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Cientistas descobrem lagarta 'Frankenstein', que usa partes do seu próprio corpo como armadura

Apelidada também de "chapeleira maluca", ela empilha os próprios exoesqueletos antigos para criar uma torre bizarra que confunde predadores

Jeferson Marques

Publicado em 19/01/2026 às 13:37

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A lagarta usa uma técnica inusitada para enganar predadores e vira um 'edifício' de cabeças / Imagem ilustrativa/IA

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No vasto e estranho mundo dos insetos, as estratégias de sobrevivência podem ser surpreendentes. No entanto, poucas superam o visual macabro da Uraba lugens, uma lagarta nativa da Austrália e Nova Zelândia que ganhou fama mundial recentemente nas redes sociais e em publicações científicas pelo seu hábito bizarro: ela carrega uma pilha de "cabeças" sobre o próprio corpo.

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Apelidada popularmente de "lagarta chapeleira maluca" (Mad Hatterpillar) ou apenas de Frankenstein , o inseto apresenta um comportamento que, à primeira vista, parece saído de um filme de terror. Ela constrói uma espécie de torre cônica que se projeta para cima a partir de sua cabeça real, dando a impressão de estar vestindo os restos mortais de suas vítimas.

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Crédito: Reprodução/Internet

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A coleção macabra

Apesar da aparência feroz que lhe rendeu comparações com vilões da ficção, a "coleção de ossos" da lagarta não vem de outros insetos. A ciência explica que o processo é, na verdade, uma forma extrema de reciclagem corporal.

Como todas as lagartas, a Uraba lugens precisa trocar de pele (processo chamado de ecdise) várias vezes para crescer. No entanto, em vez de descartar completamente o exoesqueleto antigo, esta espécie desenvolveu um mecanismo único: ela retém a cápsula cefálica — a "caixa craniana" dura — da fase anterior.

A cada nova muda, a cabeça antiga, agora vazia, é empurrada para cima e fica colada no topo da nova cabeça. Ao longo de sua vida larval, a lagarta pode acumular até cinco ou seis dessas cápsulas, criando uma torre de "crânios" progressivamente menores, do mais recente na base ao mais antigo no topo.

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Um escudo falso

Por que gastar energia carregando esse peso extra? Entomologistas (cientistas que estudam insetos) acreditam que a torre funciona como um sofisticado mecanismo de defesa contra predadores.

A estrutura serve como um alvo falso. Pássaros, aranhas e outros insetos predadores geralmente miram na cabeça de suas presas para um abate rápido. Ao atacar a Uraba lugens, o predador frequentemente atinge a torre de cápsulas vazias e ocas, em vez da cabeça vital da lagarta. Esse "escudo" descartável dá ao inseto segundos preciosos para escapar ou cair da folha onde está, salvando sua vida.

Dieta vegetariana

O visual assustador também engana sobre seus hábitos alimentares. Diferente do que a aparência sugere, ela não é carnívora. A espécie é herbívora e, em sua região de origem, é considerada uma praga agrícola séria. Ela se alimenta vorazmente de folhas de eucalipto, consumindo toda a parte verde e deixando apenas as nervuras, o que lhe rendeu outro apelido: "esqueletizadora de folhas".

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Adeus aos "crânios"

A fase de "colecionadora de cabeças" é temporária. Quando a lagarta está pronta para se transformar, ela entra no estágio de pupa e descarta a torre de cápsulas definitivamente. A criatura que emerge do casulo é uma mariposa de tons cinzentos e marrons, de aparência muito mais comum, deixando para trás sua bizarra armadura de infância.

*Fonte da informação: Escola de Ciências Biológicas da Universidade de Sydney (Austrália).

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