Diário Mais
O local é berço da temida Jararaca-ilhoa e, recentemente, foi ponto de referência para um naufrágio com três pessoas
Conhecida popularmente como Ilha das Cobras, ela é a segunda do planeta com a maior concentração do réptil por metro quadrado / Giuseppe Puorto
Continua depois da publicidade
Cercada de mistérios, a Ilha Queimada Grande, localizada entre os municípios de Peruíbe e Itanhaém, desafia a lógica e cria um dos cenários mais espetaculares e tenebrosos do mundo.
O local é berço da temida Jararaca-ilhoa e, recentemente, foi ponto de referência para um naufrágio com três pessoas.
Continua depois da publicidade
Incêndios, tesouros e espécies endêmicas: a seguir, sete curiosidades a respeito dessa ilha brasileira que desperta a curiosidade do mundo todo.
No Rio de Janeiro, existe uma Ilha das Cobras – essa, situada na Baía da Guanabara – e confusões costumam ser comuns entre as duas, uma vez que a ilha paulista é mais famosa e levou essa denominação por apelido, enquanto a carioca é o nome oficial.
Continua depois da publicidade
Até o início do século XX, era bastante comum a prática de atear fogo na vegetação da ilha, com o objetivo de espantar as cobras. Muitas vezes, esses incêndios atingiam proporções gigantescas e podiam ser claramente avistados do continente, o que lhe rendeu o seu nome oficial.
A hipótese defendida pelos cientistas para justificar as diferenças e semelhanças entre a jararaca-ilhoa e a jararaca “comum” (Bothrops jararaca) é que elas compartilham o mesmo ancestral. Essa ideia é baseada na teoria da evolução por seleção natural, elaborada pelo naturalista britânico Charles Darwin (1809-1882).
De acordo com a hipótese, a Ilha era ligada ao continente, mas, quando grandes massas de gelo derreteram, uma parcela da população “original” de jararacas do litoral brasileiro acabou isolada em ilhas, sob condições de sobrevivência bastante distintas das que conheciam até então.
Continua depois da publicidade
Com o passar do tempo, a serpente foi acumulando mutações, que podem ou não ter sido vantajosas para sua continuidade, e resultaram em uma “nova” jararaca.
Além da jararaca, uma espécie de anfíbio também só existe na ilha: a Scinax peixotoi – um sapo minúsculo, de 18 a 25 milímetros, encontrado em bromélias. Além das espécies endêmicas, a ilha é o lar da Dormideira (Dipsas albifrons), da barata silvestre (Hormetica laevigata), do gafanhoto-azul (Meroncidius sp.), do atobá-pardo (Sula leucogaster), entre outros.
Recentemente, pesquisadores descobriram a presença de uma barreira de coral de 75 mil metros quadrados a 12 metros de profundidade. Identificado como o recife de coral mais ao sul do Oceano Atlântico, a formação rochosa foi considerada uma descoberta inusitada, já que estruturas como essa geralmente são encontradas em latitudes mais próximas à Linha do Equador.
Continua depois da publicidade
A presença de três navios naufragados na região também é um chamariz para os mergulhadores. À esquerda da extensão da ilha, para quem chega da costa, por exemplo, encontra-se o vapor Rio Negro. A embarcação naufragou em julho de 1893, após se chocar contra a costa da ilha devido a uma intensa cerração que prejudicou a visibilidade da tripulação.
Em 1993, foi a vez do vapor Tocantins naufragar a poucos metros dali, enquanto seguia viagem rumo a Manaus. Pouco mais distante, a cerca de três quilômetros da costa da ilha, repousam os destroços do vapor Araponga, que naufragou após colidir com um pequeno cargueiro na madrugada do dia 12 de junho de 1943.
Recentemente, em 2019, um novo naufrágio próximo à Ilha das Cobras ganhou notoriedade na mídia, quando um barco ocupado por seis pescadores acabou virando durante uma forte tempestade, no meio da noite.
Continua depois da publicidade
Dentre as inúmeras lendas que envolvem a Queimada Grande, uma das mais conhecidas diz respeito à existência de um tesouro que pode ter sido escondido na ilha há mais de 500 anos. Uma série documental a respeito dessa história foi exibida pelo Discovery Channel em 2015.