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Clube brasileiro que quase enfrentou o Real Madrid no Mundial hoje joga para 300 pessoas

Há 22 anos o São Caetano era o terror dos clubes grandes do Brasil e a grande sensação do futebol no país, mas hoje está quase fechando as portas

Jeferson Marques

Publicado em 04/04/2026 às 13:09

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O contraste do São Caetano em 2002 com o clube nos dias atuais: tristeza e preocupação com o futuro / Imagem ilustrativa criada por IA/Gemini

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Em 2002, o "Azulão" estava a 45 minutos de ser o dono do continente. Vencia o Olimpia na final da Libertadores e por pouco não foi decidir o Mundial contra o Real Madrid de Zidane e Ronaldo Fenômeno.

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Hoje, a realidade é o Campeonato Paulista Série A4. Para quem não está familiarizado com a nova nomenclatura da Federação Paulista de Futebol (FPF), essa é a quarta e última divisão profissional do estado. O time que já frequentou o G4 do Brasileirão agora luta para não cair para o futebol amador.

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A equipe do São Caetano, em 2004, era uma máquina de bons jogadores - Crédito/O Curioso do Futebol

E abrindo um breve parênteses no futebol, a cidade de São Caetano do Sul, ao contrário do clube, tem hoje o melhor IDH do Brasil.

O Silêncio do Anacleto Campanella

O público é o termômetro mais cruel dessa decadência. Se no auge o São Caetano arrastava multidões e era o "segundo time" de muitos paulistas, os boletins financeiros da FPF em 2024 e 2025 mostram uma realidade desoladora:

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  • Públicos pagantes: É comum o clube registrar menos de 300 torcedores em jogos oficiais.
  • O custo do jogo: Em várias partidas, a renda bruta não cobre sequer as despesas de arbitragem e borderô, gerando prejuízo financeiro a cada vez que o estádio abre os portões.

O que causou o colapso?

Não foi apenas um fator, mas uma sucessão de golpes que destruíram a estrutura do clube:

  • A Tragédia de Serginho (2004): O falecimento do zagueiro em campo contra o São Paulo não trouxe apenas dor, mas uma punição severa de pontos que iniciou o declínio técnico.
  • Fim do Investimento Público/Empresarial: O modelo de gestão que dependia fortemente de parcerias políticas e patrocínios pesados ruiu, deixando dívidas trabalhistas milionárias.
  • Crise de Identidade: Sem uma base de torcida jovem e orgânica (o clube sempre competiu com os quatro grandes da capital), o São Caetano perdeu relevância local conforme os resultados sumiram.
Jogadores do sub-20 em reunião com a diretoria e na parede a imagem de Muricy Ramalho, campeão Paulista pelo clube em 2004 - Facebook/São Caetano Futebol

O Futuro: Sobrevivência ou Extinção?

Atualmente, o clube tenta se manter vivo através de gestões que buscam investidores externos (SAF), mas o caminho de volta para a elite é longo e tortuoso. Para o torcedor que viu Adhemar, Somália e Silvio Luiz brilharem, ver o Azulão enfrentar times sem expressão nacional é um exercício diário de resiliência.

E para fechar o assunto, a critério de curiosidade extra, o ator Fábio Assunção iniciou a sua carreira nos palcos justamente em São Caetano do Sul, mostrando que o talendo da cidade vai muito além das quatro linhas.

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