oceânicos no país.

Natureza selvagem e o “lado B” da ilha

Além das histórias de piratas e naufrágios, Ilhabela preserva 85% de seu território através de um Parque Estadual reconhecido pela UNESCO. Para quem busca fugir do agito das praias do sul, como a badalada Praia do Curral, o destino é o lado leste — a face selvagem da ilha.

Castelhanos: Acessível apenas por jipes 4×4 ou barcos, a praia tem formato de coração e é o cartão-postal da rusticidade local.

Bonete: Considerada uma das praias mais bonitas do Brasil, abriga uma comunidade caiçara tradicional e só pode ser acessada por mar ou por uma trilha de 12 km.

Gastronomia com pé na areia

A herança caiçara também resiste à mesa. O Festival do Camarão, que celebrou sua 30ª edição em 2025, é o ponto alto do calendário gastronômico, unindo receitas ancestrais, como a farofa de taioba e o peixe na folha de bananeira, a pratos autorais de chefs renomados que escolheram a ilha como lar.