Pesquisadores da Universidade de Trento, na Itália, confirmaram em fevereiro de 2026 a existência de uma enorme caverna vulcânica sob a superfície de Vênus. A reanálise dos dados de radar da sonda Magellan, da NASA, originalmente coletados na década de 90, permitiu que os pesquisadores detectassem a estrutura na região do vulcão Nyx Mons.
A descoberta marca a primeira vez que um tubo de lava é formalmente identificado no planeta vizinho. Essa cavidade subterrânea possui dimensões colossais, com cerca de 937 metros de largura e pelo menos 375 metros de altura, superando qualquer formação similar conhecida na Terra ou na Lua.
Como essa estrutura foi identificada após 30 anos
Embora a sonda Magellan tenha mapeado Vênus entre 1990 e 1994, a tecnologia da época não permitia enxergar detalhes abaixo da crosta com precisão. A equipe liderada pelo professor Lorenzo Bruzzone desenvolveu novos algoritmos de processamento que revelaram um “skylight”, uma abertura causada pelo desabamento parcial do teto do tubo.
Este colapso na encosta ocidental de Nyx Mons mede aproximadamente 1,5 km por 1 km. O sinal de radar penetrou centenas de metros na abertura antes de se dissipar, confirmando que o vazio interno é real e não apenas uma depressão superficial. Geólogos estimam que o sistema completo se estenda por 45 quilômetros de comprimento.
A formação desses tubos gigantescos ocorre quando a lava escoa e a camada superior se solidifica primeiro, criando um duto isolado. A gravidade menor e a atmosfera extremamente densa de Vênus permitiram que esses canais atingissem escalas monumentais, as quais as condições geológicas terrestres jamais replicariam.

O impacto para a exploração espacial em 2031
O achado altera drasticamente o planejamento das próximas missões da NASA e da Agência Espacial Europeia (ESA). As sondas VERITAS e EnVision, programadas para lançamento até junho de 2031, agora possuem alvos prioritários para buscar abrigos naturais contra o ambiente hostil do planeta.
Vênus apresenta temperaturas superficiais de 465°C e uma pressão atmosférica esmagadora. No entanto, o interior dessas cavernas vulcânicas funciona como um escudo térmico natural, mantendo condições muito mais estáveis e protegidas da corrosão atmosférica. Isso abre caminho para discussões sobre a viabilidade de instrumentos científicos operarem dentro dessas estruturas no futuro.
Além disso, a confirmação de tubos de lava em Vênus reforça a teoria de que o vulcanismo é um processo universal em planetas rochosos. Comparar Nyx Mons com os vulcões do Havaí ou de Marte ajuda os astrônomos a entenderem a evolução térmica do Sistema Solar e como diferentes atmosferas moldam a geologia interna dos mundos.
*O termo “ar-condicionado” é uma metáfora científica para explicar a função térmica vital que essas cavernas desempenham em um ambiente tão hostil. Enquanto a superfície de Vênus é um verdadeiro “forno” com temperaturas que derretem chumbo (465°C), o interior desses tubos de lava oferece um isolamento térmico natural extraordinário.
Fontes pesquisadas: Revista Nature Communications, NASA Jet Propulsion Laboratory (JPL), Agência Espacial Europeia (ESA) e Universidade de Trento.
