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Cientistas 'removem' o gelo da Antártida e descobrem outros continentes, com vales e montanhas

Mais do que uma curiosidade visual, esse novo mapa criado é a chave para entendermos o futuro do clima e do nível do mar

Jeferson Marques

Publicado em 28/01/2026 às 15:42

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O mapa gerado pelos cientistas remover o gelo da Antártida e viu novos continentes / Reprodução/Agência Espacial Europeia (ESA)

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Imagine que a Antártida é um imenso bolo com uma cobertura de gelo de quase 5 km de espessura. Por décadas, o que havia por baixo era um mistério. Agora, graças a uma combinação de dados de satélite e sensores de gravidade, pesquisadores conseguiram "remover" visualmente essa cobertura. O resultado é um mapa ultra detalhado que mostra vales profundos, montanhas escondidas e bacias que não eram vistas há milhões de anos. É como se tivéssemos descoberto um novo continente dentro do nosso.

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O que os olhos não viam

O que mais impressiona nesse novo mapeamento não é apenas o relevo, mas a "assinatura" das rochas. Os cientistas descobriram que o subsolo antártico é um verdadeiro quebra-cabeça de antigos continentes. Existem partes daquelas rochas que se encaixam perfeitamente com a Austrália e a Índia. Isso confirma, com precisão visual, como os continentes se separaram do antigo supercontinente Gondwana. É a prova física de uma "separação de bens" que aconteceu há mais de 100 milhões de anos.

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Montanhas, milhares de colinas, vastas planícies e vales que se estendem por centenas de quilômetros

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O segredo para o futuro do clima

Mas por que gastar tanto tempo e tecnologia mapeando o que está enterrado? A resposta é estratégica. Saber onde existem montanhas ou vales sob o gelo ajuda a entender como as geleiras se movem. Se o fundo é liso, o gelo desliza mais rápido para o mar; se é acidentado, ele fica "preso". Entender esse terreno é a chave para prever com muito mais precisão como o nível do mar vai subir nas próximas décadas, afetando inclusive a nossa costa aqui no Brasil.

Tecnologia digna de ficção científica

Para chegar a esse nível de detalhe sem cavar um único buraco, a equipe utilizou a missão GOCE da Agência Espacial Europeia. Esse satélite mediu as variações mais sutis da gravidade da Terra. Onde a rocha é mais densa, a gravidade é levemente maior; onde há fossas profundas, ela diminui. Cruzando esses dados com radares que atravessam o gelo, os especialistas criaram a visão mais fiel já produzida desse mundo gelado e invisível.

Fontes pesquisadas: HDBlog.it, Agência Espacial Europeia (ESA) e British Antarctic Survey.

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